domingo
Horas Extra
Que fazia ela ali, àquela hora ?
A noite já ia longa.
Ele próprio precisava, por vezes, de umas horas extra
para pôr tudo em dia,
mas, nunca a encontrara antes, muito menos assim...
Resolveu não entrar.
Abriu cuidadosamente a porta que dava acesso à sala das
cadeiras em pele preta, apenas o suficiente para puder observá-la.
Sorriu.
Quem diria? Que bela imagem.
Quantas vezes, enquanto esperava numa daquelas cadeiras,
ficava a admirá-la, de longe, passando lhe tudo pela cabeça
menos os assuntos de trabalho que o levavam ali.
De repente, ocorreu-lhe, que de facto era mesmo muito
estranho o que estava a presenciar.
Estaria mais alguém com ela? Outro colega?
Encostou-se, com jeitinho, à ombreira da porta.
Ela tinha optado por ouvir música enquanto lia uma revista,
o corpo semi-deitado no sofá, as pernas cruzadas,
roçando uma na outra de forma inconsciente e sensual.
Que absurdo!
Sabia que o escritório dela tinha uma casa de banho
completa privativa, provavelmente o outro estaria lá dentro...
Mas ela não lhe dá tempo para concluir qualquer raciocínio,
levanta-se, deita a revista para o chão e desaparece de cena,
isto é, de onde ele a consegue ver.
Regressa com uma peça de fruta e senta-se, olhando para a
suculenta maçã que tinha na mão.
Cheira-a antes de trincar.
Parece não estar com vontade de comer.
Ele apercebe-se do olhar, do sorriso malicioso,
do suspiro libertado.
O que lhe apetece realmente é saborear, pensa.
Algo mexe dentro dele.
O vermelho da fruta e o negro daqueles olhos
criam vertentes coloridas que lhe aguçam o apetite.
Era como que estar dentro de um filme
sem contudo fazer parte dele.
Sentiu-a a acariciar a maça, a textura lisa e suave,
olhos fechados, passando-a delicadamente pelo rosto,
mordendo os lábios ao de leve...
Quase que dava um salto quando ela seguidamente trinca
a maçã carnuda com paixão desmedida,
deixando escapar um pequeno gemido abafado,
a seiva a escorrer pela mão,
o sabor ácido a arrepiar-lhe a pele,
os mamilos agora claramente estampados no lingerie negro.
Seguidamente, ela fecha os olhos e com a língua lambe o sumo.
Enquanto saboreia o fruto...os olhos dela abrem-se, devagar,
e como fechos de uma poderosa luz....fixam-se nele !
Subitamente levanta-se, deixando cair a maçã no chão
e com um olhar penetrante dirige-se a ele,
agarra-o pela cintura e sussurra-lhe ao ouvido:
“apeteces-me...”
quinta-feira
FNAC
Aprecia arte gótica? Perguntou-lhe, apontando para o livro.
Isto? Não. Tem é umas fotografias espectaculares. Foi apenas um pretexto para me sentar um pouco. São estes sapatos novos que me dão cabo dos pés, disse, com um sorriso de parar o trânsito.
Naquele momento o Paul Auster foi dar uma curva, mais o seu Inventar a Solidão, com a secreta promessa de, mais tarde, comprar o livro.
Conheço um creme, produto natural, que resolve isso em segundos.
Palavra? Que nome tem esse creme?
Sou péssimo para decorar nomes de cremes, mas sei que é um frasco com um rótulo verde e azul com plantas. Logo que o veja, identifico-o.
Se o desejar, podemos ir à loja dos produtos naturais...
Faz isso por mim?
Claro que sim, porque não ? Não custa nada, até fica no caminho.
Levantaram-se e dirigiram-se para a saída. Naquele momento, pensou que não tinha comprado o livro que pretendia. Esperava que o creme compensasse a perda.
Achou por bem fazer as apresentações.
Disse-lhe o nome e ela o dela.
Desceram pelas escadas rolantes e pouco depois entraram na loja de produtos naturais.
Aqui tem. Mas olhe que a aplicação deve ser acompanhada por uma boa massagem, disse-lhe, enquanto soltava um sorriso.
Aposto que o sabe aplicar, respondeu, e ele achou que havia algo de malicioso naquele olhar.
Em boa verdade, considero-me um perito.
Ora, uma mentirinha sem importância !
Mas deve estar com pressa...e na verdade...não a posso ajudar...
E agora? Tenho o creme, mas continuo com as dores nos pés.
Olhou para o frasco e depois para ele.
Alguém podia explicar, como é que uma pessoa se deve comportar numa circunstância daquelas? O facto de lhe ter oferecido o creme, nem chegou a dez euros, não provava nada! Que ele soubesse, a FNAC não era um local habitual para o engate. O que é que um pobre diabo como ele podia dizer numa situação daquelas?
Achou, que só uma coisa: na minha ou na tua?
Lembrou-se que a mulher a dias não ia ao apartamento há mais de quinze dias, um filho doente, tinha dito. Não era difícil de adivinhar o estado em que se encontrava. Não, o apartamento, não era, de facto, o melhor local.
Por outro lado, um conhecimento de poucos minutos não oferecia suficiente confiança para se convidar um desconhecido lá casa.
Depois, ele não era assim tão sortudo, a coisa normalmente funcionava com muito mais dificuldade e trabalho e nem sempre era coroada de êxito.
Não que isso o chateasse sobremaneira, na verdade preferia que o lado romântico prevalece-se. Um jantar à luz de velas, um passeio ao entardecer, horas escorreitas a conversar sobre a importância das futilidades, um beijo fugidio, uma tímida carícia. Enfim, coisas do seu intimo.
Se lhe dói assim tanto, posso dar-lhe uma sugestão, disse, com toda a seriedade estampada no rosto.
Diga. Sou toda ouvidos.
Aplicar-lhe o creme aqui nos corredores, não seria o melhor espectáculo. Se concordar podemos ir ao parque de estacionamento, senta-se no meu carro e eu faço o tratamento. O que acha?
Ao ver o meu carro, vai logo descobrir que sou um teso, pensou. Vamos ver se continua a dar trela...
Aceito...Mas pode ser no meu carro? Eu tenho mesmo de ir embora.
Nada mais lhe restava senão aceitar. Seguiu-a até ao estacionamento.
Num dado momento, ela colocou-se dois passos à sua frente.
Saia branca, justa, pois claro. Nada de fio dental. Ergueu os olhos aos deuses, profundamente agradecido. Não gostava assim tanto de fio dental. Preferia a descoberta ao descoberto.
E depois aquilo não dava trabalho nenhum, não oferecia resistência, não deixava adivinhar nada, não permitia o desvio, o deslocar...
Brancas, num V perfeito, indiscutível, marca bem visível.
Não tinha nenhum fetiche com cuecas, mas era da opinião que essa era a cor que melhor se moldava ao corpo de uma mulher. Achava o vermelho horroroso e o preto muito sexy. Bem, também não era assim tão contra a tanga...
Aquelas...ancas...eram...perfeitas. Ondulantes. Oferecidas.
Mas será que aquela mulher não tinha defeitos?
Virou-se enquanto ela abria a porta do lado do pendura.
Olho o parque de estacionamento em volta. Vazio.
Então, não entra ?
Claro...ia ficando de boca aberta...que pernas...pois ! pernas ! ... e não só ! onde estava a saia ? Como é que ela tinha feito aquilo ?
Assim fico com frio...
Ah...não ficas não...pensou...e entrou...
segunda-feira
Aventura Francesa
Ele aguardava-a ansioso.
Será que vinha mesmo?
Ou teria sido apenas um encontro casual e picante, uma mera coincidência, dois lugares num avião, lado a lado,
duas pessoas, sozinhas...
Ela entrou.
Não ouviu nenhum barulho. Parecia que não havia ali ninguém.
O corredor que passava pela provável casa de banho tornara-se imenso e o silêncio algo assustador.
De repente, sentiu o cheiro dele.
Ela já conhecia aquele perfume que tomava conta do ambiente,
uma consequência de assentos próximos.
Sentiu o calor do seu corpo perto.
Ficou imóvel.
Sentiu a mãos dele nas costas, moviam-se, de cima para baixo, fazendo com que um arrepio lhe subisse pela espinha acima.
Beijou-lhe a nuca. Mordeu-lhe a orelha.
Depois pegou-lhe na mão e conduziu-a quarto adentro.
O cenário era mágico...velas, incenso, uma música suave...
tudo parecia perfeito.
Sentou-a numa enorme e confortável poltrona, ajoelhou-se e tirou-lhe os sapatos de salto alto. Tinha apenas uns boxes pretos vestidos.
Ela sabia o que aconteceria dali em diante, ela desejava ser dominada, ansiava por ser a sua prisioneira...
Ele começou a beijar-lhe as pernas, subindo pelas coxas, erguendo o elegante vestido que ela trazia, expondo a cuecinha fina.
Ela gemeu e esboçou um sorriso, sabia que ele ia perceber o quanto ela já estava excitada.
Com os dentes, ora de um lado, ora de outro, ele fez deslizar aquela peça de roupa íntima para o chão.
Colocou-a de pé, soltou as alças pelos ombros, capultando o vestido na mesma direcção e beijou os seus seios quentes, percorrendo caminhos com a boca, provando a erecção.
Ela sentia o prazer. Entregava-se a ele. Desfazia-se nele.
Mordiscou-lhe os mamilos, passou uma mão na parte interna das suas coxas e ela não aguentou, contorceu-se e caiu para trás, na poltrona, pedia que ele continuasse, que não parasse.
Na cabeceira, estupidamente gelada, estava uma taça de champanhe borbulhante.
Ele levantou olhar, sorriu, bebeu um golo e passou a língua pelos lábios em brasa.
Bebeu mais um pouco. Olhou-a.
Ela mostrou-lhe que já adivinhara, e queria.
Gemeu alto.
Sentiu a boca dele tocar-lhe ao de leve, a preparar o caminho para o delírio, saboreando toda a sua intimidade, todo o gosto dela.
