domingo

Viagem de Comboio



O comboio corria veloz.

Apanhara-o para ter uma viagem mais confortável e rápida.
No entanto, detestava aquelas constantes paragens em inúmeras estações e as entradas e saídas de tanta gente desconhecida.
Por disso, escolhera a primeira classe que ia sempre com menos gente.
Naquele dia, apenas vislumbrava três cabeças em toda a carruagem e bastante afastadas do lugar onde estava sentada.
Felizmente. Queria descanso e concentração para ler uma última vez as 53 páginas da matéria sobre a qual tinha que dar formação às 15 horas.

Depois de quase uma hora de leitura e a necessitar de uma pausa, decidiu ir tomar um café ao bar a fim de se manter bem desperta.
Já se desabituara de viajar tão cedo.
Procurou um lugar de canto e fez sinal ao empregado para lhe trazer o café.

Olhava pela janela quando pressentiu algo, arrepiou-se, e virou-se repentinamente, deparando-se com o olhar penetrante de um estranho encostado ao balcão do bar.
O olhar masculino desceu pelo corpo dela, de forma lânguida e insinuante. Sentiu-se desnuda de roupas e sentires, como se ele lhe tivesse arrancado mais do que a blusa e saia com aquele olhar.
Não gostou daquela sensação e indignou-se.
Contudo, não deixou de sentir, também, um certo formigueiro de excitação.

Olhava-a com firmeza. Era gira. Parecia cansada e no entanto havia uma frescura leve que rodeava a forma como andava, pensou que era o andar mais perfeito que tinha visto.
Ok, sorriu para si, ou então, era simplesmente um daqueles momentos em que a presença de alguém, sem razão aparente, interfere com a nossa.
Viu-a ficar sem jeito, a passar a mão na saia, ajeitando-a sobre as coxas, e na blusa, para confirmar que estava devidamente abotoada.

Deu conta do quanto estava a ser irracional e corou até à raiz dos cabelos. Terminou de beber o café e dirigiu-se para a sua carruagem, sentindo que os olhos daquele desconhecido a acompanhavam pelo corredor do comboio.
Havia de se recompor e mostrar-lhe que não se sentia minimamente afectada com o seu descaramento.

Aguardou que ela voltá-se ao seu lugar e reparou na tentativa de concentrar-se na leitura e como, claramente irritada, pousou o dossier no banco ao seu lado e colocou os phones, sintonizando uma estação de rádio provavelmente por forma a tentar esquece-lo.
Foi então, que ela fechou os olhos.

Minutos depois sentiu um movimento a seu lado.
Abrindo os olhos, virou a cabeça e viu o estranho a seu lado, de pé.
Com um gesto perguntava se podia sentar-se a seu lado e, sem lhe dar tempo de dizer qualquer palavra, tirou o dossier e acomodou-se, sem deixar de a olhar.
Ela ainda tentou balbuciar um protesto, mas parou quando ele lhe tocou os lábios em sinal de silêncio.
Sem dizer uma palavra, aproximou o rosto e colou os lábios aos seus, sem lhe dar possibilidade de fugir.
Sentia os membros presos.
A mesma emoção prendia-lhe a voz na garganta e a vontade de protestar.
O corpo tremia, invadido de uma sensação estranha.
Devia estar louca para permitir que um estranho a beijasse, lhe tocasse os seios como ele estava a fazer, apertando o seu corpo contra o dele, alguém que nunca havia visto na vida até há menos de meia hora.

Abraçou-a, puxando-a para olhar o seu rosto de novo, antes de a beijar sofregamente.

Sentiu a mão dele subir pelas suas coxas, por baixo da saia, e trémula de desejo, tocou-o ao de leve, numa carícia que revelou toda a ânsia contida.
Abrindo a boca, deixou que a língua masculina tocasse a sua, entrelaçando-se com volúpia.
Não conseguiu aguentar mais.
Levou-o para o seu compartimento.
Uniram os corpos e buscaram o cume do prazer em movimentos acompanhados pelo ritmo do andamento do comboio, entre gemidos mudos, carícias, sussurros, mordidas e suspiros, amaram-se loucamente.
O tempo parecia estar preso àqueles carris, absorvida naquela viagem, perdido e sem rigor, cúmplice de uma ocasião que jamais esqueceria.

