segunda-feira

O Escritor



Em pequeno, o meu gosto por livros levou-me até à escrita.Dava largas a fantasias de criança e criava aventuras com diálogos e personagens.
Com o tempo, assim como normalmente acontece com todos que escrevem,
até tentei a poesia.

As poesias apareceram na adolescência como é habitual e os temas são
na sua maioria, quase sempre os mesmos.
Até porque nessa idade escrevemos sobre o que ainda não se vive e não se sente,
mas que se lê e se vê...e se deseja.
Durante anos o processo é o mesmo.
Brincar com as palavras, trocá-las de ordem, experimentar as figuras de linguagem,
inventar metáforas pobres e rimas sem rimas...na tentativa de ser livre e hábil.
A certa altura, anos decorridos, já conseguia escrever sobre qualquer coisa,
mas isso, não me interessava particularmente.
Fiquei pelos temas principais - o amor, a solidão e perda.
Consequentemente, o sexo e o erotismo começaram a fazer parte dos meus textos.
Talvez pela vida que me aconteceu e como aconteceu.

Acabei por, no fundo, largar a poesia que só merece ser tratada por quem tem trato especial por ela.
Escrevo, na verdade, sobre o amor como ninguém...ou como muitos...como eu.
Cartas, contos e pequenas histórias.
E claro, confissões e estados de alma.

Escrever era fácil...

Eu escrevia sobre o amor como ninguém...( foi o que eu disse? ),
até Tu me mostrares o que o amor realmente é.
Contigo descobri sentimentos, cores, desejos,
sons e ritmos que envolvem cada palavra.
Por mais que eu queira, tente e esforço-me,
não consigo mais escrever sobre o amor sem “aquilo”...,
o que Tu trouxeste para a minha escrita – “a magia”.

...era ( fácil )...

Tu alteraste tudo o que eu conhecia,
ou que achava conhecer.
Com o teu jeito de ser,
derrubaste os meus muros,
destruíste a minha armadura,
viraste o meu mundo do avesso,

...e aqui estou...

O que antes era fácil,
é,
cada vez mais,
impossível.

As palavras tendem a sumirem,
as frases auto-completam-se,
sem vida,
previsíveis,
rancorosos,
frias,
ásperas,
depressivas,
e por vezes até,
...chatas!

Tenho bloqueios.
O ecrã fica em branco à espera de uma palavra.
Por vezes durante minutos.
Povezes horas sem fim.
Chego até a sair do texto para regressar noutro dia!

Descobri, comesta idade,
que até hoje,
só brinquei à escrita.

Todos os poemas que escrevi sobre o amor são mentiras,
meras palavras.
Porque, o amor que sinto não pode ser dito nem escrito!
Não consigo e nunca vou conseguir descrevê-lo!!
Passaria a vida utilizando vocabulários rebuscados e não captaria
a mínima essência do que foi ( e é ) amar te.

Eu escrevia sobre o amor como ninguém,
...mas...agora,
prefiro não conseguir fazê-lo.

Perdeu todo o sentido.

O meu coração esgotou-se de tanto gostar de ti.
Isso, perturba o meu raciocínio.
A minha alma grita ao ouvido do escritor que fui,
condena-o,
responsabiliza-o,
chama-lhe nomes grotescos,
faz-o querer desistir de tudo!

...quanto mais, da escrita...

No entanto, é isto que me resta.
É,
ASSIM,
que consigo sobreviver!

Estive perto de concretizar o sonho do escritor menino.

( Estive? )

A Vida,
esta Vida,
encarregou-se e encarrega-se de tirar-me muito do que amo
e quando estou a um passo do sonho,
um degrau,
constato que para além desse degrau aguarda-me o abismo,
o mais negro e o mais só de sempre...

Hoje, tudo é Pó.
Como ouvi cantar na Antena 3 esta manhã.
E Tu...e Eu...um dia...também o sermos.
Pó.

Será que há outras vidas?
Será que vai haver outra oportunidade, noutras circunstâncias?
Ou, será que estamos condenados e viver ciclos de um Amor fulminante,
que acabam sempre em tragédia...porque nos escapa "algo"?

"Algo" uniu-nos e "Algo" separou-nos!
..”algo”...

Obrigado, por me mostrares que o amor é muito mais,
do que meras palavras em livros,
cenas na televisão,
fotos nas redes sociais,
...e pensamentos solitários.

Obrigado,
por ensinares ao escritor menino,
hoje homem,
o peso das Palavras.

Suspeito que,
“Eu Amo-te” - tantas vez escrito,
por mim para Ti,
foi escrito,
para nunca mais,
voltar a ser reescrito!