Não ia demorar muito, pensou, a sua respiração estava ofegante, intensa...depois...depois seria a vez dele...ser dela...
mas agora...
agora queria gritar!
domingo
Vazio
Aquela noite prometia ser amena mas corria uma brisa fresca como sempre acontecia por ali naquela altura do ano, apetecia-lhe o mar e uma música leve num bar.
Pousou o telemóvel no balcão, sorrindo com o vibrar de um sms. Leu. Suspirou.
Tinha estado ali, com ela.
Lembrou-se de quando a viu pela primeira vez, do exacto momento em que lhe serviam uma bebida, ele fingindo que não via, de novo, o olhar tímido e breve, mas intenso, tal como já tinha observado ao almoço.
Tinha-lhe pedido o número.
Insensato.
Mas ela tinha-o dado.
Encontraram-se depois no local que seria tão dos dois que o saberiam de cor.
Num meio de conversas e sorrisos de cumplicidade, vieram os abraços e bocas coladas em beijos que formavam abrigos naturais aos desejos contidos.
As mãos e os dedos percorriam caminhos que paravam, voltando atrás e ganhando outros ritmos que se ouviam juntamente com o som do mar.
Depois partiam.
Já não se olhavam mas entendiam que se quereriam de novo, afastavam-se após um beijo longo, envolvido num confortável silêncio em que passeavam as memórias dos momentos recentes.
Hoje, resolvera ficar por ali, mais um pouco.
Procurava esquecer a percepção dos acontecimentos e entregar-se aos sons únicos naquela praia sem ninguém, sentir as ondas calmas embalando o nascer da lua cheia, preenchendo-lhe a alma e fazendo com que se sentasse na areia, tranquilamente, admirando, apenas…
Apercebeu-se de como era tarde mas não ia correr, nem achou importante fazê-lo, caminhou, pensando, em tudo, a preocupação dissipando-se no entardecer, nas cores, na magia do crepúsculo e o cheiro a delícias do mar.
Observava o mundo à sua volta e pensava nela longe dali mas sem dúvida dentro do seu pensamento, dentro do seu coração...
Tinha saudades... muitas, imensas, cresciam descontroladas...uma mistura doce e quente que o envolviam e causavam uma certa dor e faziam crescer nele uma ânsia absoluta de a ver, de estar com ela, novamente.
Recordou o seu abraço, o seu beijo, os seus mimos... estava tudo presente.
Olhou o relógio. Lembrou-se. Lembrou-se dela, deles, dos momentos, das imagens.
Queria estar com ela, é o que sentia, e era o que apenas queria.
Repousou os olhos sonhando para dentro, os dedos caídos na areia.
Sentia-se a adormecer, na memória retalhos de emoções; abriu os olhos e olhou para o caderno que gostava de trazer consigo, na folha branca; desenhos abstractos, palavras soltas e frases riscadas.
Meteu as mãos nos bolsos e...deu uma gargalhada.
Tinha encontrado nele um isqueiro e um cigarro, mole da humidade da noite.
Endireitou-o com os dedos, levantou-se e caminhou em direcção ao mar. Tornou a rir.
Bocadinhos da marota!
Mas as horas...essas...não passavam...
segunda-feira
O Sonho
Esta noite tive um sonho.
Mas que sonho...
Sonhei que estavamos num café numa noite bem quente.
De repente deu-me uma vontade louca de te ter.
Tu estavavas excitada,nem conseguias olhar para mim,
tão grande era o teu desejo.
Cada vez ficava com mais calor e eu fui ao balcão pedir uma bebida.
Pelo caminho sussurrei-te ao ouvido,
"Daqui a dez minutos vem ter comigo lá fora."
Peguei na minha bebida e saí.
Esperei que viesses ter comigo.
Quando chegaste, encostei-me a ti.
Disse-te ao ouvido, "Quero-te agora..."
Havia um canto escondido ali ao lado
e eu levei-te para lá.
Encostei-te à parede, colei o meu corpo ao teu
e comecei a beijar-te.
Primeiro pelo pescoço, depois o peito.
Fui descendo...
Desapertei-te a blusa com os dentes,
passei a lingua pelo teu corpo.
Mordisquei o teu mamilo...
Desci mais um pouco.
Tentaste fugir mas...não deixei.
A tua luta foi fraca...estavas excitada...louca de desejo.
Beijavas-me loucamente...pelo corpo todo.
A temperatura não parava de subir.
Cada vez com mais desejo...encostaste-me à parede,
enquanto beijavas o meu pescoço.
A minha respiração estava cada vez mais ofegante
e cada vez mais te desejava.
A loucura não parava.
Queria sentir-te...assim...ali mesmo...sem pudor.
Então...
No meio de tanta loucura, levanto-te a saia
e tu agarras o meu cinto
Puxas-me de encontro a ti, sentes como eu te quero...
Então, estás aí ? Onde te meteste ?
domingo
Depois de Duche

Depois do duche apeteceu-lhe dançar pelo quarto.
A toalha tinha ficado esquecida pelo chão da casa de banho.
A música era alegre e o seu corpo mexia-se...
Foi até à janela e continuou a dançar.
Sentia as gotas de água a escorrerem do cabelo,a beijarem as costas
e a acariciarem-lhe o rabo.
O fino cortinado envolveu-a e o toque do tecido suave
a colar-se ao corpo excitou-a.
Dançava assim,à janela,sem se preocupar com os olhares alheios.
Na verdade,pensar que alguém pudesse estar a observar,excitou-a ainda mais e ela fazia agora poses sensuais ao som das notas musicais.
Mas...naquela escuridão...não havia ninguém...isto é...quase ninguém...
Imaginou-o, ali, do outro lado, a olha-la enquanto desprendia o cabelo molhado das costas e o sacudia, pulverizando a pele com mil e uma gotinhas brilhantes.
Passou as mãos pelo corpo, passou as mãos dele pelas ancas, tocou na barriga, no umbigo, envolveu os seios...
Sentiu-se quente e molhada...
Por momentos, pensou estar a olhar lá para fora...e que uns olhos brilhantes olhavam na sua direcção mostrando o seu sorriso matreiro.
Retribuí o sorriso e lançou um beijo na sua direcção...
A música acabou.
Abriu os olhos.
Tinha-os semi-cerrados.
Sorriu.
Seria deste olhar, que ele tanto falava ?
Voltou-se e foi-se vestir.
Amanhã,pensou,amanhã...
terça-feira
Sem Palavras
O Outono estava perto.
Àquela hora, o ar vindo do mar tornara-se cortante e o seu abraço envolvente deixava pele de galinha em todos que encontrava.
Perto da lagoa, os primeiros tons amarelos e alaranjados começavam a cobrir as árvores que mais pareciam lugares esquecidos e despejados dos seus inquilinos veraneantes.
O sol despedia-se naquele mar calmo, espelho perfeito, com apenas pequeninas ondas a remexerem a superfície de cor quase negra.
Mais ninguém conseguia ouvir a melodia que pairava ali por perto, única e reservada, para eles os dois.
Escondidos por debaixo de um enorme chorão, aninhados bem juntos, uma manta grossa por cima dos ombros, ali permaneciam, quietos, silenciosos.
Tinham vindo para esquecer o mundo, os outros, eles mesmos.
Por debaixo daquele cobertor, um só calor unia-os.
Um silêncio tranquilo tinha-se instalado e nenhum dos dois achava necessário perturba-lo com conversa fiada, no havia razão para encher o ar de palavras.
Por vezes, palavras a mais estragam os momentos mais preciosos.
Ouviu-a suspirar.
Puxou-a de encontro a si. Apertou com força.
Queria que ela sentisse que o sonho era verdadeiro, que era possível.
Olhos de chocolate pensou, quando ela o olhou, a mesma curiosidade patente, a mesma paixão inquisidora, a mesma necessidade de o ouvir dizer que lhe ocupava os pensamentos dia após dia, preenchendo o vazio, noite atrás de noite.
Carinhosamente, agarrou-lhe a cara, deixando os lábios entre os dedos.
Beijou-a com paixão. Beijou-a com afecto.
Sabia que não havia nada que podia dizer. Nada. Nenhuma palavra, nenhum poema, podia explicar ou descrever o que sentia por ela naquele momento.
Esperava que um mero beijo doce fosse suficiente para demonstrar o porquê de ás vezes o melhor ser não dizer nada, até porque, ás vezes, fica se mesmo...sem palavras.
quarta-feira
Não acredito nisto!
Voltou-se.
Aninhou a bochecha esquerda na fofa almofada enquanto deslizava uma perna por fora e para cima do lençol branco.
Tentou ocupar os pensamentos com o som vindo da aparelhagem embutida na cabeceira, de onde You and Me emanava baixinho.
Sorriu. As palavras da canção pareciam lhe escritas de fresco.
Não adiantava.
O barulho de água a correr era mais forte fazendo com que ela se virasse para o outro lado, ficando a olhar a porta semiaberta, escutando a chuva tão familiar ao interior de uma casa de banho.
Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez
é a desilusão de um quase.
É o quase que a incomodava, que a entristecia, que a matava,
trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda,
quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.
Bastava pensar nas oportunidades que escapam pelos dedos,
nas que se perdem por medo.
Perguntava-se, às vezes, o que levava tantas pessoas
a escolherem uma vida morna...
A resposta, sabia de cor, estava estampada na distância e frieza dos
sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos
"Bom dia",quase que sussurrados.
Sobrava cobardia e falta coragem até para se ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses seriam bons motivos para decidirmos entre
a alegria e a dor, provavelmente até sentir nada, mas não eram.
Se a virtude estivesse mesmo no meio-termo, o mar não teria ondas,
os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma,
apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
O barulho da água cessou.
De repente, e como já era habitual, um calor subido e arrebatador apoderou-se dela. Porque lhe acontecia sempre aquilo?
