"...então porque é que ainda estás preso a essa relação?"
"Não estou...eu já não penso nela desse jeito..." - respondeu,
meio encavacado com a pergunta colocada de forma directa.
"Achas? Olha, para tua informação, os teus olhos continuam a ter
aquele brilhozinho quando falas dela...acho que só tu é que não percebes isso Paulo..."
"É impressão tua...Também, já estamos a falar disto há largos minutos,
é natural ficar incomodado..."
"Achas mesmo?" - interromperam-no.
"Achas mesmo?" - interromperam-no.
"Natural? Não vês nem estás com a rapariga, logo mais há 2 anos,
andas a namorar outra, que por sinal é cinco estrelas
e até um ceginho percebe que não esqueceste a ex que te virou de pernas para o ar..."
"Esquece...não vale a pena continuarmos com esta conversa.
É sempre a mesma coisa.
Vocês não conseguem entender...não percebem...é demasiadamente complicado...
Um dia quando encontrares alguém que mexa com os teus sentidos mais profundos vais ver.
Vocês não conseguem entender...não percebem...é demasiadamente complicado...
Um dia quando encontrares alguém que mexa com os teus sentidos mais profundos vais ver.
Quando sentires em cada beijo uma ligação.
Quando fizeres amor e perceberes que te perdes nela.
Quando tiveres saudades sempre que ela vá embora,
mesmo sabendo que a vais ver dali a umas horas..."
"Pára! Ok? Pára lá com isso! Xiça ! Estás bem pior do que eu pensava!
O que andas a fazer há meses? E...para quê este namoro?
"Pára! Ok? Pára lá com isso! Xiça ! Estás bem pior do que eu pensava!
O que andas a fazer há meses? E...para quê este namoro?
Digo-te...não estás a portar-te nada bem!"
Olhou a amiga fadista, como passou a chamá-la, atentamente.
Pareceu-lhe mesmo, que ela estava algo irritada e desapontada.
Estavam no fim do almoço que ela lhe prometera aquando da vinda a Lisboa
Olhou a amiga fadista, como passou a chamá-la, atentamente.
Pareceu-lhe mesmo, que ela estava algo irritada e desapontada.
Estavam no fim do almoço que ela lhe prometera aquando da vinda a Lisboa
para concluir a edição do seu último Cd.
Conheciam-se há vários anos e se bem que nem sempre a proximidade fora grande,
havia entre eles um respeito mútuo e amizade sincera.
Sabiam o suficiente da vida de um e do outro para poderem trocar, abertamente,
pontos de vista e opiniões.
Aliás, talvez por isso mesmo a amizade sobrevivera às inúmeras alterações
ocorridas na vida de ambos.
Curiosamente, a Ana sempre suspeitara de um caso amoroso, contudo,
nesse domínio apenas uns beijos de ocasião, em jeito daquilo que se podia
rotular de "curtição", tinham acontecido.
Pegou no copo de pé alto e deixou que o tinto forte e encorpado aquecesse o gelo interior.
Que dizer? Como justificar? Para quê querer, se quer, explicar o que se passava dentro dele?
"Tens razão. Eu sei que tens. O Jorge diz-me o mesmo ou pior." - sorriu forçadamente.
"Eu sei que tu sabes. És a pessoa mais pragmática e racional que conheço.
Que dizer? Como justificar? Para quê querer, se quer, explicar o que se passava dentro dele?
"Tens razão. Eu sei que tens. O Jorge diz-me o mesmo ou pior." - sorriu forçadamente.
"Eu sei que tu sabes. És a pessoa mais pragmática e racional que conheço.
Mas amigo, estás perdido. Tens de perceber de uma vez por todos que acabou.
Não dizes que desde a separação não houve qualquer contacto da parte dela?
Então? Não queres ver...".
Falava-lhe agora num tom mais calmo, carinhosamente, de certa forma comovida.
"Pois...é me difícil compreender..." - respondeu-lhe, olhos no copo que pousará mas
Falava-lhe agora num tom mais calmo, carinhosamente, de certa forma comovida.
"Pois...é me difícil compreender..." - respondeu-lhe, olhos no copo que pousará mas
que ainda segurava, fitando os dedos em torno da base cristalina.
"Dei-lhe tudo de mim...sabes? E tudo que ela me fazia...dizia...
"Dei-lhe tudo de mim...sabes? E tudo que ela me fazia...dizia...
Tudo que partilhamos...que passamos.
Tanto que sonhamos.
Trabalhei e passei tanto para chegar até...
Dei-lhe um anel...não sabes...nesse dia ficou tão feliz..." - calou-se.
Dei-lhe um anel...não sabes...nesse dia ficou tão feliz..." - calou-se.
A voz faltava-lhe.
"Calma. Vá lá. Não adianta nada ficares assim.
"Calma. Vá lá. Não adianta nada ficares assim.
Sabes, a sensação com que fico é que tu ias numa direcção e ela noutra.
Acredito que partilharam algo muito forte e especial. A sério Paulo, acredito.