(  Nessa noite solitária,
o escritor escrevia que nem um abandonado,
um verdadeiro louco desmiolado.
Porque não havia, a não ser Deus,
quem lê-se as suas palavras.
Na verdade, o escritor escrevia para si mesmo.
Escrevia para sossegar a tempestade que morava dentro de dele.
Teclava as palavras para suster o tumulto que consumia a sua própria existência.
Aquele seu lugar, esconderijo virtual feito de teclas e ecrã vazio,
era onde o escritor conseguia, (ainda ! )...falar com Ela,
...mesmo sendo que...Ela não o ouvisse!

Um dia...pensava ele,
entre lágrimas amargas que teimavam salpicar o qwerty,
pode levar uma eternidade,
até ser só e apenas um mero dia,
um dia...
quando te encontrares só,
ou numa praia onde caminhamos juntos de mão dada,
Tu há-des recordar,
...as palavras que leste
...e que nunca mais
...palavras semelhantes
...tornaste a ler.
Um dia ??? Bullshit!
Eram pensamentos desmedidos de um presunçoso sofrido,
agarrado às vivências e emoções presas num tempo que passara,
sem volta, sem contemplações, sem consolo.

É, o tempo passou...e passa...

O Escritor voltou a acreditar.
Consegue escrever.
O seu lugar outrora sombrio readquiriu novo brilho e o qwerty,
cúmplice de novas histórias, voltou a ser acarinhado.

Contudo,
o Escritor percebeu que não é o tempo que cura,
não,
nada disso.
Somente dentro dele reside a dita cura,
o único caminho para a felicidade.
Está naquilo que ele busca e pelo qual tem de lutar,
o poder para eventualmente encontrar,
o que procura,
e quem quer,
caminhando a seu lado.

E...não é que encontrou?!

Encontro Desmedido

 



Abre a porta do gabinete arrendado para preparar a reunião do dia seguinte.
De imediato, sente a presença de alguém que lhe diz -
“Entra, estava à tua espera, fica à vontade. Ainda bem que vieste.”

Mantém-se em silencio e na escuridão, tentando perceber o que está a acontecer.
Não era suposto...estar alguém ali...não aquela hora...com outra chave...
Uns passos em frente e dá conta que a porta se fecha atrás de si.
Reconhecia a voz...tinha quase a certeza...havia algo...
Tudo em ela sofre um abalo.
Dá conta que treme, sem frio, porque está em brasa!

Não esperando que ela responda, tira-lhe o casaco.
Depois, começa por abrir o fecho do vestido exótico preto, que ao cair no chão
desnuda todo um corpo sensual que esconde os seus lugares mais íntimos
na lingerie branca de bom gosto que trás vestido.
Depois agarra nela pelos ombros, para a conduzir, sem tropeçar.

É levada pelo espaço escuro aquecido, que se encontra preenchido por um aroma que desperta nela
uma familiar sensação de excitação feroz.
Quando ele enncosta o seu peito às suas costas, percebe que também se encontra despido.

Começa a passar as mãos no seu corpo,
acaricia os seios perfeitamente voluptuosos,
brinca com os mamilos que rapidamente endurecem ao toque atrevido,
vai descendo em direcção ao desejo que ameaça descontrolar-se dentro dela.

Imediatamente às suas nádegas contrai-em ao senti-lo tão firme.
Ela, sente o seu cheiro.
Tem aquele perfume com toques de madeira e baunilha misturados com seu próprio odor,
que lança o caos nos neurónios da memória dela.
As mãos dele conhecem-na, os seus dedos tocam-na com precisa delicadeza e força controlada.

Sugere-lhe, sem falar, o caminho até a mesa que se encontra praticamente ao centro da sala,
coberta por um tecido que, ao tocar, ela pecebe ser veludo espesso.
Trepa para cima da mesma, inclina-se e ergue o traseiro,
permitindo que ele agarre-lhe no pés, levantando-os,
como ela gosta.

Espera a investida dele com tesão desmedida...

Está a gostar,
apesar de não querer mostrar-lo,
sabendo que não deve,
mas...
está a sentir prazer,
com aquele homem sem rosto,
que no entanto,
ela sabe,
só pode ter,
um único rosto...

Miúda Minha



Tinha-se deixado conduzir pelo apartamento, seminua, como se não habitasse ali.
Era tão estranho estar a ser levada para um sitio que parecia ser desconhecido, dentro da sua própria casa,
como se tudo fosse irreal, um sonho do qual ia acordar a qualquer momento, mas que por enquanto, só queria que durasse.

Ele virou-a para si. Beijou-a na testa. Depois, na boca. Um beijo longo que a fez suspirar.
Afastou-se um pouco.