Sem uma palavra, ele puxou as calças, abotoou-as, fechou a camisa, levantou-se com um sorriso, beijou-a nos lábios e desapareceu no corredor.
Ela compôs a roupa, ergueu-se e encaminhou-se para a casa de banho, a fim de se pentear e tentar recuperar ainda do que havia acontecido.
Devia ter enlouquecido para fazer aquilo, pensava, enquanto se olhava no espelho.
Mas não.
Como recordação, tinha ficado o gosto de um desconhecido nos lábios e a marca dos seus dentes era bem visível no seu pescoço.

Faltava cerca de 1 hora para o fim da viagem.
Teria tempo par rever a matéria do dossier.
Tempo para esquece-lo.

Se o conseguisse...

quinta-feira

Chocolate Amargo



Enquanto ele olhava com curiosidade, ela balançava as ancas ao som daquela música tão sensual que servia como fonte da sua excitação.
Deu uma volta à cadeira...virou-lhe as costas enquanto descobria um pouco mais a pele.
Reparou que ele já se encontrava muito excitado.
Aproximou-se, deixando-o na expectativa e começou a despi-lo.
Tocou ao de leve nos lábios dele, com os dela,
afastando-se depois, rapidamente.
Caminhou de encontro à cadeira enquanto ia
despindo totalmente o vestido,
até se encontrar nua, à mercê do seu olhar.
Olhou-o nos olhos e com um simples gesto, chamou-o até ela.

Ele correspondeu.

Colocou as mãos sobre o seu peito, beijou-o com doçura
e sentou-o na cadeira.
Pôde ver no seu olhar o desejo de saber o que viria a seguir e isso deixou-a ainda mais molhada.
Foi para traz dele entre beijos no pescoço e
trincas marotas nas orelhas,
enquanto ia passeando as mãos pelos os ombros.
Subitamente, com os dedos no cabelo dele, deu a volta, encostou os seios ao seu rosto e começou a descer, lentamente,
de encontro ao seu sexo.
Ajoelhou-se.
Deu início à provocação, com a língua, com a boca...
...deu início ao delírio...

A cada carícia dada, sentia como a sua excitação crescia.
O seu sexo encontrava-se bem teso, tal como ela gostava.
Sentia-se dona do momento, do prazer, adorava senti-lo,
sentir o seu prazer, proporcionar-lhe prazer, partilhar o prazer,
excitar-se com aquele prazer, perder-se...

Anda, põe-te aqui...quero-te...

Não respondeu, não disse nada, não lhe apetecia falar,
apenas fazer amor.
Levantou-se e de costas para ele, sentando-se, enterrou-o todo, dentro dela.
Agarra-me ! disse-lhe, e as mãos dele cobriram-lhe os seios com força enquanto ela subia e descia, numa cadência cada vez mais ritmada, intensa, ardente.
Os gemidos faziam-se ouvir, os gritos não tardariam.

Parou.
Abandono-o e caminhou de encontro à porta do quarto,
um rio brilhando à meia luz, pela costas abaixo.

Ei ! Onde vais ?

Virou-se de lado, apoiando-se na ombreira da porta,
deixando transparecer a traquinice e sensualidade
que ele tão bem conhecia e gostava.

Não fiques chateado...apeteceu-me um chocolate...
...só isso...amargo...

Chocolate...agora ?
sorriu para ela.

Oh pá... sabes como sou... quando desejo algo...

sábado

Seduz-me



Despe-te para mim, pediu ele.
E ela obedeceu.