Só que, conhecendo-te, provavelmente não reconheceste os avisos à navegação
que ela te foi dando.
Para ela...desculpa amigo...para ela tu não a tinhas como "a" prioridade.
Para ela...desculpa amigo...para ela tu não a tinhas como "a" prioridade.
Com certeza viu-a nas tuas filhas, no teu orgulho em não falhar...coisas assim.
Se calhar, no inicio e durante muito tempo amo-te por todas essas qualidades.
Só que...as pessoas mudam...e os seus objectivos de vida também.
Tu, és um homem maduro. Ela, conheceu-te assim.
Ela não era...Foi à tua beira que amadureceu."
"Achas que apaixonou-se por outro?
"Achas que apaixonou-se por outro?
Que queria deixar tudo para trás para estar com alguém que não a conhecia tão bem,
em todos os aspectos, como eu conhecia? Achas que na cama..."
"Pera lá homem!" - a mulher à sua frente repreendia-lhe com franqueza.
"Tudo isso que dizes é possível. Mas...o que importa?
Ela fez uma escolha. Tens de respeitar.
Se um dia ela quiser, falará contigo.
Se um dia ela quiser, falará contigo.
E, não tenhas assim tanta certeza que não te acompanha de algum modo.
As redes sociais facilitam bastante as coisas.
Olha...provavelmente não diz nada porque acha que isso seria mau para ti.
E eu...já agora...acho que tem razão!" - e soltou uma gargalhada bem disposta
que o fez sorrir também.
"É...pois é...Não te rias...ok?
Eu...eu...tenho mandado umas mensagens de vez em quando.
Tipo de parabéns...bom natal...e outras cenas.
Às vezes...às vezes doí pra caramba..."
"Não acredito...és demais. O teu maior inimigo. Sofres porque queres."
A frase foi que nem o soco bem dirigido às partes moles do seu corpo,
"Não acredito...és demais. O teu maior inimigo. Sofres porque queres."
A frase foi que nem o soco bem dirigido às partes moles do seu corpo,
a pancada psicológica acertando em cheio de sua debilidade.
Foi-se abaixo.
Fez por se aguentar.
Conteve a respiração.
"Desculpa...eu não queria magoar-te...desculpa..." - pediu-lhe a amiga,
vendo como os olhos dele se enchiam de um mar claro revoltoso,
oráculos de sofrimento contido, testemunhas da vida que ele esforçava-se
por viver no dias de agora, sem a esperança de outros tempos,
sem a magia de um amor único.
"Escuta. Por favor escuta-me." - continuou.
"Tu tens de encontrar força em ti...ser aquele pessoa que és capaz de ser,
que foste e tens sido para outros...até para ela.
E, tens de perceber, outra coisa.
Podes estar a sabotar, inconscientemente, a tua actual relação."
"Eu sei...ela por vezes chama-me à atenção certos comportamentos meus..." - retoquiou.
"Mas foi honesto. Não escondi nada nem faço promessas..."
"Tudo bem. Não duvido.
Pelo que vi no jantar da outra vez que cá estive, e o teu amigo de certeza também,
a Ika está apaixonada por ti. Tu, ainda gozas daquela aura especial.
Por enquanto perdoa-te esses momentos e espera conquistar-te.
Mas isso - isso não durará para sempre.
A uma mulher como ela não faltam pretendentes.
E como dizem os ingleses - e tu gostas tanto dos provérbios deles,
Get your act together!"
" You're absolutely right." - respondeu, sorrindo simpaticamente perante
a súbita inspiração linguística da sua companhia.
Tinha-se sentido envergonhado.
Apesar da aparente compreensão demonstrada, ele não podia deixar de
reconhecer que, de facto, estava a iludir-se...e pior...a pôr em causa os
sentimentos de outra pessoa...de quem merecia o seu amor e dedicação.
Hoje, a escreve este texto, ainda mais.
Porque, apesar daquela conversa, apesar de saber racionalmente TUDO,
permiti que as nuvens das recordações e as mais maravilhosas recordações
voltassem a claudicar-me, mais uma vez, os pensamentos e o raciocínio.
Não poso continuar a mandar mensagens e afins, como ontem...
Não posso. Não devo.
Não posso contactar mais Contigo
Tenho de fazer prevalecer o que Tu me disseste - "O que tiver de ser teu será!"
Tenho de aceitar, de uma vez por todas,
que Tu não sentes a minha falta na Tua vida,
que Tu não pensas em mim nem Te lembras de nós juntos.
que não tens, mesmo, o direito de saber o que, ainda, sinto por Ti
que não tens, mesmo, o direito de saber o que, ainda, sinto por Ti
Sim, é isso.
Aceitar que TU não me amas há muito, muito, tempo.
Lembrar-me, sempre, de como tudo acabou e o que TU fizeste.
Lembrar-me, sempre, de como tudo acabou e o que TU fizeste.
Queres uma resolução Fim de Ano, meu grandíssimo cabrão?
Tens de a ESQUECER...
( deixa de ser IDIOTA !!! )
Tens de a ESQUECER...