"Anda...tira ..." - sorria-lhe. - " tira...quero ver-te..."

Apesar da loucura inicial vivida na sala, em que o Papa Figos do Douro, a par das substâncias inaladas por brincadeira e
durante a qual ele lhe havia tocado, sentido sem pudor como estava molhada, a lingerie preta permanecia vestida,
tal como os saltos altos que ela comprara de propósito para aquela noite, tão aguardada.

Lançou-lhe o olhar típico dela, a mistura de menina-mulher que o inquietava, algo que emanava dela, algo que nem ela sabia definir,
mas que claramente tinha efeitos perversos sobre ele.
Lentamente, de lado virada para ele, ciente de todos os movimentos, fez descer a peça de lingerie pelas ancas até que a mesma
caísse para o soalho.
De seguida, colocou-se mais de frente e rodou o soutien para abrir o fecho sobre o vale dos seus seios, visivelmente excitados,
a traição evidenciada pelos biquinhos pontiagudos.
Fez questão de não tirar os sapatos. Sentou-se na cama...cruzou as pernas, apoiou-se, para trás, sobre os cotoveles
e mordeu o lábio inferior.
Dava-lhe gozo ver como ele a olhava.

"Espera um pouco. Já venho..." - e saiu, deixando-a a aninhar-se nos lençóis, de barriga para baixo

Percebeu que ele fora à cozinha e ao frigorífico.
Ummm, afinal não foi só o liquor para os aperitivos que pôs lá...- ponderou.
Remexeu-se na cama, o corpo nu roçando contra o lençol.
Não tardou até sentir o efeito do peso dele no colchão.
Umm..,que estranho, o que é que...só pode ser coisa dele...
Passou a língua pelos lábios secos, humedecendo-os.
Mantinha os olhos fechados, fazendo de contas que estava sonolenta.
Tentou mover as mãos, mas...um tecido que envolvia-lhe os pulsos, barrou-lhe os movimentos.
Ele está a amarrar-me à cama! - e os pulmões dela por instinto, sugaram o ar mais força.

Fazia-o de forma ligeira e ela entendeu que podia sair daquela situação facilmente, mas isso iria frustra-lo
e verdade seja dita, a curiosidade prendia-a ali. Já tinha imaginado um cenário assim...
O cheiro dele invadia-a, excitava-a cada vez mais, nunca tal sucedera com tanta facilidade.
Virou-se para o encarar mas logo um lenço, negro, delicado, foi-lhe colocado, retirando-lhe a visão.

" Abre a boca miúda! "

" Não! " - Disse ela, daquele jeito que o provocava.

Agora, as mãos delicadas tocavam-lhe no queixo, forçando-a a abrir a boca e tal como era seu feitio,
cerrou os lábios com força, mas não resistiu quando ele passou o polegar por eles,
para depois empurra-lo para dentro da sua boca, fazendo-a sentir vontade de mordê-lo,
ao mesmo tempo que uma quentura familiar fazia-se sentir nos outros lábios, mais abaixo.

" Eu disse para abrir..." - novamente a voz dele comandou, firme, mas ao mesmo tempo,sedutora.

Algo tocava-lhe nos lábios. Tentou, sem sucesso, desviar-se.
Sem alternativa, provou o que lhe era oferecido.
Era doce, a textura levemente áspera.
Sorriu, diante a criatividade do seu amante e tentou enrolar a língua na fruta para mordê-la, mas ele afastou-a.

" Ahhhh, agora já queres? " - perguntou maliciosamente.

Não lhe deu logo a fruta e quando o fez, o seu gosto vinha diferente, levemente ácido.
Percebeu que ela havia sido molhada em alguma bebida, que não consegui logo identificar.
Mordeu com afinco e o caldo grosso da fruta escorreu pelo canto da boca
enquanto ela circulava a língua na tentativa infrutuita de alcançar tudo.
Foi então que sentiu a língua quente dele percorrer os cantos da sua boca, lambendo-os.
Engoliu o pedaço da fruta rapidamente na esperança que aquela boca que tanto desejava se encontrasse com a dela,
mas não...
Havia outro pedaço de fruta carregada de uma espuma adocicada e cremoso.
É bom...
Queria perguntar-lhe o que era...mas depois...naquele momento a única coisa que
desejava ardentemente era prová-lo...a ele...não ao creme !

Só que, ele parecia ler-lhe o pensamento e limitava-se a brincar com amora, afastando-o da sua boca, fazendo-a de tonta.
Ouvia o risinho dele, divertido com o que a brincadeira lhe provocá-ra.
Finalmente, beijou-a, e para sua surpresa quase se engasgou quando ele deixou um líquido borbulhante escorrer da sua boca para a dela.
Meio atrapalhada tentou engolir tudo, mas era demais.