Sim, hoje até que podia inventar uma desculpa, dizer que estava num quarto estranho, enrolada num lençol desconhecido que apenas escondia a tanguinha branca, e que ele estava já ali...ali...murmurando a canção que ela tão bem conhecia...
"Não, tretas!"
Esboçou mais um sorriso. Ele dizia-lhe isso...
Aquela sensação boa acontecia mesmo ao telefone.
Simplesmente...acontecia.
Engraçado...à quanto tempo não dava pelo
cheiro a espuma de barbear?
Era demasiado tarde.
Estava mesmo ali, deitada, estupidamente nervosa, à espera.
Para os erros há perdão;
para os fracassos, uma segunda oportunidade;
e para os amores impossíveis? Tempo.
De nada ia adiantar manter a cerca que aprisionava um coração magoado e carente ou enveredar por um plano sábio de como economizar nos sentimentos para poupar a alma.
“Não !” gritou para dentro de si, não ia deixar que a saudade
a sufocasse, que a rotina se acomodasse,
que o medo a impedisse de tentar.
“Desconfia do destino e acredite em ti !”
Susteve as lágrimas.
Lembrou-se de uma passagem que tinha lido, fazia tempo,
algures num livro,agora sem título e sem autor;
- Gasta mais horas a agir do que a sonhar, a fazer do que a planear,
a viver do que a esperar, porque; embora quem quase morreu, esteja vivo,
quem quase vive já morreu -
Sentiu a porta abrir.
O cheiro dele cobriu-a e quando olhou...encontro o seu olhar.
Era firme, penetrante, carinhoso.
Olhou-o, intensamente.
Deixou-se sentir.
Era bom.
Era como tinha sonhado.
“Agora...minha Princesa...”
Riu-se. “Não acredito nisto...”
quinta-feira
Forbidden
Alexander sat there, just watching her.
She moved so gracefully when she danced, when she sang, when she just walked.
She held him fascinated, his heart captivated by her beauty and her ravishing personality; the way she did things.
Alexander wasn’t just any normal man; he was an angel.
He sat on clouds, saw everything, could watch people and know their personality.
He could see their heart and their soul just by looking at them.
His gaze penetrated everything.
All he was supposed to be was a calm, cool angel who did whatever his master said. He held a high rank, and there were only a few conditions which he had to abide to stay there.
Unfortunately, he broke one of those rules before he had even known or could feel it; he fell in love with a human: Forbidden love.
Love, it seemed, was okay as long as it was with another of your kind.
In his case, it had to be an angel for it to be legit.
But instead, he fell for a human, a wonderful, beautiful human.
She had long, shining dark hair that reached the small of her back and even deeper darker eyes that mesmerized you.
“Alexander...” another male angel called to him.
He was too immersed in watching this girl and didn't hear him.
“Alexander!” The harsh shout made him jump, breaking him out of his daze.
“Yes, what is it?”
He repositioned himself on his cloud, brushing his two-toned hair from his eyes.
“Why are you not completely dressed?” the angel asked.
“Oh, umm, I was just changing...I, umm, I got distracted. Sorry. I’ll put a shirt on.” He grabbed the black sweater he had been wearing earlier and put it back over his head, careful not to catch and tug on his wings; when he did that it really hurt.
“Anyway, what is it that you needed?” he asked, sitting back down on the edge of his cloud, watching the other’s face.
“You are, of course, well aware of the rules of your status? The conditions?” the angel, whom he now recognized as Gabriel, asked him.
“Well, yes, of course. Why do you ask?”
“The master wishes to speak to you about some improper behaviour. He is most displeased at some of your actions”, Gabriel explained, his face conveying his emotions. He had wished not to do this, but the master’s orders were final and to be heeded without question.
“Yes, alright. I suppose I could go up and see him”, Alexander sighed, fearful of what was to happen to him if he were in there for what he thought he was in there for.
“And ...?” Gabriel turned to Alexander again just before he left his area.
“Yes?”
“Don’t admit that you fell in love with her. Just say you find her attractive… It won’t get you as much punishment...” Gabriel’s features twisted into a grimace of pain. Gabriel then turned back to the doorway, his long white cloak billowing behind him with the wind, his longer blonde hair whipping around his face. He closed his brown eyes in sadness, wishing nothing but the best for his friend.
Alexander nodded to Gabriel’s back before taking a deep breath, a terrible feeling twisting and burying itself into his stomach, knotting his insides.
He took a few steps forward and staggered backward. The fear he held for what could happen to him was heart wrenching. It gave him a stomach ache just to think about it.
Gabriel walked five paces ahead, leading Alexander to where he was to meet their master. He could hear every echo of their footsteps through the giant corridor. It gave him chills to imagine what his punishment could be. He tried taking deep breaths to calm himself, not paying attention to his surroundings.
He slammed right into Gabriel’s back, who had stopped abruptly at a large door. The room had a desk and a chair, but was plain otherwise.
The master sat in front of them, his hands folded and supporting his head as he leaned his elbows against the desk, sighing.
Alexander felt the long-forgotten feeling of fear gripping his insides, twisting his mind into a place of dark and evil imagination, images of torture flashing through his mind. He squeezed his eyes shut tight, not wanting to open them again, in case there was something terrifying beyond his line of vision that he had yet to see. He slowed his breathing, attempting to regulate it as he folded his hands in front of him, his arms limp.
“Gabriel, leave us.”
The master’s tone was commanding, and in no way friendly, merely business-like as if he weren’t about to ruin some angel’s life.
Gabriel bowed, nodded and took his leave, closing the door behind him with a soft click.
Alexander stepped forward into the lights that began to flicker on.
There were torches on the walls.
A bit of Hell in a perfect Heaven.
“You are most likely aware of why you are here, I am assuming.”
Alexander bowed his head, fearful of what he should say. “Yes, I think so.”
“Have you fallen in love with her?”
Alexander closed his eyes, still looking down. He mumbled a soft, ‘No’, before he bit his lower lip. His heart hammered deep in his chest, threatening to break out and leave his dead body behind before he faced the torture he was sure he would receive.
“So, you find her merely physically attractive?”
“I guess so.”
“Alexander. Look me in the eyes.”
Alexander looked up; terrified he might see fire in the master’s eyes.
He opened his eyes slowly and looked at the master. His gaze was steady and penetrating. Alexander stared him in the eye, unwavering; refusing to give in to inner fear.
If he really did love this girl, he wouldn’t get himself banished from heaven for her.
He was, after all, her guardian angel.
She talked to him at night and asked him if he could see her.
He tried to answer, he screamed, he clawed at his confines in the sky, but she could never hear him.
She said she loved him.
She wasn’t religious; she just knew she had an angel.
She was an artist and one day she had drawn a sketch of him before she made a portrait of it. It now hung in her large bedroom at the centre of the wall above her bed.
In her eyes, he was beautiful.
He was flawless, he was strong, and he was gentle.
He wished he could see himself in the same light, see the beauty in him that she seemed to pick up on.
Alexander sighed. “Just tell me, what is to be my punishment.”
“For lying to me? Your wings are to be removed.”
“I lied to you?”
“Numerous times, actually. And of course, you have committed one of the seven deadly sins.”
“Mmm. Lying? Not sure about that. Seven deadly sins? Yes, and I am proud of it!”
“Come, Alexander. We must ensure the proper punishment, and then you can go.”
Alexander stepped forward. “No !”
Two large angels, the master’s bodyguards he assumed, stepped into the room and pinned his arms behind his back, dragging him to another room over.
It was dark and it smelled of something Alexander could not quite place.
He was forced to his knees; his hands then shackled to the floor with chains that had been previously chained to the stone floor ages ago.
He grunted and screamed; fighting against the force that held him down.
A sudden force began tugging on his wings.
It was the master.
“What…are you…doing?” Alexander managed to choke out.
His back ached, his wings felt like they were being crushed by the heaviest object imaginable.
“You are to have your wings removed, as I said.”
“No! Please!” Alexander forced himself to yell. He struggled more, but the pain of his skin being torn caused him to stop. He whimpered, struggling futilely some more before he slumped, defeated, attempting to ignore the pain.
“Did you not fall in love with the human?”
“How could I not?”
“That doesn’t answer my question!”
The master pulled harder at his wings and he felt his skin becoming slowly and painfully detached from his body.
“Did you, or did you not, fall in love with the human?”
Alexander clenched his jaw, forcing himself not to answer, but the tedious tearing of wings from skin caused him to cry out in pain, lurching forward and ripping the skin off even further. He sat back up straight.
“Yes !”, he managed to force himself to growl.
“And I will fight anyone; refute anything that tries to hinder my love for her. I will withstand !” he paused momentarily as an involuntary ‘ugh’ sounded from deep within his chest as his wings were tugged on even harder to shut him up. “I will…” Alexander breathed, “…withstand anything that disproves of my love for her...”
“So...you would rather...DIE...than have her love or your love for her taken away from you? You would rather be forced to the earth to fend for yourself against the demons sent up there from Hell to take care of fallen angels, like you? ”
“Yes. If it meant I could be with her.”
“I will not send you to earth...but I can still grant one of your wishes.”
Alexander felt an enormous pull at his wings before something blunt connected to his head.
He never woke up, again.
quarta-feira
Amas-me ?
Estavam abraçados, bem juntos, e beijavam-se apaixonadamente.
Ele parou e chegou-se para trás ligeiramente, fez uma pausa e depois no silêncio cortado pelas respirações ofegantes, perguntou “ Amas-me ?”
“Claro que não, porque quereria eu isso ?” disse ela, tentando ser engraçada. Para ela, a resposta era obvia.
Ela tentou beija-lo novamente, mas ele não deixou.
Lembrou-se de como tinha cravado o nome dela naquele sobreiro, e de como se tinha sentido sozinho quando ela não fez o mesmo.
“ Amas-me ?” perguntou ele outra vez, com mais firmeza.
