segunda-feira

O Sonho



Esta noite tive um sonho.
Mas que sonho...

Sonhei que estavamos num café numa noite bem quente.
De repente deu-me uma vontade louca de te ter.
Tu estavavas excitada,nem conseguias olhar para mim,
tão grande era o teu desejo.
Cada vez ficava com mais calor e eu fui ao balcão pedir uma bebida.
Pelo caminho sussurrei-te ao ouvido,
"Daqui a dez minutos vem ter comigo lá fora."
Peguei na minha bebida e saí.

Esperei que viesses ter comigo.
Quando chegaste, encostei-me a ti.
Disse-te ao ouvido, "Quero-te agora..."
Havia um canto escondido ali ao lado
e eu levei-te para lá.
Encostei-te à parede, colei o meu corpo ao teu
e comecei a beijar-te.

Primeiro pelo pescoço, depois o peito.
Fui descendo...
Desapertei-te a blusa com os dentes,
passei a lingua pelo teu corpo.
Mordisquei o teu mamilo...
Desci mais um pouco.
Tentaste fugir mas...não deixei.
A tua luta foi fraca...estavas excitada...louca de desejo.
Beijavas-me loucamente...pelo corpo todo.
A temperatura não parava de subir.

Cada vez com mais desejo...encostaste-me à parede,
enquanto beijavas o meu pescoço.
A minha respiração estava cada vez mais ofegante
e cada vez mais te desejava.
A loucura não parava.
Queria sentir-te...assim...ali mesmo...sem pudor.
Então...
No meio de tanta loucura, levanto-te a saia
e tu agarras o meu cinto
Puxas-me de encontro a ti, sentes como eu te quero...

Então, estás aí ? Onde te meteste ?

domingo

Depois de Duche


Depois do duche apeteceu-lhe dançar pelo quarto.

A toalha tinha ficado esquecida pelo chão da casa de banho.
A música era alegre e o seu corpo mexia-se...

Foi até à janela e continuou a dançar.
Sentia as gotas de água a escorrerem do cabelo,a beijarem as costas
e a acariciarem-lhe o rabo.
O fino cortinado envolveu-a e o toque do tecido suave
a colar-se ao corpo excitou-a.

Dançava assim,à janela,sem se preocupar com os olhares alheios.
Na verdade,pensar que alguém pudesse estar a observar,excitou-a ainda mais e ela fazia agora poses sensuais ao som das notas musicais.

Mas...naquela escuridão...não havia ninguém...isto é...quase ninguém...

Imaginou-o, ali, do outro lado, a olha-la enquanto desprendia o cabelo molhado das costas e o sacudia, pulverizando a pele com mil e uma gotinhas brilhantes.
Passou as mãos pelo corpo, passou as mãos dele pelas ancas, tocou na barriga, no umbigo, envolveu os seios...
Sentiu-se quente e molhada...

Por momentos, pensou estar a olhar lá para fora...e que uns olhos brilhantes olhavam na sua direcção mostrando o seu sorriso matreiro.
Retribuí o sorriso e lançou um beijo na sua direcção...

A música acabou.

Abriu os olhos.
Tinha-os semi-cerrados.
Sorriu.
Seria deste olhar, que ele tanto falava ?

Voltou-se e foi-se vestir.
Amanhã,pensou,amanhã...

terça-feira

Sem Palavras



O Outono estava perto.
Àquela hora, o ar vindo do mar tornara-se cortante e o seu abraço envolvente deixava pele de galinha em todos que encontrava.
Perto da lagoa, os primeiros tons amarelos e alaranjados começavam a cobrir as árvores que mais pareciam lugares esquecidos e despejados dos seus inquilinos veraneantes.
O sol despedia-se naquele mar calmo, espelho perfeito, com apenas pequeninas ondas a remexerem a superfície de cor quase negra.
Mais ninguém conseguia ouvir a melodia que pairava ali por perto, única e reservada, para eles os dois.

Escondidos por debaixo de um enorme chorão, aninhados bem juntos, uma manta grossa por cima dos ombros, ali permaneciam, quietos, silenciosos.
Tinham vindo para esquecer o mundo, os outros, eles mesmos.
Por debaixo daquele cobertor, um só calor unia-os.
Um silêncio tranquilo tinha-se instalado e nenhum dos dois achava necessário perturba-lo com conversa fiada, no havia razão para encher o ar de palavras.
Por vezes, palavras a mais estragam os momentos mais preciosos.