Espumante doce! Umm...o sabor era do espumante !
Mais uma vez, ele lambia-lhe os cantos da boca.

" Pára com a tortura! Sabes como te quero! "

" O quê...preferes...o gosto a mim? - perguntou, suavemente.

" Simm...quero...tanto! "

" Só mais uma..." - provocava-a.

Não usou as mãos para lhe dar a amora seguinte.
Os dentes de ambos tocaram-se quando ela lhe tentou roubar a fruta que estava entre eles,
fazendo-o afastar-se ligeiramente, permitindo a ela erguer a cabeça para tentar alcança-lo.
Finalmente consegui beijá-lo e as bocas afoitas dividiram a pobre amora.
Chupou os lábios dele rudemente, a sua língua afundando-se, vasculhando cada canto e roubando-lhe a respiração.

"Ahh...sim...vem...vem...quero-te..."

Sentia perfeitamente o seu corpo nu sobre o dela, insinuando-se, deixando-a senti-lo, fazendo a sua tesão procurar a dele,
levando-a a abrir um pouco mais as suas pernas para que ele se acomodasse melhor.
Ele então abandonou a boca para distribuir pequenos beijos pelo pescoço, orelhas, ombros, todos aqueles pequenos lugares
que a deixavam louca de desejo.
Mordiscou um dos meus mamilos lentamente e ora beliscava, ora lambia, a carne sensível,
até que ela estava tão enrijecida que chegava a doer.
Então, soprou a pele molhada e um arrepio involuntário percorreu-lhe a espinha. sendo impossível conter os suspiros
enquanto lhe agarrava pelos cabelos despenteados.
Ele desviou a sua atenção para a barriga e ela sentiu que ele se valia novamente do champanhe,
derrubando uma boa dose sobre ela, provando cada milímetro de pele.

Meu Deus,como é bom...como é fodido sentir-me assim!
Quase que se envergonhava do grito que deixou escapar quando os lábios dele lhe envolveram o sexo.
Era tão bom, e ele fazia-o tão bem, a sua língua habilidosa deslizava por cima daquele botãozinho carnudo,
excitado, chupando, contornando, dando-lhe pequenos toques que a fazia tremer descontroladamente.
Os seus movimentos eram calmos e firmes e ela entregava-se, confiava, totalmente, nele.

"Ahh...sim amor...sim...não pares...vai ...não pares! "

Uma de suas mãos segurou a base do seu sexo e ela podia sentir que não iria resistir por muito tempo, que nem desejava isso.
Primeiro um, depois outro...os seus dedos buscavam lugares que só um amante de longa data poderia saber
e ele sabia exactamente onde tocar e ela, mais uma vez, deixava-o ir mais além.

Já imaginava o sorriso dele ao vê-la despertar diante de suas carícias ousadas, fazendo os seus músculos contraírem-se.
O prazer tornou-se insuportável e ela explodi na boca dele, sem conseguir controlar-se, sem querer controlar-se.
Arqueava-se e empurrava a sua intimidade de encontra à boca dele.
Por fim, deixou cair-se sobre o colchão, braços pesados,esticados acima da sua cabeça, para cima das almofadas.
Sentiu que ele se debruçava novamente sobre o seu corpo...esperava-o.
Ele não pararia ali.
Ela sabia.
Desde o início.
Queria prová-lo.
Queria-o de qualquer maneira...

" Eu... ahhhhh..." - o corpo dela contorcia-se, ansioso pelo toque dele.
" Eu quero-te!...Agora...dentro de mim !

Não aguentando mais. Queria tanto unir-se a ele, tê-lo só para si.
Guiou-o para dentro dela ao mesmo tempo que lhe acariciava a dureza.
Achava incrível a forma como o seu corpo respondia ao dele, arrancando gemidos abafados da garganta
à medida que o ritmo da penetração aumentava, o corpo dela cedendo às investidas do seu amante.

" Deixa-me pôr em cima de ti...quero..."

Ele ajudou-a a sentar-se ao seu colo e continuaram a mover-se, estabelecendo um ritmo cadenciado,
ela, agora acostumada à sensação de ser preenchida totalmente por ele, afundava os seus quadris de encontro aos dele,
arrancando-lhe gemidos longos.

De repente, ele fez-a parar.
As suas mãos alcançaram-lhe o rosto, afastando os cabelos longos húmidos da testa.

" Tu és tudo para mim..." - disse, enquanto os dedos dele passeavam, lânguidos, pelo seu queixo, pelos lábios.

