Insinuava-se, em gestos lentos
como a brisa de um sopro de vento.
Sorria, linda e ousada
como o reflexo do seu próprio corpo desnudado.
O perfume da sua pele precedia-a,
como prelúdio de um instante que está para chegar.
O fogo da sua alma
incendiava o ar que se aquecia nela.
Da sua voz gemia música que abraçava as notas
fazendo as palavras gritar com o seu próprio prazer.
Ele, espectador atento,
limitava-se a esperá-la,
esperando pelo seu tempo.
Deixava o olhar deslizar por todo o teu perfil,
como um suave traço de contorno,
um risco imaginário com a ponta dos dedos.
Apurava os sentidos,
retirando dela o brilho que lhe ofuscava o olhar
e o calor que aquecia a pele.
Inalava-a,
em cada inspiração,
como se a houvesse dissolvido
naquela atmosfera contagiante.
E depois...
Depois quando os corpos se encontravam,
o universo recomeçava com uma explosão de energias
que iluminam,
o infinito vazio,
de cor!
O tempo começava do zero,
como se antes não existisse um único segundo!
As bocas calavam-se num beijo longo
e no olhar nasciam as primeiras galáxias,
que ficavam no espaço,
perduravam e rodopiavam,
inesquecíveis,
remoinhos de prazer...
quarta-feira
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