E desta vez, ele parou para olha-la nos olhos. Aí, ele encontrou todas as perguntas e respostas que ela escondia e tantas outras coisas que ela tinha medo de dizer. Ele viu como ela o amava e como isso a deixava triste e insegura porque sabia que a vida não tinha sentido sem ele. Ele viu como ela planeava cada gesto, cada palavra, para nunca o perder. Ele viu como ela sorria e chorava e depois mordia a língua, ligeiramente, a pedir um compasso de espera, para impedir as muitas perguntas que queria fazer e que o podiam magoar ou zangar. O que ela mais queria era abraça-lo e ama-lo e ser amada por ele, saber que ele era sua, dela para guardar para sempre, saber que ela era muita mais do que um corpo alguma vez pode oferecer, muito mais do que uma cobiça carnal.
Ele estava a perder-se na escuridão daqueles olhos grandes e brilhantantes.
Lembrou-se do papel amachucado, rasurado, com começos não terminados, com gritos silenciados pela vivência do dia-a-dia e do que os rodeava.
Engoliu em seco, abafou o desejo de fazer nova pergunta.
Basta ! disse, para si mesmo, basta de estilhaços. Acredita !
Então, passou os dedos pelo cabelo dela.
“Amo-te mais do que a própria vida” disse-lhe e beijou-lhe a testa enquanto limpava as lágrimas que devagarinho faziam o seu caminho para se aninharem no meio de seios macios e quentes, rosados pelo amor ainda à pouco partilhado de forma tão ardente.
Ele puxou-a para ele e abraçou-lhe com força, com toda a força que o seu ser lha permitia. Ele queria tanto dizer-lhe que estaria para sempre a seu lado, que ela poderia sempre contar com o seu amor, seu carinho, sua protecção.
Ele queria tanto...ser o seu “amor”.
A hora deles estava a acabar. Ele tinha medo. A vida tinha-lhe ensinado que o amor não era a resposta para tudo, por vezes nem a solução, e até, em certos casos, pouco fidedigno. Tinha fugido. Escondera-se. Mas agora...agora amava de novo. Era bom, amar de novo. Ela sofria com aquele amor. Agora, ele, compreendia.
Ela não lhe tinha respondido e ele...não ia perguntar-lhe...outra vez.
Não.
Limitara-se a amá-la...e esperar.
quinta-feira
Granted Time
“Close your eyes.”
His mind was fluid and warm against hers and his thoughts eased restless urges, drawing the tension from the aching muscles of her body as he gently caressed her.
“I will always be here for you. I will never leave you. Remember ?Remember ?”
Coming from him, she knew it was the truth.
It did sound familiar.
Yet...how did she know it?
He rested his finger against her lips to silence her confused and spinning thoughts and reached out to her with his energies drawing her whirling thoughts into the warm cocoon of his own gentle, flowing thoughts.
The frustration in her faded and she relaxed completely under his gentle presence.
Then ever so effortlessly, he drew her into his arms and rose, at least it seemed like it to her.
She wrapped her arms around his neck taking in the smell of his skin, almonds and musk, her eyes barely focussing.
“ I will take you to a calmer place...if you will let me...”
She nodded her head slightly against his shoulder, feeling quite drowsy and drugged by his presence and energy.
For a time, he flew with her in his arms, until they were no longer in her house, or her neighbourhood, but rather, at a place she could not name.
He set her gently upon her feet at the edge of a calm, glassy lake.
“This is the place of wandering souls.It is also the place of guardians.It is my place.”
“It’s...beautiful,” she murmured, her eyes taking everything in.
The lake stretched on, limitless it seemed, and the banks were golden with sun-warmed sand. A path wound through the tall cattails, leading out over an endless sloping plain, each stalk of the cattails blowing in a gentle breeze. Here and there, a shimmering figure composed of light and stardust walked the path.
She sunk down to her knees and touched the golden sand and tried to understand.
“I have brought you here so that we may be together...just you and me”
She looked at him, then, and for the first time saw him as he was.
His skin was familiar but a latticework of scars and old pains covered him. His hair too was familiar, and his eyes...she couldn’t look into them...she felt strangely afraid.
He let her look at him, her eyes touching every part of him, every inch of his body, and her mind searching for the answer to that presence of him.
After a while, she looked up cautiously, still afraid of what she might find in his eyes.
“Don’t be afraid,” he said, and his palm touched the side of her face and drew her eyes away from the scars on his body.
His face was lined and wise, but still somehow young, and his eyes were a vibrant darkness, intense, but also unguarded. She felt caught in his eyes, and she knew that for a moment, she was seeing him for everything he was, and everything he had been. He was baring his identity to her in those moments and she could hardly comprehend it, let alone understand why as he looked away, all she could do was look on.
“I know you,” she whispered, and she touched his shoulder, her fingertips gently pressing against the skin of his toned, torn body.
“Once,” he breathed, barely audible, “a long time ago...”
She tried miming his name, looking to his face again, transfixed by the harmony she saw there. Her hand moved of its own accord, cupping the side of his face and turning his penetrating eyes back to her own curious eyes.
“I said I would never leave you...” he told her.
“I remember,” she said, wrapping her arms about his waist and laying her head against the curve of his shoulder. His heartbeat was strong and even.
“I loved you. I lied to you. There was no other way. I loved you since the first time. You know there was no other way. I didn’t think you’d go. And then I never thought that...that you...you wouldn’t make it back...”
He brought her lips to meet his own and her nimble fingers pressed against his bare torso and slid below the hem of his kaki pants as he lowered her back into the tall cattails.
They came together as one.
He was gentle, tender, but passionate and protective.
She felt him to be free.
He cradled her slight body in his arms and made love to her.
Afterwards, she snuggled against his side and they lay beneath the azure sky for a time unknown.
“We cannot stay here...you know that...” he spoke softly, his lips barely moving as he breathed in the scent of her body and the rich earth beneath them.
”This is all the time He’ll grant me. I never stopped asking Him. I’ve wanted you so much...”
“I know...” she whispered, but did not open her eyes as she spoke.
She would lie in his arms and be with him until it came time to leave that lost place, that place of wandering souls, that place of granted time.
This time...yes, this time, the world would have to wait.
terça-feira
Magiamor
A décima primeira badalada abriu-lhe os olhos.
Sacanas ! Não podiam ter esperado até que saísse do escritório ?
Permanecia deitado.
Imóvel.
Agora, só imagens dela percorriam-lhe o pensamento.
Era o fim.
Era mesmo o fim.
Não escaparia àquela bala bem alojada no seu lado esquerdo.
Começava a respirar com dificuldade.
Já não faltava muito.
Esboçou um sorriso ao lembrar-se da manhã, ao lembrar-se dela.
“Tenho estado a pensar.”
“Sobre o quê ?” perguntou-lhe.
“Bem...sobre tantas coisas que temos falado...tu sabes...a vida...aquilo do amor... e tudo mais. Achas que nós também temos hipótese...de um dia...o encontrarmos...de ser felizes ?”
Na verdade ele não sabia como responder-lhe. Não tinha a resposta.
Se calhar tinha medo da resposta.
Sendo o romântico que era, preferiu puxa-la para ele e envolve-la num forte abraço, encostando os lábios à sua testa.
“Olha, no que me diz respeito...não sei, mas, tu és uma mulher muito especial. Um tipo teria de ser muito estúpido para não se apaixonar por ti...”
“Ummm... pois...e tu és o amigo mais especial... que alguém, alguma vez, podia desejar ter...”
E com um enorme sorriso, ela, tinha lhe devolvido o abraço.
Já não conseguia rir.
A dor tornara-se insuportável.
O tempo fugia-lhe.
O raciocínio desagregava-se em nuvens cada vez mais densas mas estranhamente leves.
“Mereceu a pena...o tempo que me dedicaste ? Mesmo que eu seja...o tipo mais estúpido que há ? Mesmo que eu não te tenha dito...como sempre foste especial ?”
O retrato em cima da secretária...olhava-o. A sala sustinha a respiração.
Acabara-se o tempo.
Ísis, testemunha petrificada, relegada para uma prateleira de artefactos e mármores de figuras imortais, na casa dela, podia ter lhe contado;
como ao último sopro, os olhos dele iluminaram-se, espelhos de plena alegria, ao escutarem palavras trazidas por uma aragem familiar;
“Sim...mereceu...porque foste tu que me fizeste feliz.”
Mas, Ísis também sabia que não era preciso contar.
Por vezes acontecia - magia.
quinta-feira
Unforgiven
"Hello?...hello...??"
"Hi...it's me."
"My God...I can't...I can’t believe...you're calling."
"It's so good to hear your voice. Can I see you? I... need to see you..."
"I...I can't...I can’t believe...you're calling."
"Why?"
"I'm getting married on Sunday...I...I…won't tell you where."
"What? This Sunday? You serious? You don’t mean it! “
"Yes...I do. I am getting married on Sunday."
"Don't.Don't.Don't do it!!"
"Come on...please...stop it..."
"Don't! Do you love him? Tell me you love him!"
"My mother is driving me crazy to get married and ..."
"Do you love him?"
"...all my friends are married and..."
"Do you love him?"
"...he's going to give me everything..."
"Do you love him?"
"...I have to go..."
"Where? Don't do it. Where? Where are you getting married?"
"I’m sorry...but...I'm not telling you."
"Please...don't do it...don't marry him...don't do it !I beg you!I love you!!"
"I...have to go...I have to...my..."
"What about..."
And, she hung up the phone.
The next time he saw her, she and her husband were walking into the shopping mall. He was sitting on a bench and she walked right past him. Their eyes met, hers out of the corners, as she drifted by wordlessly, in slow motion, the wind blowing a familiar scent out of her dark hair.
Another time, he was on the same bench and the same man passed him with a little boy wearing a cute leather motorcycle jacket, holding a string attached to a green frog balloon. He knew in his gut that it was her child. He knew that she had had a little boy. The man’s eyes met his for an instance then quickly backed down. He could feel that man knew...about the little boy.
What had become of...her ? He´d never seen her again. But he swore, he would.
Then, one day, he saw her.
