sábado

Nunca desistir!




Por fim o projector com sensor de movimento encontrava-se montado
e ele pode sentar-se ao PC para escrevinhar um pouco, como aliás,
gostava tanto de fazer e pelas mais diversas razões.

A semana tinha sido atribulada mas contrariamente ao que muitos esperariam,
ele estava bem e forte.
É claro que o stress estivera ( e de certa forma ainda estava ) presente mas,
não tanto pelo assalto à loja que decorrera na noite de Quinta para Sexta,
mas pelos diversos assuntos e procedimentos a levar a cabo,
desde a participação na policia e seguradora, a necessária aquisição de equipamentos
para substituir os furtados, bem como, ter de pôr o negócio a funcionar.
Em 20 anos, fora a primeira vez. 
Lá está - há sempre uma primeira vez para tudo na vida!

Felizmente, os larápios não estavam, obviamente,
interessados nas máquinas afectas ao ramo e contentaram-se com
os equipamentos informáticos ( tirando o pc ! ) e de comunicações
( mas para quê levar um telefono fixo? ), vários óculos de sol
e claro, a caixa registadora.
Em fim, pelo menos a teoria dele de que mais valia entrarem sem
terem de danificar grades, montras e vidros, estava comprovadamente certa.
Assim, não houveram danos a registar.
Agora, reforçara a iluminação para criar melhor barreira dissuasora
para eventuais situações futuras.
Amanhã a subida ao posto de vigia na serra da Arrábida tomaria conta
de limpar o que restava deste episódio no sistema dele e tudo voltaria ao normal.

E...
Importava lembrar-se como a namorada o tinha tratado,
a preocupação e carrinho demonstrados culminado no jantar 5 estrelas
numa noite repleta de meiguices, uma massagem divinal,
um fazer amor que só podia ser descrito como intenso e muito amoroso.
Ela mostrara-lhe outra faceta, mesmo na cama. 
Gostou muito.
Na verdade, surpreendeu-lhe...

Engraçado como no fim da noite, ao deitar-se,
lembrou-se de como depois de ter estado como ela,
tudo ficara mais calmo e sereno.
Tinha dito para si mesmo, durante o dia -
Porque será que quando a vida começa a correr-me bem,
acontece sempre algo para me deitar abaixo?
Não basta a maldita Covid?
Agora isto?

O facto de ela ter passado por uma ou outra situação complicada na vida,
fazia com que pudesse falar com ele de forma ponderada e ser perspicaz.
No passeio deles depois do jantar, até Lisboa, aquando decidiram ir tomar o café fora,
fizera-lhe reflectir e constatar que realmente existem situações mais complicadas,
tristes e difíceis de ultrapassar.

"Nunca podemos desistir amor, nunca!" - dissera~lhe, entre beijos,
mãos em torno do pescoço, olhos brilhantes consumindo os dele,
enquanto ele a envolvia num meio abraço,
as mãos na curva sexy que as costas dela fazem.
Era uma pessoa de fé...e...isso era bom...

Na relação anterior, houvera vezes que se sentira completamente só.
Em muitos momentos, tivera de enfrentar situações complicadas sozinho.
Aliás, lembrava-se bem como até chegara a fazer referência a tal -
"Ás vezes quando preciso tanto de ti, é quando tu te vires contra mim...".
Em fim, o passado já lá ia. Ela era jovem e sofrera muita coisa também.
Agora. era o presente que importava e este fazia questão,
de lhe mostrar algo diferente, mais amadurecido.

Tinham acabado a noite a falar de fazerem um passeio pelas aldeias rústicas,
para os lados da serra da Estrela, onde a natureza conserva traços,
sabores e cheiros, que enaltecem a alma e fortalecem o espírito.
Sim, parecia-lhe boa ideia.
Tirar tempo do quotidiano...e rumar a lugares românticos...com ela.









segunda-feira

3 DIAS 3 NOITES



Senta te e escreve...isso mesmo...escreve...