Sentado na cama, ele fixava-a no meio daquele quarto iluminado a meia-luz. O seu rosto estava sereno.
À sua frente, de pé e sem proferir palavra, ela iniciou a tarefa.
Lentamente, desapertou o primeiro botão da blusa que vestia.
Os seus dedos moviam-se delicadamente, como se estivessem a tocar numa jóia preciosa.
Desapertou o botão seguinte.
E outro.
Por baixo, transparecia um soutien branco, acetinado e macio, e o peito dela brotava com voluptuosidade.

Mirou-a.

Após uma pequena pausa, o suficiente para o deixar embevecido com aqueles centímetros de corpo descoberto,
chegou ao último botão.
Via-se agora um rio de pele, do pescoço até ao ventre, que brilhava com os reflexos da luz.O olhar dele permanecia imóvel, concentrado naquele delicioso sulco que os seios formavam.

Olhando para ele, ergueu ambos os braços, e agarrou a blusa junto ao peito, fazendo um gesto lento que a fez deslizar pelos ombros. A sua pele arrepiou-se e os pelos eriçaram-se ao sentir aquele tecido macio a acaricia-la.
Ela olhou para os seus seios, com a blusa ainda caída nos braços e, ao de leve, tocou num com a ponta dos dedos.

Ele sorriu.
Ela também.

Decidida, despiu a blusa por completo, deixando-a cair no chão.
O movimento fez o peito dela projectar-se para a frente, e um mamilo espreitava agora por entre a copa do soutien.

Ela tocou-lhe.
E ele vacilou.

Inebriado, ele ergueu a mão e tocou-lhe
no ventre com a ponta dos dedos.
Aproximou a sua boca desse mesmo sítio, beijou-a,
e ela sentiu os seus lábios entreabrirem-se
e deixarem sair uma língua quente e ávida.
Ao afastar-se, ela sentiu o sopro quente dele na pele que entretanto tinha deixado húmida, e gemeu.

Continua, pediu ele, enquanto se tentava controlar para não lhe tocar.

E ela continuou.

Quando começou a desapertar os jeans, fechou os olhos e movimentou lentamente as ancas. As calças deslizaram pelas pernas, e ficou em roupa interior.
Uma alça do soutien tinha deslizado pelo ombro, e pendia agora no braço. O seio, cujo mamilo antes espreitava,
revelava-se agora ainda mais.

E ele não resistiu.

Mais do que apenas admirar o seu corpo, ele estava envolvido pela sensualidade dela. Puxou-a para si num gesto seco, e mergulhou de novo a boca no ventre dela.
Enquanto lhe beijava a pele e respirava o seu cheiro, as mãos dele percorriam-lhe o fundo das costas, as nádegas, e aventuravam-se ainda mais para o interior das coxas.
Sentia o calor que emanava dela…

E desejava-a.

domingo

Momento a 2



Tinham regressado de um passeio junto ao mar.
A chuva caía desalmadamente, frenéticamente,
vedando o carro do mundo exterior,
emprestando o seu manto de gotas serradas,
que já haviam coberto os seus corpos.

Ela olhou para ele.
Ele sorriu.
Como ela adorava aquele sorriso!
Ela aproximou-se dele, devagar.
Enroscou-se no seu colo e sussurrou-lhe ao ouvido:

Vem.

Ele agitou-se, pegou nela e voltou a sentá-la.
Puxou o banco para trás e ficou a olhar para ela.
Passou as mãos devagar pelo seu cabelo.
Ela fechou os olhos.
Ele continuou.
Passou-lhe os dedos pelos lábios, depois pelo pescoço.
Desapertou-lhe os botões da blusa.
Gostava que ela usasse as prendas que lhe dava.
O colar assentava-lhe tão bem...tão...elegante...
Ela abriu os olhos e seguiu todos os seus gestos.
Lentos, premeditdos, fazendo crescer o desejo dela.

Vem.

Ele continuou, peça por peça, devagar...
Quando os olhos dele voltaram a encontrar os dela, ele voltou a sorrir.

Vem.

E ele foi.
Tocou-lhe nos cabelos como ela gostava,
passou a língua pelo seu ouvido e murmurou:

Já estou a caminho...

Não...Vem...Depressa !