She was getting out of a big black classy car. He called her name...and...she came to him.
Words flooded the air drowning him.
She told him about her new little girl...and how happy she was, how happy she’d always been.
They spoke. He watched her lips move, he watched her eyes move, he felt his mouth forming words. He couldn't tell for sure if he was standing on solid ground or drifting in a mere but all too real dream, so he shifted his feet...hoping to grasp the moment, trying ever so hard to stand his ground, eager to show no self pity.
But it no longer mattered because there she was right in front of him.
That woman, his women.
The other man’s wife.
The little boy’s mom.
Still, there she was.
Talking to him.
Finally.
He couldn’t help but smile.
“What’s so funny ?"
“How can one so lovely, can be so…”
“What do you mean ?”
“When are you going to stop lying ?”
“I don’t understand...you’re being nasty...why ? Aren’t I talking to you ? Did you think you were ever important to me ? I promised you nothing ! Isn’t this enough, that I go out of my way and speak with you ? Aren’t you ever satisfied ??”
It all ended there and then.
She hit the pavement with a numb thud turning the grey into red.
He slid the sharp blade into an inner jacket pocket.
“Yes dear...now I am...quite satisfied.”
Desejo Inesperado
Lúcia pensava no seu futuro. Não se sentia bem a viver numa cidade pequena do interior, relacionando-se com pessoas medíocres, que preferiam a futilidade da sociedade local à cultura e às artes em geral. Apesar de ter dois empregos, sentia que precisava de alcançar novos voos embora não conseguisse descortinar o caminho a seguir.
O relógio de ponto marcava 08h29 e justificava a pressa dela para a reunião marcada com dois consultores de uma firma da capital.
Ela já os conhecia: Gustavo, com quem tivera um ligeiro affair e Alex, que tinha visto muito pouco e que não lhe despertara qualquer interesse.
A reunião correu tranquilamente e ela teve oportunidade para conversar um pouco mais com o Alex.
Era um pouco tímido, mas começava a intrigá-la pois demonstrava inteligência e um excelente nível cultural, e conseguia isto, sem ser chato.
Nas conversas que se seguiram, a sós, em ocasiões seguintes, ele como que a enfeitiçava. Passava de comentários sobre a pintura impressionista a críticas sobre o urbanismo com a mesma facilidade que opinava sobre problemas da actual administração da empresa. Essa característica de Alex exercia especial fascinação sobre a Lúcia.
Homens como Gustavo despertavam-lhe aquele desejo comum às mulheres, em relação a homens mais fortes, mas reforçavam a posição secundária da mulher.
Com Alex, no entanto, ela sentia uma espécie de masculinidade subtil, ele não a despia com os olhos, mas olhava-lhe directamente, como que a pesquisar o seu ser interior, aquele que ela tanto escondia. Despia-a, de dentro para fora.
Lúcia sentia-se estranha apesar daquele homem, aparentemente, não forçar uma atitude de intimidade. Ele não dava pistas de estar interessado em qualquer contacto e isso desnorteava-a... apesar de a excitar cada vez mais.
De uma forma meio inconsciente, começou a imaginar uma forma de conquistá-lo, sem que parecesse uma mulher fácil ou vulgar. Teria de parecer algo inesperado, sem nenhum propósito prévio.
A oportunidade surgiu pouco tempo depois numa festa promovida pela empresa.
A propriedade era extensa. Haveria por lá, muita gente e era bem provável que pudessem passar despercebidos.
No dia da festa, a pretexto de tirar algumas dúvidas sobre o trabalho, Lúcia tratou logo de convencer Alex a dar um passeio pela extensa herdade. Quando já estavam bastante afastados e quando ambos falavam de uma forma mais descontraída, mais próximos, ela sentiu o seu corpo a exigir que algo acontecesse. Cada olhar cruzado, cada toque despretensioso, ateava-lhe mais fogo nas entranhas, deixando-a tonta.
Ao descer ao riacho que corria ruidosamente junto a uma ravina prisioneira de canas verdes e altas, quase perdeu o equilíbrio fazendo com que ele a segurasse, envolvendo-a nos seus braços. Naquela posição, tão perto dele, sentindo a sua respiração, sentindo-se respeitada e protegida como há muito não sentia, não consegui evitar as lágrimas.
Ele nada dizia, apenas apertava-a cada vez mais enquanto passava a mão pelos seus cabelos. Quando recostou a cabeça no seu ombro, Lúcia manteve o rosto bem próximo do dele, absorvendo o seu cheiro, o seu hálito quente. Tanto desejo era insuportável. Mexeu o corpo levemente, como que procurando uma melhor posição para ajustar-se ao corpo de dele. Mexeu-se outra vez. E outra.
Os movimentos assemelhavam-se à de uma dança ensaiada e bem sensual, ritmada por uma música sensual que se ouvia longe e fraca.
Quando ele espalmou as mãos em torno do seu rosto e olhou-a de forma tão cúmplice e protectora, tão seguro de si e tão disponível, o choro deu lugar a um sorriso maroto desajeitado. Finalmente ela compreendeu o que era sentir-se dependente de alguém, se calhar até necessitada de alguém.
Alex beijou – a.
Mas não foi na boca, foi nos lábios... não, nem sequer fora um beijo, mas sim uma espécie de massagem, toques quentes e macios que eram completados pelo calor exalado da boca dele, provocando um peso tranquilo nos olhos fechados e o entreabrir dos seus lábios. Ela deixou aquela emoção gostosa invadir-lhe a alma, derreter-lhe o bom senso, o domínio, e depressa deu conta de uma humidade quente que a denunciava e a entregava aquele homem.
Afinal, quem era? Sem dizer muitas palavras tinha-lhe roubado toda a razão, com movimentos leves mas precisos, com o corpo em câmara lenta, fazia-a sentir toda a rigidez protegida pela roupa, mas que no entanto, de forma indescritível parecia estar a fazer amor com ela...
Lúcia deixou-se ir.
Na sua real imaginação, ele já deslizava dentro dela.
Momentos depois, atingiu um orgasmo jamais conhecido sem saber diferenciar aquela penetração imaginária da língua que, finalmente, e ainda só, começava a preencher-lhe a boca...
segunda-feira
Falling in Love with an Angel
She ran as fast as she could to get away, to get away from everything.
Turning the corner she jumped over the fence and through the field and past the tall oak trees. Looking around, she turned to the left and pushed a bush out of the way and walked through. There was a small clearing. A small stream lay in the centre, grass and trees surrounding the area.
Sighing, she sat down next to the stream and looked into it. Then, she threw a stone at the reflection and flopped onto the grass.
“Penny for your thoughts ?”, a voice, said from behind.
She jumped up, turned around and leaned on her hands. There he stood.
A black sweater, denim jeans and hands stuffed into his pockets. She smiled and tried hard not to blush. The sun shone on him at just the right angle making it seem as if he had just come from heaven.
“Sure.” She didn’t want anything and she didn’t exactly want to share it with him either. “How…do you… know about this place? It’s so well hidden.”
He chuckled. “Actually, I come here every so often to clear my mind. It’s a beautiful place.”
She sighed and fell back on the grass, the corner of her eye watching him walk over to sit down next to her.
She knew he was waiting for her to start talking. She couldn’t.
She paused to look at herself in the stream and splashed some water upon her face.
It felt so cool and refreshing.
Looking over at him, she could see he was looking hard at the stream, as if concentrating on the tiny rapids that spun around the water tossing leaves aside allowing nothing to be safe. She saw him sigh and shake his head breaking away from his concentration to look up at her.
“Why didn’t you tell anyone?” he asked, searching her eyes as if he would find the answers inside.
She turned away and looked back at the stream pulling her knees to the chin and resting her arms so as to rest on them and sighed again. “I was too scared. Scared of what he would do to me.”
She shut her eyes tight and felt him move closer. He was now right beside. She could hear him breathing, feel it on her neck. She shivered and tried to inch away from him. But then, she opened her eyes and looked at him. Looking right into his eyes, she could almost read his mind, his soul. She turned away again.
Then his hand pushed a sleeve up. She flinched away.
“Hey...don’t worry. I just want to see something.”
She let him continue to gently push it up to reveal a big bruise.
He let his fingers trail long it and she shut her eyes again.
“Why would someone do this kind of thing to anyone?” he said, almost in a whisper.
“I always thought it was kind of my fault that he did this to me.”
Loosing sense of control, she had started to blush bright red. It could almost match the red t-shirt she was wearing.
There was a long pause as they continued to look at each other. Then, slowly he leaned down to kiss her. She took in everything about him, his smell…his touch. Butterflies erupted. Calming herself, she then slowly pulled away and looked at him. Her lips tingled from where his once had been.
“I’ve wanted to do that for so long”, he said.
“Me to.”
He gave her a small smile and a quick kiss before standing up and brushing himself off.
She remained sitting because she knew her legs wouldn’t work just yet.
He stuffed his hands back in his pockets and withdrew a penny and tossed it to her.
She caught it and looked at it before looking back at him.
“I’ll see you soon !”, he said and with that he left.
She waited for a few minutes until she knew he was completely gone.
He kissed me! He kissed me! she squealed to herself.
Then, she opened her hand to reveal the penny he had tossed her.
She giggled to herself gently and placed it in her pocket.
This is one penny that’s never paying for anything.
quinta-feira
A Miúda do Autocarro
Quando ali chegou, por volta das sete e meia da tarde, o calor era sufocante.
O ar pairava no céu, imóvel. O vento, visitante provocador, trazia os aromas agridoces de vinhas à beira-mar.
Que belo dia para voltar às paragens de autocarro após décadas de cómoda ausência !
Afinal o indicador de temperatura sempre servia para algo, pena era ele não lhe ter dado a devida importância.
Uma coisa era certa, não iria ficar naquela fila medonha, a derreter.
Sem perder tempo, atravessou o pequeno jardim que se encontrava atrás e ocupou o banco de madeira, ou o que restava dele, debaixo de uma enorme palmeira.