Talvez assim, percebas...que realmente é possível!
3 dias - ou noites - enfim...3

Maravilhosos.
Por tudo.
Boa conversa e bem estar.
Uma certa cumplicidade natural,
Afectos carinhosos partilhados.
Diversão coberta de gargalhadas e brincadeiras,
a atracção corporal marcando presença,
sendo necessário por vezes disfarçá-la.
Tão contida, que a sua libertação entre paredes reclusas resulta,
consequentemente,
em avalanches de gemidos e orgasmos, repetidos...
Como é bom ouvir -
"Não percebo, é cada vez melhor amor!"
E onde já ia o seu ego, quando ela lhe diz -
"Meu Deus! Nunca me vim assim..."
Até já conseguia aceitar, sem constrangimento -
"Adoro...adoro...como me preenches amor..."

Sim, Caro SR.- wake the fuck up!
Look and see!

Não faças merda!
Começa a dar de ti o que deve ser dado...
Faz por merece tudo que esta bela mulher te entrega,
sem reservas,
porque,
confia em ti,
porque,
não tem receio de te amar como todo o seu ser,
porque,
confessa te o que vai na alma...e o que provocas nela...

O "ideal" não existe.
A "formula mágica" também não.
"Dominar a alma" e "fazer entender o coração" não se apreende
nos livros, nem com ninguém!
Mas...apreendes por ti mesmo!
E tu, até já sabes, que a vida sem arriscar,
sem amar...e ser amado,
de nada vale.
Nada...

Se o próprio mundo vive inconstante,
se nada já é como era,
o futuro cada vez mais uma incógnita,
a vida pressa por nuances fora do nosso controlo!
SE planear durante anos como fizeste,
acabou por ser em vão,
fruto do desgaste,
trazido pelo arrastar do tempo!
Qual será o Amor capaz de resistir a tais exigências,
neste mudo actual??

Abraça esta oportunidade.
Sê forte, honesto, intenso.
Sê tu!
Como tu és!

Quem sabe ???

VAI EM FRENTE!





Quanto tempo leva? Quanto?!



Estava triste.
Triste?
Ou, estaria apenas a sentir-se...em baixo?
Era apenas Monday Blues.
Não...
Era mesmo uma sensação de tristeza...sentia que sim ,
o suspirar, o não ter vontade de nada...
E...porquê?
Perguntava a si mesmo - Porquê?
Suspirou fundo outra vez...
Estava sentado ao teclado para vomitar o que ia dentro dele,
como tantas vezes era habito naquele ecrã branco que há muito
se tinha acostumado aos desencantos,
aos turbulhões de sentimentos esmagados até à exaustão,
e às lágrimas frias derramadas sem sentido nenhum.

Estava triste.
Triste consigo mesmo,
desiludido com a pessoa que se tornara.
Era fraco, inconstante, inconsequente.
E...não merecia o bom que lhe estava a acontecer!

A sensação filha da puta apoderou-se dele no regresso ao trabalho
quando a Antena 3 resolve passar a música que escutara na Sexta-feira à noite.
Merecia sim, uma carga de porrada, ser chamado de besta ao quadrado,
ter a cara pintada de palhaço grotesco!

Na Sexta, ao tocar a campainha da porta, um - "espera um bocadinho amor, não entres já!"
soou lá de dentro...e com isto, a porta foi destrancada mas deixada apenas com uma pequena abertura, seguindo-se uma sinfonia de pés descalços em fuga.

"Já podes!" - e uma risota marota acompanhou a sua entrada no apartamento
que se encontrava à meia luz, as novas lâmpadas led de filamento amarelado
tipo vintage que ela colocara no candeeiro de pé alto ao pé do sofá conferindo
um ar de conforto e quentura envolvente.

Posou as chaves do carro e o telemóvel no móvel ao lado da Tv e encaminhou-se
para o quarto, as expectativas em alta porque, obviamente, ali havia coisa!
Parou e encostou o ombro esquerdo à ombreira da porta, olhando-a incrédulo.
Foda-se! - quase lhe saiu...
O cenário era digno de um filme erótico em que ele faria o papel do Mickey Rourke,
sendo que a Kim Bassinger estava impecavelmente substituída pela mulher,
que o aguardava, na cama de lençóis brancos...destapada.
Uma vela vermelha enorme iluminava de perto o Moscatel, descobriu mais tarde, envolto
na manga gelada, acompanhado de dois copos flute e uma taça repleta de cerejas.
Nua, deitada de bruços, pernas cruzadas para o ar, cabelo solto que resvalava
para o lado ao posto do olhar dela, os olhos melados fitavam-no sem preconceitos
e sorriam de malandrice - "olha, hoje sou eu que digo...não queres tirar-me uma foto...assim?"