Moveu o rabo sobre o colo dele, mãos enroscadas no cabelo, torcendo-os entre os dedos e ele respondeu
ao seu olhar voltando a mexer-se.

" Sou tua...só tua..."

O seu sexo roçava deliciosamente contra ele e aquilo foi suficiente para que ela se viesse mais uma vez,
cabeça tombando sobre o ombro dele, procurando apoio, enquanto a respiração falhava por um momento.
Erguia-se e apoderava-se dele, movendo-se de forma quase selvagem, vindo-se de forma quase continua,
molhando-o completamente, e, como não podia deixar de ser, facilmente apercebesse do aumentou de ritmo,
para em seguida senti-lo estremecer violentamente, enchendo-a.

Abraçaram-se.

Então...era isso...
Eram um do outro.
Sentia, que ele a pertencia. Sentia que ela, também era dele.

"Ummm...que noite amor...que doido que tu me saíste. Nunca me senti assim com ninguém. Tiras-me do sério! "
Ria-se livremente, feliz, inteira, cúmplice.
" Que noite ??? " - era a vez dele de brincar - " Ainda não terminou..."

Acompanhou o olhar que ele lançou até onde se encontravam as amoras pretas, caprichosamente arrumados numa tigela,
mais o chantili, dois flutes e a garrafa de espumante num balde com gelo, onde, curiosamente, o lenço preto tinha mergulhado.
Sorriu e aninhou-se nele.
O tempo estava de folga.
Afinal, a noite estava apenas a começar.

Desejos Celestiais



Estava mais do que ansiosa.Será que tinha vindo mesmo?
Ou teria sido apenas um encontro casual e picante, uma mera coincidência,
dois lugares num avião, lado a lado...

Entrou.
Não ouviu qualquer barulho para além de uma música a tocar baixinho.
Parecia que não havia ali ninguém. Reconheceu - era o Russell Watson a intrepertar Caruso.
Tinha gostado de conhecer e de ouvir no telemóvel dele, durante a viagem.
Contudo, na verdade, não o conhecia e o corredor que passava pela provável casa de banho tornara-se imenso,
silêncioso e algo assustador.
Repentinamente, sentiu o cheiro, aquele cheiro!
Ela já conhecia aquele perfume que tomava conta do seu ambiente, uma consequência de lugares próximos...
Estava por perto, algures...movia-se na sua direcção.
Ficou imóvel.

Sentiu a mãos dele nas costas, mexiam-se, de cima para baixo, fazendo com que um arrepio lhe subisse espinha acima.
Beijou-lhe a nuca demoradamente.
Traçou uma linha imaginária com a ponta da língua pescoço acima.
Mordeu-lhe o lóbulo da orelha ao de leve.
Depois pegou-lhe nas mãos e conduziu-a quarto adentro.

O cenário era avasalador...velas, incenso, a música suave...tudo parecia perfeito.

Sentou-a numa enorme e confortável poltrona aveludada, ajoelhou-se e tirou-lhe os sapatos de salto alto,
olhos fixos nos dela, os cantos a denunciarem um sorriso maroto.
Tinha apenas uns boxes pretos vestidos, que lateralmente apresentavam um risca vertical branca.
Ela sabia o que aconteceria dali em diante.
Desejava ser dominada, ansiava por ser a sua prisioneira...

Começou a beijar-lhe os tornozelos, serpentiava pelas pernas, subindo pelas coxas,erguendo o elegante vestido que ela trazia,
expondo a cuequinha preta, escolhida a preceito por ela.
Gemeu e esboçou um sorriso, sabia que ele ia perceber o quanto ela já estava excitada quando ficasse totalmente exposta.

Com os dentes, ora de um lado, ora de outro, ele fez deslizar aquela peça de roupa íntima para o chão.
Colocou-a de pé, soltou as alças pelos ombros, capultando o vestido na mesma direcção e beijou os seios macios e quentes,
percorrendo caminhos com a boca, provando a erecção dos mamilos famintos de saliva envolvente e chupões atrevidos.
Sentia o prazer.
Queria entregar-se a ele, desfazer-se nele...
Sentia como ele brincava como os biquinhos pontiagudos e quando ele passou a mão na parte interna das suas coxas.
não aguentou, contorceu-se e deixou-se cair para trás na poltrona, pedindo que ele continuasse, que não parasse.

Na cabeceira da cama, ao lado da cadeira, encontrava-se uma taça de champanhe borbulhante, estupidamente gelada.
Ele levantou o olhar, sorriu, bebeu um golo e passou a língua pelos lábios em brasa.
Bebeu mais um pouco.
O olhar dele era sereno, seguro, cativante, enaltecedor, como se, já fossem amantes noutra vida.