Não demorou muito – até que reparou em quem se aproximava.
Teria sido impossível não reparar.
Era esbelta, mas não no sentido esquelético, como em tantas miúdas reféns de imagens propagadas por deusas de mundos elitistas, o cabelo era negro, quase liso, o vestuário simples, justo, elegante, usava óculos de sol castanhos, grandes, que lhe escondiam os olhos.
Acabou por ser o último a entrar no autocarro.
Podia ter permanecido em pé mas a curiosidade convidou-o a sentar-se – em frente a ela, naquele que alguns chamam de assente do enjoo. É claro que tentou fazer de contas que não olhava e é claro que ela percebeu e daí o sorriso contido mas divertido que os cantos da boca dela denunciavam.
Trazia consigo a sua pasta.
Acontece uma travagem brusca.
De repente, ela estava a ajudá-lo a reunir os papéis espalhados no chão.
“ Tome ... esse fecho não deve estar grande coisa...” disse-lhe, no meio de uma gargalhada.
“ É...parece que tem razão...olhe...fazemos uma troca...os meus papeis pelos seus óculos” Não que lhe façam falta...tem uns olhos, pensou.
“Está bem...espere...” Devolveu-lhe toda a papelada, excepto uma folha.
“Escreve ?”
“Só coisas sem importância...para passar o tempo...não quer os seus óculos ?”
“ummm...não sei...Não...fazemos a troca amanhã...”
“Não sei se dá...amanhã já devo ter o meu carro...não costumo apanhar...”
“Eu sei...um cinzento...deixa-o no lugar dos CTT quando vai tomar o café de manhã...”
E com isto levantou-se, tocou a campainha e dirigiu-se à saída. Ele estava estupefacto.
“Como é que ...” Mas ela já tinha saído. Sentou-se. Que diabo !
Sete e vinte. Os olhos dele percorriam a avenida. Era possível ? Viria ? E era bom que viesse ? Aquela miúda...aquela mulher...? Pertencia a outro mundo, a outra realidade que não a dele. Contudo, falou-lhe com tanta intensidade, à vontade , como se, secretamente, tivesse aguardado por aquele encontrou.
Estaria ele a sonhar ? O “amanhã” era agora...
Não.
Apertou com mais força os óculos que segurava. Olhou-os. Numa das hastes havia uma inscrição, ou melhor, o inicio de uma palavra, de um nome...“An ”.
Eram um bocadinho dela. Ela existia.
O ar pairava no céu, imóvel. O vento, visitante provocador, trazia os aromas agridoces de vinhas à beira-mar.
Que belo dia para voltar às paragens de autocarro após décadas de cómoda ausência !
Afinal o indicador de temperatura sempre servia para algo, pena era ele não lhe ter dado a devida importância.
Uma coisa era certa, não iria ficar naquela fila medonha, a derreter.
Sem perder tempo, atravessou o pequeno jardim que se encontrava atrás e ocupou o banco de madeira, ou o que restava dele, debaixo de uma enorme palmeira.
Não demorou muito – até que reparou em quem se aproximava.
Teria sido impossível não reparar.
Era esbelta, mas não no sentido esquelético, como em tantas miúdas reféns de imagens propagadas por deusas de mundos elitistas, o cabelo era negro, quase liso, o vestuário simples, justo, elegante, usava óculos de sol castanhos, grandes, que lhe escondiam os olhos.
Acabou por ser o último a entrar no autocarro.
Podia ter permanecido em pé mas a curiosidade convidou-o a sentar-se – em frente a ela, naquele que alguns chamam de assente do enjoo. É claro que tentou fazer de contas que não olhava e é claro que ela percebeu e daí o sorriso contido mas divertido que os cantos da boca dela denunciavam.
Trazia consigo a sua pasta.
Acontece uma travagem brusca.
De repente, ela estava a ajudá-lo a reunir os papéis espalhados no chão.
“ Tome ... esse fecho não deve estar grande coisa...” disse-lhe, no meio de uma gargalhada.
“ É...parece que tem razão...olhe...fazemos uma troca...os meus papeis pelos seus óculos” Não que lhe façam falta...tem uns olhos, pensou.
“Está bem...espere...” Devolveu-lhe toda a papelada, excepto uma folha.
“Escreve ?”
“Só coisas sem importância...para passar o tempo...não quer os seus óculos ?”
“ummm...não sei...Não...fazemos a troca amanhã...”
“Não sei se dá...amanhã já devo ter o meu carro...não costumo apanhar...”
“Eu sei...um cinzento...deixa-o no lugar dos CTT quando vai tomar o café de manhã...”
E com isto levantou-se, tocou a campainha e dirigiu-se à saída. Ele estava estupefacto.
“Como é que ...” Mas ela já tinha saído. Sentou-se. Que diabo !
Sete e vinte. Os olhos dele percorriam a avenida. Era possível ? Viria ? E era bom que viesse ? Aquela miúda...aquela mulher...? Pertencia a outro mundo, a outra realidade que não a dele. Contudo, falou-lhe com tanta intensidade, à vontade , como se, secretamente, tivesse aguardado por aquele encontrou.
Estaria ele a sonhar ? O “amanhã” era agora...
Não.
Apertou com mais força os óculos que segurava. Olhou-os. Numa das hastes havia uma inscrição, ou melhor, o inicio de uma palavra, de um nome...“An ”.
Eram um bocadinho dela. Ela existia.
terça-feira
Restaurante
Ele não esperou pelo elevador. Agarrou nas chaves e correu escadas abaixo. O tempo era escasso mas ele queria que aquilo parecesse especial. Estacionou de modo a deitar um olhar para lá e viu que ela ainda não tinha chegado. Ainda bem, pensou. Espero que tenham conseguido arranjar uma jarra.
Estava com o nervoso miudinho. Sorriu. Lembrava-lhe os exames orais em tempos de escola. Não é nada mais do que um simples almoço, disse para si mesmo, vá miúda, aguenta-te, já não és nenhuma criança !
Ela entrou - fazendo ar de confiante. Sim, lá estava ele, na mesa do canto, como combinado. Porra ! Como é que ele chegou tão depressa ?
“Olá”
“Olá....chegaste depressa...”
“Pois...é...é que eu estava perto...mas...olha, por favor, senta-te...”
“Obrigada...sabes...não tenho muito tempo...”
Foi então que ela notou...porque será que as outras mesas não tem jarras com flores ?Não consegui evitar. As suas faces traíram-na.
Ele sorri-lhe. Como é bela.”Esta é para ti” e entrega-lhe uma das rosas,”guarda na tua carteira...uma lembrança de hoje”.
Homens ! “Obrigada”. Espero que não manche nada...
Pediram o almoço, comeram, uma ritual do dia-a-dia, sem grande alarido. Até porque podia ter sido num outro sitio qualquer. Ele e ela, trocando sorrisos, de vez em quando, atrapalhando-se nas palavras de um e outro, por vezes evitando o cruzar de olhares, sustendo a respiração quando ele sugere que ela solte o cabelo...minutos preciosos que rapidamente lhes fugiam.
“Tenho que ir...”
“Já ? Podemos encontramo-nos outra vez ?...quer dizer...se tu achares bem...quer dizer...não tem que ser já amanhã...”
Ela devolve-lhe a rosa. O coração dele comprime-se e ameaça gritar.
“Toma...”
“Compreendo...desculpa...esquece...eu não quis...”
Ela interrompe. “ Quero mais onze iguais a esta ... logo à noite, digamos ... por volta das 8h30 ?, depois mando-te um sms ...”
E com isto vira-lhe as costas a dirige-se à saída levando com ela aquele olhar de rapazinho babado.
Não estou enganada. Aqueles olhos não mentem. Estás tramada !
Estava com o nervoso miudinho. Sorriu. Lembrava-lhe os exames orais em tempos de escola. Não é nada mais do que um simples almoço, disse para si mesmo, vá miúda, aguenta-te, já não és nenhuma criança !
Ela entrou - fazendo ar de confiante. Sim, lá estava ele, na mesa do canto, como combinado. Porra ! Como é que ele chegou tão depressa ?
“Olá”
“Olá....chegaste depressa...”
“Pois...é...é que eu estava perto...mas...olha, por favor, senta-te...”
“Obrigada...sabes...não tenho muito tempo...”
Foi então que ela notou...porque será que as outras mesas não tem jarras com flores ?Não consegui evitar. As suas faces traíram-na.
Ele sorri-lhe. Como é bela.”Esta é para ti” e entrega-lhe uma das rosas,”guarda na tua carteira...uma lembrança de hoje”.
Homens ! “Obrigada”. Espero que não manche nada...
Pediram o almoço, comeram, uma ritual do dia-a-dia, sem grande alarido. Até porque podia ter sido num outro sitio qualquer. Ele e ela, trocando sorrisos, de vez em quando, atrapalhando-se nas palavras de um e outro, por vezes evitando o cruzar de olhares, sustendo a respiração quando ele sugere que ela solte o cabelo...minutos preciosos que rapidamente lhes fugiam.
“Tenho que ir...”
“Já ? Podemos encontramo-nos outra vez ?...quer dizer...se tu achares bem...quer dizer...não tem que ser já amanhã...”
Ela devolve-lhe a rosa. O coração dele comprime-se e ameaça gritar.
“Toma...”
“Compreendo...desculpa...esquece...eu não quis...”
Ela interrompe. “ Quero mais onze iguais a esta ... logo à noite, digamos ... por volta das 8h30 ?, depois mando-te um sms ...”
E com isto vira-lhe as costas a dirige-se à saída levando com ela aquele olhar de rapazinho babado.
Não estou enganada. Aqueles olhos não mentem. Estás tramada !
quarta-feira
Driving...
I can just imagine us driving…
I don’t know where and I don’t really know why,
but I would have my arm out the window,
testing the aerodynamic possibilities of my fingers
and you would drum yours on your knee,
tapping to the rhythms as you sang along.
