terça-feira

Convite Inesperado



"O que fazes Sexta-feira ou Sábado à noite? Queres jantar comigo? "

Sorriu.
À quanto tempo não era "convidado"?!

Contudo, a pergunta era colocada de forma bem clara, não era uma mera sugestão
ou brincadeira que por vezes as pessoas que se conhecem há pouco tempo acabam
por fazer, meio a medo.
Não, o convite fora feito de forma intencional.

Tinham-se conhecido cerca de um mês e tal antes de ele ir de férias,
aquando de um evento ( ele agora ia a todos os eventos que podia... )
ligado à sua área profissional.
Na unidade hoteleira em questão, decorriam dois eventos naquela noite,
sendo que um deles destinava-se ao ramo da "beleza e bem estar".
Foi quando estava sentado ao balcão do bar com um colega que reparou
no grupo de mulheres, na casa dos seus trintas e muitos, na mesa do outro lado da sala.
Rapidamente concluíra que deviam estar ali precisamente para atender o tal evento,
"das coisas para gajas" como tinha dito um tipo endinheirado mas bronco,
dono de uma loja concorrente à sua.

Traziam vestidos elegantes e via-se que sabiam estar num local assim.
Enquanto bebericava o seu Martini, ia passando discreta revista às sete raparigas
que partilhavam uma sangria bem frutada.
Quase todas eram engraçadas, mas, haviam duas que sobressaíam pela sua postura
e uma em particular pelo amplo sorriso e cabelos longos ondulados.

Sem ser intencional, o seu olhar acabou por apanhar o dela provocando um compasso
de espera seguido de um recuo levando que nunca mais o olhará, nem mesmo quando
ele se dirigiu ao auditório.

Contudo, a noite não acabaria sem eles se cruzarem novamente, depois de terminadas
as palestras, no bar do andar panorâmico do hotel, naquilo que era a parte da noite
destinada à diversão e convívio ( e bebedeira...) ao som do DJ contratado.

Uma troca de sorrisos ao balcão perante a coincidência de se terem deslocado ao mesmo
tempo para pedir um drink, acabou por levá-lo a dizer "boa noite" e dessa vez,
sem hesitação, ela respondeu.
O sorriso dela era sem duvida uma arma poderosa que aliado à figura esbelta,
deixava a sua marca.
Gerou-se uma conversa ligeira enquanto esperavam e acabaram por se sentar
à mesma mesita redonda no canto mais distante do barulho, perto da piscina.
Falaram dos eventos, dos seus trabalhos, onde estavam a trabalhar...e tantos outros
pormenores ligados a esses temas.
Claro, perante uma mulher assim era impossível não haver uma brincadeira charmosa 
e um elogio, aqui e ali, que normalmente fazia uma mulher soltar o seu riso.
Dizer-lhe que estava elegante era o mínimo que o homem pode dizer e ouvir
um "olha que tu também estás muito bem" sabe sempre bem.
Deu para perceber que era uma mulher não casada, estruturada, que brincava até
com a idade que tinha ao dizer que não havia colheita melhor do que a dela,
mas que nem todos estavam "capacitados para serem apreciadores verdadeiros",
fazendo com que fosse ele, a rir.
Isto, a propósito do Papa Figos que ele pedira para esquentar um pouco a conversa
uma vez que a brisa fresca e melada do Tejo, aquela hora, era bastante notável,
sobretudo para quem está de ombros ao léu.

É, o serão tinha sido agradável.
Acabariam por trocar números de contacto e deixar no ar que seria bom continuar
a converso noutro dia.
Em dias seguintes, aconteceram trocas de mensagens esporádicas,
sem malícia ou segundas intenções, ficando a ideia do "próximo evento" no ar.

Ela foi de férias e ele também.
" Boas férias e bom descanso!", dissera-lhe.
"Para ti também!"

Agora - agora o convite...( ! )

Era tentador.
Sair com uma mulher interessante para passar uma noite diferente.
Sentir novamente o que é ser apreciado.
Ter a possibilidade de estar e falar sem o peso de que teria de haver "algo" ou
sexo por de trás de um jantar aconchegante e simpático.

Jantar?
Talvez...
Sim, porque não?
Seria um homem cortes e honesto.