Ela, mostrou-lhe o que já adivinhara e queria.
Num movimento suave mas deliberado abriu as pernas e tocou-se,
levando o olhar dele a desviar-se até onde os dedos dela começavam a circundar o botãozinho carnudo,
inchado e ávido da boca dele, provocando nela uma gargalhada encoberta de quem gosta de provocar e ser provocada.

Gemeu alto ao sentir a boca dele aninhar-se no sítio, a preparar o caminho para o delírio,
saboreando toda a sua intimidade, todo o gosto dela, tudo que vasava em ondas de prazer, escorrendo
e ensopando o assente junto ao ânus dela.
Não ia demorar muito, pensou, a sua respiração estava ofegante, intensa...depois...
...depois seria a vez dele...ser dela...mas agora...
...agora queria gritar!

Bocadinhos de Bocados

 



Dá a entender que está na hora.
Procura os olhos dela.
Levanta-se.
Caminha na direcção dela.
"Vamos até à varanda?"

"Pode ser...realmente está muito calor aqui..." - reponde-lhe prontamente, quase sem pensar,
a sorri simplesmente, sentindo-se vitoriosa por o ter à sua mercê,

Num canto, o mais afastado possível, ele beija-a, enrolando a sua língua furiosamente na dela,
enquanto as palmas das mãos apertam a curva dorsa,l num gesto de possessão de encontro ao corpo dele, pedindo que lhe mostre que também o quer.
Os dedos dela, encobertos dos olhares alheios pelos corpos de ambos, avançam tacteantes pelo interior da perna dele até lhe tocarem.
"Quero-te..." – sussurra, e passa a língua visivelmante pelos lábios, como se sentisse já o sabor dele entre eles.
"Também, muito..." – a voz dele, meia rouca, evidencia-lhe o desejo contido.



O carro pára abruptamente.
Ele sai e dá a volta, abrindo a porta do lado dela impetuosamente.

Não consegue se não semicerrar os olhos e esboçar um sorriso atrevido.
"Como é que adivinhaste os meus pensamentos?" - e sentada, já virada para ele, desaperta-lhe o cinto das calças.
Segura-o entre as mãos, sabendo a carícia que ele deseja, apertando-o e deslizando as mãos pela carne palpitante
até ele a fazer parar - "És terrível miúda..."
Puxa-a por um braço, enquanto ela solta uma risada de puro desejo e encosta-a ao carro, virando-a num só gesto de costas para ele.

O som grilado da noite amena é subitamente distorcido pelo romper das colantes e do rasgar das cuequinhas dela
e ela sabe que ele lhe vai dar o que tanto deseja.
Coloca-se a jeito, e ajuda-o a ergue-lhe uma perna, para a penetrar com força, vezes sem conta,
com cada investida um gemido de prazer consentido de paixão reclamada,
até se ouvirem os gritos a ecoarem pelo silêncio daquele lugar recluso a projectarem-se de encontro à lua, cúmplice e matreira.

Por fim, ela deixa-se cair de encontro ao peito dele e os corpos seminus suados, abraçados, sentem pela primeira vez
a brisa tardia, que refresca a pele ardente de beijos ainda sedentos, mesmo depois de terem bebido da paixão
que ambos carregavam dentro de si, desde a primeira hora.

"...o que estás a pensar? Conheço esse olhar..." - diz-lhe, ao vê-la entrar no automóvel, passar por entre os bancos da frente,
sentando-se de forma provocadora, de pernas abertas no banco de trás.

"Anda amor...anda ...faz-me vir outra vez..."

Ele também a deseja e não se faz esperar.
Põe-se de joelhos, encostado ao corpo escaldante.
Apalpa-lhe os seios tesos e brinca com os mamilos erectos enquanto a beija.
Desliza os dedos pelo seu corpo abaixo até ao ventre, até ao clitóris inchado que o aguardo faminto e louco de tesão.
Excita-a, introduze um dedo, dois, acariciando, massajando a carne da sua intimidade que se vai rendendo ao desejo,
molhando-se em ondas quentes e prazerosas, entre suspiros e frases soltas que vão saindo dos lábios dela.
Está preparado para amá-la de novo e ela ansiosa por o receber.
Não hesita e avança para mais uma viagem pelos caminhos da luxúria, agora, sem pressa, com ternura, com amor.

A manhã vem encontrá-los abraçados e o sol penetra por entre as janelas para deixar beijos nos seus rostos.

É mais um dia que recomeça naquele jogo que é a vida,
composto de gestos,
sensações,
desejos,
emoções,
tristezas,
alegrias,
sentimentos,
perdas e conquistas.

Mais uns bocadinhos que passaram...e que ficariam...para sempre.