There would be fields and empty spaces all around
and sunlight above us,
spotlighting and reflecting off the car,
as we sped along the lonely never ending road.
I don’t know how, but I'm sure this is the way it would be...
I don’t imagine we would speak much,
maybe my right hand would find yours,
if it happened to leave the steering wheel.
Maybe your left hand would embrace my neck,
a smile letting me in,
giving away your momentarily thoughts.
Maybe I'd caress your soft leg
and cause you to bite your lower lip
leaving you wet and playful
Maybe not...
Maybe we would just exist,
together and separately.
I would be content just to look at you,
as you watched me drive,
your eyes reflecting the sun and the flecks of green, brown and blue in them
singing along to the same songs.
I wouldn’t want to stop.
I'd just want to keep driving because life between our destinations
is reduced to simple elements :
you,
me,
the road,
the sun,
our hands,
the car,
the fields,
the wind coming through the window,
my hair in my face,
your long beautiful hair all over the place!
Reach Point B...and life becomes complicated again,
complexities hit once more,
with all the force of a blow to the head.
I know,
only half-jokingly,
that I would tell you how I am not ready to carry that load again,
how you are all I really need
and how you need me too.
But maybe I would leave that second part out,
I know that those are the sort of things,
that you really don’t want to hear from me.
We could just drive and drive,
and switch places if you want,
if I got tired,
or you could sleep against the window while I sped along,
risking a glance at the clear blue sky, once in awhile,
to look at the contrails left there by passing aeroplanes.
And slowly,
imperceptibly,
almost,
the sky would turn orange, as dusk comes,
and we would pull over and sit up on the hood,
which would be warm and ticking from the sunlight and the engine,
and you,
you would pull me next to you,
we could rest for a bit and exchange a hug
and it would be just about stopping, you'd say,
but you wouldn't forget
and the thought would linger in your head.
As the stars appear,
as the car and the air got cooler,
as the crickets burst to life around us,
I would know that our destination was near.
And you would drive and ask if I want to sleep,
but of course,
I would stay awake,
of course,
I would savour every moment,
memorize every detail of us,
separate from the world...and together.
And,
I would reach out,
into the cool night air and spread my fingers,
let the wind pull them up and down,
up and down,
up and down,
awaiting the moment that you'd want me so badly,
awaiting to feel you under me,
awaiting,
for you to turn off the highway...
domingo
Encontro de uma Vida
Susana deitou mais um olhar ao espelho, mais uma vez, tentando imaginar se o que ele veria era a mulher na qual ela se transformara. A saia branca combinava perfeitamente com a blusa vermelha e as suas sandálias de salto alto preferidas, estava elegante, sexy e chique. Ela respirou fundo e seguiu para o café onde haviam combinado encontrar-se.
À medida que o tempo passava, ela sentia uma ânsia crescente. Teria feito bem em ir àquele encontro? E se encontrasse algum amigo? O que faria? Estaria ela a fazer a coisa certa ao ceder a um impulso?
Os pensamentos faziam-na ficar ainda mais nervosa. Havia anos que ela não via aquele homem e ela achou engraçado que mesmo tantos anos depois, ele ainda quisesse vê-la. Sorriu. Ele nem sabia se ela estava gorda ou desmazelada, se tinha celulite ou que marcas do tempo haviam ficado. Quase dava para sentir-se diva, maravilhosa... mas, ainda assim, dúvidas atacavam-na. Ela tremia.
Entrou, sentou-se ao canto da sala e decidiu pedir um sumo. O estômago estava revirado de emoção. Ela sabia que, para ele, seria apenas... ela seria mais um... um encontro esporádico.
No entanto, anos depois, os mesmos sentimentos voltavam, sentimentos para os quais ela não tinha nenhuma explicação.
Ela temia e ansiava o momento. Coisa de adolescente! Que mulher idiota!
O medo tomava conta do tempo e ela pensava como estava a ser absurdo, ter ido àquele encontro. Arriscava um mundo seguro, se bem que não era tão perfeito, mas ainda assim, o único porto seguro que conhecera na vida, por um momento fúlgido, por uma fuga momentânea do quotidiano chato que tinha e das críticas...e de tantas outras coisas. Apenas queria ter um curto momento de prazer, de olhar nos olhos dele e sentir a paixão de sempre, sentir a loucura invadi-la.
Ela olhou para o relógio mais uma vez. Ah! Ele não vem. Porque viria? Que coisa mais louca! Como pode alguém desejar alguém que não vê há anos? Ela queria fugir. Sentia-se covarde.
Fugira do beijo roubado... sim, uma vez....
Sim, iria pagar o sumo e desaparecer dali!
No entanto, o desejo de o ver era mais forte e ela optou por ficar... apenas mais um pouco...
Por fim, ele chegou.”Boa noite ... Suzy”
Ela ficou parada, sem saber o que fazer. Só ele a chamava assim.
Sorriu e disse, “ Olá...” nervosamente, como se um fio de voz escorresse da garganta. Convidou-o a sentar-se. Ele sorri-lhe com aquele seu jeito...tão malandro.
“ Desta vez, vou mesmo beijar-te.”
Ela encarou-o, tentando parecer chocada, surpreendida...
“ Aqui não!”
“ Estás linda!”
Ela baixou os olhos. Ele também não estava nada mal...
“O-o-o-brigada...” gaguejou.
O sumo acabou e ele pediu a conta.
“ Vamos mesmo fazer isto...não vamos...tens a certeza?”
“Tenho...já falamos sobre isto...”
Partiram em carros separados. Seria melhor assim. Seguiram para a casa dele. Ninguém podia saber. Ninguém.
Ela tinha medo do que estava prestes a fazer, mas tinham sido tantos anos, tantos sonhos...
Ele fechou a porta e beijou-a, as mãos dele escorregando pela saia abaixo, erguendo-a contra ele e ela nada pode senão beija-lo com o mesmo desejo, arrancando a camisa dele, cobrindo cada milímetro do corpo dele. A saudade emanava do seu corpo, da sua boca, da sua língua... A vontade de se entregar novamente e de novo, apenas por um momento, desta vez, eles iam pertencer um ao outro. Ela podia sentir o volume nas calças dele e sentia-se excitada e nervosa enquanto ele lhe tirava a saia, enquanto a beijava e passava a mão nos seios por baixo da blusa entreaberta.
Nada importava naquele instante a não ser a entrega voluptuosa de dois amantes. Ela abriu o fecho da calça dele e tocou-lhe, desejando-o dentro dela.
“ Sou toda tua! Mostra-me como me amas, quero levar esta noite comigo...para sempre. “
O sofá, azul e aveludado, matou a sede do corpo dela, dos beijos, dos olhos, dos murmúrios e ela apenas...apenas se entregava a ele numa paixão fiel, com o coração em chamas.
Ninguém jamais, além dele, fizera com que ela sentisse tanto...e tanta vontade. Não importava o gozo... importava a entrega e o brilho nos olhos dele. Ela sabia que havia algo muito mais profundo, muito mais forte que do que apenas desejo, ou, queria acreditar que era assim.
Ele devorava-a e ela sentia-se voar, num mundo de flores coloridas, num mundo de prazeres aguçados, queria absorver cada gota daquele momento único porque não poderia haver outros beijos porque mais beijos levariam a ele de novo e ela, simplesmente, não podia.
Ela teria que se contentar com aquele momento de entrega.
Ele pegou nela e levou-a para a cama, conversando e rindo, beijando-a na boca, nos mamilos erectos, fazendo o furor crescer e invadi-la novamente. Agarrou-a com firmeza e penetrou-a lentamente, com movimentos suaves e eles olharam-se, olhos nos olhos.
Ela sorria. Ele adorou vê-la sorrir daquele jeito. Ela era dele. Como ele gostou de a ver assim, fazia-o querer mais dela, do corpo dela, da boca dela, dos beijos dela... e, finalmente, ela deixou-se levar por tudo. O mundo girava e nada mais existia além deles. Susana sucumbiu às emoções...o facto dela estar ali com aquele homem, que a fazia sentir-se completa, fê-la gemer de prazer enquanto abria as pernas para ele, convidando-o a usar a sua paixão, a sua carne, que a consumia e inebriava. Finalmente, ela gritou e deixou-se ficar deitada, de barriga para baixo, esgotada com o gozo que tivera.
Permaneceram em silêncio. Ela ainda sentia o coração acelerado.
O medo voltara.
Enquanto ele dormia, sentou-se na cama. Angustiada e consciente do que fizera e com o coração dilacerado, juntou o que sobrava da sua alma e foi tomar um banho.
Como era belo. Finalmente, tinha sido sua. Estava feliz. Estava triste.
Beijou-lhe a face adormecida, um delicado beijo de despedida.
Ela sabia que era a última vez que o via.
Agora ficaria com mais lembranças...mas...teria sempre uma lembrança especial daquele homem.
De sapatos numa mão e as chaves do carro na outra, deixou o quarto, deixou a casa dele.
A manhã permanecia escura. As nuvens espessas escondiam o tímido sol.
O carro arrancou. O som confundiu-se com os barulhos da madrugada.
Alex...deixou escapar uma lágrima.
terça-feira
A Volta
Estou de volta, disse, e com isto, os anos de ausência como que, desapareceram.
Acho, que desta vez voltei para sempre. Senti me inteira outra vez. Algo dentro de mim suavizou-se.
Quer dizer que tu estás..., hesitei antes de continuar, tu estás sozinho ?
É..., riu-se outra vez. Agarrei-lhe o braço, precisava de tocar nele, precisava de ter a certeza. Ele estava mesmo ali, à minha frente.
E foi assim. Engraçado, agora que me lembro, nem pediu para ficar noutro quarto. Nada.
Posso ficar aqui até encontrar um sítio ? Estou cansado.
Mas eu sabia que ele ia ficar, que não procuraria mais nenhum lugar. Conseguia ver como estava exausto da procura, da mudança, do recomeço e de se habituar a lugares novos. Desta vez, ele ia ficar.