Não pode evitar um sorriso aberto de garoto presenteado com algo inesperado.
"Claro que sim! Que homem era capaz de recusar um pedido assim? Um minuto! ..."
Ao buscar o telemóvel na sala apercebe-se do som que passou a inundar a casa,
com certeza vindo da coluna bluetooth que ela tinha no quarto.

"Não conheço..." - disse-lhe enquanto se preparava para a fotografar.

"Gostas? É a tua cara amor!"

" Gosto, uma boa voz sem duvida...Quem é?"

"Nobel...é Português...mas nem parece, pois não?"

"Tens razão...muito giro...Então, estás pronta?"

"Tá...que tal assim?" - descruzou as pernas e deixou uma cair para além do colchão,
o gesto claramente pensado, fizera rodar as ancas, empinando o rabo bonito e provocador.

Foi, ao som de "Honey" que se aproximou dela, a viu levantar-se em cima da cama,
toda sorridente e ficou a olhar enquanto o despia, lentamente, prazerosamente,
para depois voltar a afundar-se nos lençóis, puxando-o para baixo, até ela,
recebendo-o de pernas abertas, agarrando no seu sexo erecto para o introduzir logo
dentro dela, o gesto ansioso soltando um "ai amor que saudades de ti!".

Então?
Então porque estava...assim...fodido da cabeça?

É.
Ña Sexta, no calor dos acontecimentos, tudo tinha sido perfeito.
Mas, há pouco, no carro...recordações de uma outra garota...
que também destrancou a porta e correu para a cama,
fez poses para fotos de rabo lindo empinado,
o despiu em pé e de joelhos na cama dela,
lhe disse - "anda...quero fazer-te uma coisa...sei que vais gostar amor...",
não uma...mas tantas vezes...

...e esta canção que, não queria, mas porra( ! )...lembrava-lhe...Ela.
Merda das recordações !!!

Por isso estava triste.
Muito.

Queria tanto apaixonar-se pela miúda que namorava...agora.
Tantoooooo!
Queria que a química e atracção se transformassem em paixão.
Queria ser livre para amar!

A pergunta, parecia não ter fim...nem resposta!

Quanto tempo leva?
Quanto??
...para esquecer quem amamos para além da razão???








sexta-feira

Mais um passo...



Finalmente ganhara força de vontade suficiente.
Sentia, que era altura de ter o seu próprio espaço.
Por enquanto, era somente um lugar secreto...mas quem sabia (?),
talvez pudesse ser para onde alguém quisesse ir morar com ele...um dia.

Nunca pensará na Costa da Caparica como lugar de escolha.
Por ventura os valores inflacionados de arrendamento eram desaconselhados,
mas também era verdade que a proximidade e a beleza envolvente
tinham os seus pontos fortes.
Tudo estava tratado, faltando apenas a contratação da MEO.
Na verdade, a sorte tinha-lhe batido à porta. 
As mobílias escolhidas e respectiva decoração presente, não eram fáceis de encontrar
em fracções destinadas ao aluguer.
Sentou-se no enorme sofá de pele negra macia e olhou à sua volta.
Sorriu. Quem havia de dizer...
Uma Samsung 4K Led encaravo-o de frente apoiada no moderno móvel lacado a branco,
havia até uma máquina Néscafé ao lado do microondas em aço-inox colocado sobre o tampo que separava a sala de jantar da cozinha em open space.
Era, um belo apartamento.

Deslocou-se até ao quarto e deixou-se cair para trás no colchão king size.
Imagens indesejáveis percorriam-lhe o pensamento,
ameaçando a sua felicidade momentânea,
fazendo os seus pensamento recordar conversas do passado...um sonho quebrado...
Era inevitável vislumbrar como os castiçais de pé alto, os pássaros de chapa,
os enamorados sol e lua...como todos eles ficariam bem ali...ali naquela habitação.
O Loverdose  da Diesel a contaminar a cómoda ao lado de velas expectantes...os muitos sapatos e soutiens perdidos pelos cantos...