Os guardanapos Dela

 



São três e meia da manhã.

O bar está quase vazio.
Quase.
Há uns poucos clientes espalhados pelo espaço, todos sendo servidos por empregados
cansados e exaustos
que mal podem esperar para vê-los pelas costas.

Diferentemente dos demais, ela encontra-se sozinha.
Como sempre.
Como das outras vezes.
Casco negro cumprido misturando-se com ondas de cabelo loiro,
calça de ganga justa e botas que mais pareciam destinadas ao NBA.
Lá está ela, ainda mais uma vez, sentada e acompanhada apenas pelos seus cigarros,
seus pensamentos,
sua bebida e seus papéis, ou melhor, guardanapos.

Escreve sem parar desde que chegou.
Escreve e escreve e escreve.
Palavras desconexas, palavras coloridas,
palavras doces, palavras confessionais.

Está a escrever uma carta para alguém - pensa ele.
Uma pessoa querida, bastante querida.

Ele imagina saber que os textos albergam, todos eles, uma declaração de amor
por alguém...

Não haveria sequer uma palavra a mais do que o necessário.
Tudo o que ela sempre quisera dizer estaria lá, naqueles pequenos guardanapos
de papel vagabundo, amassados.

Entre um e outro cigarro e pequenos goles de Martini Bianco, ela dissecava toda a sua vida,
todo o seu amor, toda a sua dor.

Sim, sabe que está a fazer uso da bebida - reflecte -
aproveita para afastar o medo e escreve tudo aquilo que esconde lá dentro.
Aproveita o senso turvo para se abrir.
Como nunca.
Como sempre quis.

No final de um provável décimo guardanapo, ele apercebe-se que ela decidiu ir-se embora.
Com os olhos vermelhos e cansados e cheios de lágrimas, pede a conta, paga,
levanta-se e dirige-se pesadamente, à saída.

“Desculpe...”

Ela vira-se e pergunta - “Eu ?”

“Sim...esqueceu isto...” - diz ele, apontando para os guardanapos.

“Pode deixar aí mesmo” - responde, disfarçando as lágrimas.

“Umm...não entendo.
A senhora passou a madrugada toda a escrever e agora vai-se embora,
deixando-os aqui ?

Vão deitá-los no lixo...como os outros...que já ficaram por aqui...
não que eu tivesse visto...quer dizer...
lido o que está neles...
isto é...bem...quero dizer-lhe...parece-me muito triste...
não está certo!”


Ela olha-o com um sorriso terno.
“Então, não os deite fora.

São, mais ou menos, como que uma declaração de amor.
Uma declaração sem fim...aliás...

Dê-os a alguém que você ame.”

Ficou ainda mais desconcertado.
Confuso, pergunta - “Mas...porque não os entrega a quem estão destinados?”


Ela apenas sorri, a mágoa flamejando em olhos brilhantes e escuros.
“Entregue-os a alguém que você ame. Mas tenha a certeza...que também o amam.
Boa sorte...desejo-lhe sorte...mesmo...”

E, numa redopiar suave, dirige-se à saída, com uma elegância silenciosa.

Ele, fica parado, guardanapos na mão, palavras prisioneiras a inchar-lhe a garganta.
Merda !
Grande merda ! - berrava-lhe o seu ego estilhaçado.
Mais uma vez, não foste capaz !


“Olha, olha ! Então ? Está na hora ! Vê lá se te despachas com as mesas...
Que fazes aí especado com esses papeis nas mãos ?”

“Nada !!!”

Mais uma vez, iria guarda-los e lê-los mais tarde,
pela madrugada adentro,
o aroma dela a invadir-lhe os sentidos,
o corpo,
a alma...


Da próxima vez ! - pensa - da próxima vez...

SE fosse Teu espelho

 




Vejo-te entrar em casa e às escuras buscar um copode sumo gelado para bebericar no quarto.
Acendes a luz do candeeiro da mesa de cabeceira,
ligas o portátil e escolhas uma música romântica.
Sincronizas o whataspp e vais ver as mensagens no messenger.
Cai uma mensagem minha.
Digo que quero ver te.
Respondes que estás cansada, que não queres sair de casa, para eu ir até lá.
Prometes-me um "algo especial" e eu cedo ao teu pedido.

Começas a despir-te devagarinho.
Passas em frente ao espelho - à minha frente...
Observas-te na semi-escuridão,
a cuequinha vermelha moldada suavemente ao teu sexo,
o soutien atrevido elevando sensualmente os teus seios.
Sentes-te excitada, algo endiabrada.

Deslizas as mãos pelo corpo imaginado que sou eu,
a tocar ao de leve nos tecidos macios.
Deixas cair a peça de cima,
circundas um mamilo tenro e rosado com dois dedos,
a outra mão já vagueia por entre as pernas.