Queria, mas não podia perguntar – que era feito do duplex à beira-mar e daquela tipa morena de cabelos longos e curvas sugestivas, a tal de quem a última carta dele transbordava, em palavras de espanto e perfume exótico. Fiquei calada.
Os dias seguintes foram estranhos. Tinha tantas perguntas, saudades, memórias. Recordei o dia em que partiu, no meio de um sol abrasador. Fiquei de joelhos no alpendre a olhar o carro a desfazer-se naquela onda de calor, a sentir pena de mim. Lembro-me da razão que me dera - antes da carta. Estou farto, sinto-me inquieto, nunca acontece nada aqui ! Quero viver ! De certeza que há muita mais ...
Por vezes sentava-me junto à janela a escrever. Tentava organizar os meus pensamentos – ou eram os dele ? Queria tanto saber como fazer, como alcançá-lo, como apagar os anos perdidos, o duplex, a morena.
Os infinitos fins-de-semana tornaram-se curtos e cheios de conversas. Ele falava comigo como se nunca tivesse ido. Contava-me histórias de cidades, apartamentos sujos, empregos miseráveis, loiras, negras, fome e traição. Eu não podia imaginar, não conseguia perceber.
Porque demoraste tanto em voltar ? perguntei-lhe.
Ele desviou o olhar e esboçou um fino sorriso. Para aqui ?Para esta vidinha triste ? E não teria descoberto o mundo, pois não ?Há sempre um preço a pagar.
Demorei uma eternidade para perguntar se ele ainda preferia o mundo dele ao meu, à nossa casa, a mim. O não amargo não deixou lugar a dúvidas.
Uma manhã acordei cedo com o sussurrar das folhas secas e luz ténue. Fui caminhar. Não havia ninguém. O meu mundo dormia. A terra bebia o orvalho da noite e o vento soprava misturas de quente e frio. E durante uma hora, acho que foi uma hora, recordei, senti, vomitei e odiei.
Com o passar dos dias, fiquei com a ideia de que ele pretendia reparar o passado. Obter perdão.
Olha, sei que não devia ter partido daquela maneira, sei que não entendes as minhas razões ... desculpa ... só que ...
Está bem. Já não estou zangada, disse-lhe.
Pois, se calhar devias ficar, se calhar devias odiar-me...
Encontraste o que procuravas ? Fez-te feliz ? pergunte-lhe.
Cheguei a pensar que sim. Ela era maravilhosa mas tentou mudar-me e tudo ficou pior. Não – eu é que fiquei pior – e magoei-a – e deixa-a
Por isso voltei. Talvez este seja o meu lugar. Só tu consegues entender-me.
Então agora sentes-te melhor – aqui ...
Sabes, a primeira noite, depois de ter voltado ? Quando adormeceste fiquei a olhar para ti ... para tudo ... e parecia que nada tinha mudado, que eu nunca tivesse estado longe.
Mas estiveste – muito longe. Muito tempo. Senti muito a tua falta – acho que ainda sinto. Talvez porque sinto que só metade de ti está aqui – comigo.
Ajuda-me. Faz com que tudo volte a ser como dantes. Ele agarrou-me e olhou-me nos olhos, como antigamente, dominador. Sustive a respiração e arranquei as minhas mãos prisioneiras. Não, já não preciso de ti. Não posso, pensei.
Não sei o que dizer, não sei se posso ajudar-te, ela não soube...
Mas é diferente, ela não aguentou, ela disse que se matava se eu a deixa-se. Era uma fraca. Mas boa na cama. Tanta encenação e um dia sumiu. Nem se despediu de ninguém. Aquela não sabia o que é amar – não como tu. É só pena não seres morena. E riu-se.
Imagino que naquela noite ele tivesse acordado aos gritos. Imagino que o mundo dele desabou. Imagino que rezou pela primeira vez. Imagino que chamou por mim ... finalmente.
Sinceramente – espero que tenha sofrido.
“Isso é tudo muito interessante, minha senhora, mas diga-me, aqui na fotografia que tiramos no local - quem é esta pessoa ... quer dizer...o que resta dela...aqui ao lado ...?”
O senhor inspector vai-me desculpar mas, sabe, percebi que estava melhor sozinha ...
“ ...sim, mas...isso não explica...”
Foi pena , deve ter sido o vento do deserto, sempre imprevisível, deixei um bilhete, escrevi -
Sabia que havias de voltar
Tive pouca esperança
Que mudasses
Vai !
A tua morena, há muito,
Que te espera ...
quarta-feira
Sidewalk Confession
I tried to say something but the words hid away in my quickly dying throat.
Will you please stop looking at me like that. You’ll make me cry. Don’t worry, I know you have her. I don’t expect anything from you. The least you can do is hold me. You know how hard it has been for me lately.
We crossed over to the other side and couldn’t help but pull her close to kiss her trembling lips, the smell of the rain clinging to her hair, intensifying my desire for her. How soft and warm she was. My thin pullover denounced her hardened nipples, pressing on my eager chest. How long it had been since I’d been that close to another human being.
I want you. From the bottom of my heart. I never want to loose you, but there’s nothing I can do right now. I can’t decide now.
Because of her ? I nodded a yes. You still sleep with her ? I told her, now and then. Doesn’t she love you ? I said it was complicated, confusing. That I had lost track of us and that she had too. That I owed her much and had to be responsible. Even if she didn’t love me, as before.
Let me tell you this; she snuggled her face against my neck; I’m for real, real blood flows in these veins, you’re holding me and I’m telling you that I love you and that I’d do anything for you. I’m a bit crazy at times, I know, but I’m a decent, honest, hardworking girl. I’m rather nice looking, I’ve got great tits, my cooking is alright. I’m quite ok, don’t you think ? What if I end up with someone else ?
I’m so sorry. I know I can’t hold you back. It’s all I can say. I need time.
But you do love me ?
Yes very much. You know that.
She stepped away, a big childish smile lighting her face, filling my aching heart. Ok. I’ll wait. Only, don’t hurt me. I’ve been hurt enough. I want to be happy now. I grabbed her near and kissed her passionately.
For heaven’s sake, let go of the umbrella, hold me with both arms !
But we’ll be soaked !
Who cares ! Just hold me ! Stop thinking !
The umbrella’s fall was cushioned by the noise of tyres whooshing past, ripping gathering puddles, involving our embrace in the midst of the heavy rain, turning it into gentle haze. That day, the rain pressed on, rolling down or cheeks, joyful tears making its way to my belly, sneaking in between her breasts.
We’d better seek shelter.
Yes ! She laughed.
Come, let’s go to my place. I’ve got the place to myself today. I don’t want you catching a cold !! She laughed again.
Slippery hands holding tightly and with a childish face long forgotten, we dashed down Main Street.
segunda-feira
Choosing
Softly falling down...
each drop a symphony of sound...
as it hits the tin roof...
tap . . . tap . . . tap.
It can sound just like a sad song with a slow beat,
the kind that makes you daydream
and feel sad and sigh,
as you think of what might of been or could be in your life.
Or maybe it is a happy song that brings back sweet memories
tender thoughts and special smiles,
thinking of someone who makes your heart beat faster
and your laughter ring with happiness and joy.
Or maybe it is a love song
with sweet and soft lyrics,
tender and romantic and sensual,
that makes you think of dancing in the rain.
Only you can decide which song,
is the one you are hearing ,
which music soothes your soul
and which song you want to sing along with.
Sometimes . . . you have to choose a song . . .
and the choosing . . .isn't easy.
sexta-feira
Another Time
The clearing is dim.
A full moon has just started rising and the edges
of the woods throw weak shadows of their presence.
In those deep shadows, she sits and waits.
The ritual is nightly, long and lonely, she’s seen it before.
She is tense, jittery and her insides hungry.
Yet her hunger is not physical, it goes much deeper.
On the far side of the clearing rests a small lake
banked by high rocks and surrounded by tall trees.
Now the moon has fully left her resting place and
shines brightly, casting full shadows.
At the edge of the lake on the highest rise
a figure moves slowly towards the edge of the water.
She raises her head to sniff the air.
Is it him? Her heart pounds hard with possible excitement.
She takes a careful step backwards so as to not disturb the moment and watches as he climbs to the highest point of the rocky edge.
His figure is a silhouette against the great moon and
he sniffs the air, as if sensing that he is not alone.
A fog settles on the lake, light and whisperer.
She edges further into the shadows to witness
the ritual and remembers a moment in their past when
it was routine to play in meadows and not think about
what was expected of them.
He stands and looks around him thinking of his pack,
knowing his responsibility, feeling his heart stripped.
The spirit is dieing. He only wants to walk away.
Something is missing in his life. Something or someone.
The emptiness in his soul is as vast as the night,
the loneliness in his heart as deserted as the clearing.
He takes a step forward and eyes the night sky.
The moon shines so brightly. He looks about him,
This is my home, this is where I live and hunt.
Why is it such a stranger to me? Again he looks
towards the night sky and there he sees a glimmer.
The evening star winks back at his gaze.
She knows he’s not alone.
He raises his head and brings forth a low sad howl.
It echo's off the hill sides and down the valley.
Again he repeats the sound, not knowing why he makes the call.
It does seem to help ease a longing he's felt for so long.
It used to help with the pain, but not anymore.
Can’t the spirits hear my plea of the past?
She turns her head to the strange, yet so familiar sound.
It draws her forward as it did the first time she heard him.
Stepping forward into the silvery glow of the moon light
she brushes the sleeping flowers aside, white petals of roses
softly float around her, she watches him speak to the night.
Going back in time, she remembers a night like this.
The very first time she came upon this lake.
She had witnessed him standing alone upon the rocky rise,
the sound of his howl chased away by the night.
Then too, the sight of him had taken her breath away.
That time, she had been too late.
That time, Time wouldn’t have let her stay.
Perhaps this time, Time was playing a different game.
She asked Him, will you let me love him ?
How many ages will it take ?
Why, Princess ?
Why ?? Can’t You see he is my beloved soul mate ?
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