Ouviu-a suspirar.
Puxou-a de encontro a si. Apertou com força.
Queria que ela sentisse que o sonho era verdadeiro, que era possível.
Olhos de chocolate pensou, quando ela o olhou, a mesma curiosidade patente, a mesma paixão inquisidora, a mesma necessidade de o ouvir dizer que lhe ocupava os pensamentos dia após dia, preenchendo o vazio, noite atrás de noite.

Carinhosamente, agarrou-lhe a cara, deixando os lábios entre os dedos.
Beijou-a com paixão. Beijou-a com afecto.
Sabia que não havia nada que podia dizer. Nada. Nenhuma palavra, nenhum poema, podia explicar ou descrever o que sentia por ela naquele momento.
Esperava que um mero beijo doce fosse suficiente para demonstrar o porquê de ás vezes o melhor ser não dizer nada, até porque, ás vezes, fica se mesmo...sem palavras.

quarta-feira

Não acredito nisto!



Voltou-se.
Aninhou a bochecha esquerda na fofa almofada enquanto deslizava uma perna por fora e para cima do lençol branco.
Tentou ocupar os pensamentos com o som vindo da aparelhagem embutida na cabeceira, de onde You and Me emanava baixinho.
Sorriu. As palavras da canção pareciam lhe escritas de fresco.
Não adiantava.
O barulho de água a correr era mais forte fazendo com que ela se virasse para o outro lado, ficando a olhar a porta semiaberta, escutando a chuva tão familiar ao interior de uma casa de banho.

Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez
é a desilusão de um quase.
É o quase que a incomodava, que a entristecia, que a matava,
trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda,
quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.
Bastava pensar nas oportunidades que escapam pelos dedos,
nas que se perdem por medo.
Perguntava-se, às vezes, o que levava tantas pessoas
a escolherem uma vida morna...
A resposta, sabia de cor, estava estampada na distância e frieza dos
sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos
"Bom dia",quase que sussurrados.
Sobrava cobardia e falta coragem até para se ser feliz.

A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses seriam bons motivos para decidirmos entre
a alegria e a dor, provavelmente até sentir nada, mas não eram.
Se a virtude estivesse mesmo no meio-termo, o mar não teria ondas,
os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma,
apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.


O barulho da água cessou.
De repente, e como já era habitual, um calor subido e arrebatador apoderou-se dela. Porque lhe acontecia sempre aquilo?
Sim, hoje até que podia inventar uma desculpa, dizer que estava num quarto estranho, enrolada num lençol desconhecido que apenas escondia a tanguinha branca, e que ele estava já ali...ali...murmurando a canção que ela tão bem conhecia...
"Não, tretas!"
Esboçou mais um sorriso. Ele dizia-lhe isso...
Aquela sensação boa acontecia mesmo ao telefone.
Simplesmente...acontecia.
Engraçado...à quanto tempo não dava pelo
cheiro a espuma de barbear?
Era demasiado tarde.
Estava mesmo ali, deitada, estupidamente nervosa, à espera.

Para os erros há perdão;
para os fracassos, uma segunda oportunidade;
e para os amores impossíveis? Tempo.
De nada ia adiantar manter a cerca que aprisionava um coração magoado e carente ou enveredar por um plano sábio de como economizar nos sentimentos para poupar a alma.


“Não !” gritou para dentro de si, não ia deixar que a saudade
a sufocasse, que a rotina se acomodasse,
que o medo a impedisse de tentar.

“Desconfia do destino e acredite em ti !”

Susteve as lágrimas.
Lembrou-se de uma passagem que tinha lido, fazia tempo,
algures num livro,agora sem título e sem autor;

- Gasta mais horas a agir do que a sonhar, a fazer do que a planear,
a viver do que a esperar, porque; embora quem quase morreu, esteja vivo,
quem quase vive já morreu -

Sentiu a porta abrir.
O cheiro dele cobriu-a e quando olhou...encontro o seu olhar.
Era firme, penetrante, carinhoso.
Olhou-o, intensamente.
Deixou-se sentir.
Era bom.
Era como tinha sonhado.

“Agora...minha Princesa...”

Riu-se. “Não acredito nisto...”