Mas, tais pensamentos não passavam de devaneios soltos,
a serem levados para longe pela suave corrente de ar que percorria a casa
vindo dos campos agrícolas nas traseiras do prédio.

"Calma!" - diz, a si mesmo.
"Devagar se vai ao longe...
Já correste muito!
Dá tempo ao tempo. Não tenhas pressa. Deixa acontecer o que tem de acontecer.

Levantou-se e foi sentar-se num dos bancos altos acolchados da kitchenette
para pegar no telemóvel largado no tampo cinza claro e entrou no whatsapp
que emitia uma notificação sonora - Incoming Message.

"Adorei o nosso passeio na 4ª-feira amor...e td q aconteceu durante o dia...e noite!"

Esboçou um sorriso.
Aquela miúda tinha algo de diferente mesmo.
Deixara passar o dia anterior, tal como ele, com apenas a troca de algumas frases ligeiras,
sem muito afinco, conversa leve e alegre, uma nota de saudades ao fim da noite.
Agora, na hora de almoço, fazia-lhe chegar uma frase mais intensa, mais cativante.
Não tinha o dom da escrita, como alguém que ele conhecera, mas bom timing era com ela.
Era serena e confiante. Ele percebia que ela não queria espantá-lo.
Sabia que ele precisava de tempo...

"Olá...Tbm gostei mto. Foste...não...és maravilhosa..."

"Vemo-nos esta noite? Vens cá jantar?" - a resposta rápida, agora, traia a vontade aguda dela.

"Ok, pode ser - com mtooo prazer. A que hrs?"

"20h30, pode ser? Pcso de algum tempo. Sabes que saio às 7 e quero
estar prontinha qdo chegares!"

"Combinado! Levo o vinho."

Emojis sorridentes de corações nos olhares e a troca de beijinhos virtuais encerram a conversa e prefazem a alegria com que ela, percebe ele, antevê mais um encontro deles.

Falará na ida ao Portinho da Arrábida na Quarta-feira, dia que ele decidiu tirar de folga.
Sim, um dia mesmo bem passado.
O tempo soalheiro, a água cristalina e as poucas pessoas nas redondezas tornara o local ainda mais paradisíaco e singular.
Um picnic engraçado, conversa e risos rasgados,
passeios pelas ondas geladas até aos tornozelos,
beijos semi-escondidos e um bikini ousado quanto baste,
fizeram o dia acabar entre lençóis brancos,
frescos e molhados, enrolados nos corpos sedentos de serem amados pela noite adentro.

Os dias não estavam fáceis, na loja.
A dita crise Covid, mais uma, estava aí.
No entanto, estava a dar-se bem com o namorisco.
A vida dele, parecia-lhe, estava sobre controlo.
Havia ainda a questão do futuro dos seus pais por resolver,
tirando isso, estava tranquilo.
Sabia, que também nesse capitulo, arranjaria solução.

Correu o estore da sala encaminhou-se para a saída olhando o jarro cerâmico preto
que tinha lugar no centro da mesa de tampo grosso envidraçado.
"Incrível!" - como não tinha reparado?
Uma gargalhada bem disposta acompanhou o pensamento
- "Vocês aí em cima não desistem, pois não !?" 

Gostaria tanto de voltar a viver uma noite como a que é descrita na música dos Klept,
de voltar a saborear a paixão pura e árdua, tal como nesse ano de 2008,
de sentir corpo e mente a apaixonarem-se,
perdidamente e sem explicação,
apenas porque tinha encontrado aquela que parecia ser,
a sua alma gémea...

Bons tempos...lindos...eternos...

Trancou a porta e não demorou a pôr um Cd com música épica,
tipo Now we are Free do filme Gladiator para compensar o aperto no peito,
voltando assim a sua atenção para o futuro.

A noite seria de namoro, ternura, conversa.
E, dependendo do feeling
maybe...just maybe...he could show her that enormous bed!