Estás quente e anseias pelo meu toque,
a invasão do teu corpo pelo meu.
Sucumbes ao desejo,
mexes em ti numa ansiedade crescente,
gemidos contidos mais do que libertos.
Fechas os olhos,
a cabeça tombando para trás.
A entrega é agora muda e silenciosa,
o cabelo longo acaricia-te as costas,
provocando arrepios de prazer.

Retiras a lingerie molhada,
tocas-te,
encontras o botãozinho palpitante.
Esfregas-te com ardor,
sem qualquer pudor.
Penetras-te com habilidade.
O prazer ameaça tornar-se insuportável,
o teu sexo contrai-se,
as pernas tremem por antecipação.

Abres os olhos,
olhas a mulher reflectida no espelho - olhas-me...
Boca entreaberta,
respiração ofegante,
expressão em êxtase.
Aumentas a fricção,
mil pontinhos de luz explodindo em teu redor.

E,
olhas o espelho de novo - olhas-me...
no momento exacto - olhas-me...

A imagem reflectida alcança o clímax
e tu vês como ela desliza até ao chão,
de joelhos,
prostrada e ofegante,
batimento cardíaco loucamente desenfreado.

Levantas-te.
Sorris aquele sorriso tão teu,
pensamentos voando,
tesão por sossegar,
ansiosa por ouvir a chave na porta.

"É só um bocadinho amor, vou tomar um duche."

Piscas-me o olho - quer dizer - ao espelho...

Nothing compares...



He stood up as he undressed, making sure she could see him do it.

Then, getting on his knees, he moved behind her and eased her legs apart,
just enough to have full access to her pussy that by then was sopping wet from expectation.
He chose to work his fingers between her lips, igniting her arousal and increasing her wetness,
making her mew into the pillow, while spreading her knees further apart.


He kept at it until abundant fluids began to flow, making it easy for him to spread them upwards,
between her crack and over her anus.
At first she twitched when he pressed against the small, tight hole with his slippery finger,
while covering with the other hand her mound, letting a finger slide between the lips to coax
her open with subterfuge, fingers stroking her clit as he pressed an index finger into her anus
until just the tip was buried in her.
She moaned and moved.
With each roll of her hips, she impaled herself a little more onto his finger until
it was halfway inside her.

He was careful not to let her cum yet and so teased her clit, giving and denying her in turns,

stretching her lust until he felt she was ready.

“Do you want to cum?”


“Oh please…God yes....”

“But my love" - he whispered - "I want you to come on me...”

She panted and rolled her hips again.”Yes… my love, yes...I want to!”

Positioning himself behind her, shaft in hand, he eased the head of it between
her swollen cunt lips, teasing her softly.
Again, he wished he could have seen her face as he did this because it'd have
given him immense pleasure to watch her as he penetrated her.

Slowly, he eased the head of his cock into her pussy, and heard the most gorgeous
moan from her throat, she was burning and tight, and pushing into her was delicious.
Then, he began to move, fucking her, slowly and evenly, causing her to
press back, meeting him
as he filled her, gasping at each stroke as she felt him sink deep into her,
the soft skin of her backside calling to him, having him grab her buttocks while pumping her,
revelling the grunts she was making, knowing that the gentle part of her
was being stripped away with each thrust.


He bent over her and reached for her breast, taking the nipple between his fingers and
squeezed the erect flesh, ever so gently and now and then bit harder.
Immediately, she groaned and forced herself back at him, her muscles squeezing his cock,
greedy for what he was feeding her.


“Oh fuck!” - she cried - “God…don’t stop…please...don't fucking stop !!!”

“I won’t…not until you’re there...” - and, he wasn’t talking about the orgasm...and, he was sure she knew it.

He released her nipple and bent forward until one of his hands encircled the back of her neck,
pressed her face sightly but firmly onto the pillow and began to pound into her.


And so, quite suddenly, he felt the body beneath him change, the rhythm of her undulations
becoming fluid as she spread her knees as wide as they would go.


“Yes!...oh yes...yes!!!..” - she yelled, eyes open and yet, as if they were blind.

She was there, where she had wanted to get back to...for so long.

He could hear the animal sounds she made as she started to come around,
a hidden part of her awakening, her presence filling the room, the heavy scented air slowing
his pace as he fed her deep thrusts that took him to the edge as well...and pushed him over.

When he pulled out, she let go of a soothing sigh, as if loosing a part of herself.

“You're wonderful...” - she murmured.

“Did you remember, my love?’"

She nodded her head and closed her eyes...
And...was asleep in seconds.