segunda-feira
Christmas Eve's morning
Tango das 4
tal são os espasmos que começam a tomar conta da zona pélvica,
atirando a vulva quente que transborda em torrente descontrolada de encontro
à boca dele, absorvendo em simultâneo os dedos que a tocam no lugar mais sensível
que mora dentro da sua intimidade.
Então, ele envolva-lhe as nádegas com o ante braço mantendo o trabalho assertivo
no interior dela, prendendo-a a ele, imprimindo ainda mais pressão e frequência
aos movimentos e às lambidelas que desfere sobre os lábios e sua protuberância carnuda,
inchada e suculenta, à completa mercê dele, desejosa de participar nas convulsões
gritadas que anunciam o momento de êxtase.
Chegara o momento.
Vai ao encontro da boca dela e dos gemidos maravilhosamente comprometedores,
beijando-a com paixão, deixando a tesão tomar, finalmente, conta dele.
Elevando-se, trepa pela cama acima, enterrando-se no corpo que se contorce com fulgor
e inicia um vai vem de cadência forte, visando manter a excitação dela no auge
enquanto parte em busca do seu próprio prazer.
De braços em prancha e mãos por detrás da nunca, envolve-a, mantendo-a
imóvel, junto a ele, dominada por ele.
"Adorooo...adoroooo...uhhh...gosto amor...gosto tanto...Estás tão grosso!!"
Responde-lhe, mordiscando-lhe a orelha, arfando - "Adoro estar dentro de ti...",
ri-se - "Vês o que fazes? Como estás apertada...porra! Estou quase..."
"Vem amor...vem-te para mim...vem..."
Ele sente o momento, o prazer, o arquear do corpo, a explosão dos sentidos,
a contracção que o sacia para dar lugar à libertação ímpar de quem
partilha o momento mais belo do amor.
E, quase tomado de surpresa, dá conta que ela está, novamente, a vir-se,
com os braços jogados para trás de encontro à cabeceira almofada,
as pernas caídas, estendidas sobre o lençol desentalado,
uma para cada lado dele, sem forças.
"Meu Deus amor"- ouve-a dizer, passado um bom bocado, a cabeça dela aninhada
debaixo do queixo dele, um abraço ternurento fazendo deles um só.
"Não sei o que me deu hoje. Só me apetece vir..."- ri-se, escondendo as faces rosadas.
"Que horas são? Não achas que a música está um bocado alta?"
Ele estende a mão até ao telemóvel na mesinha de cabeceira.
"Não tarda são quatro e meia da manhã..."- responde-lhe, voltando a abraçá-la.
"Afinal, chegamos...já depois das duas.
Que se lixe...quem não gosta de ouvir um Tango romântico de madrugada?"- ri-se também.
"Olha, que tal irmos até ao nosso bar tomar algo? Estou cheio de fome!"
"Boa ideia, também estou com um buraco no estômago.E com sede!
Ficou a faltar o El Diablo esta noite..."
"Ummm...não seja por isso...acho que posso dar um jeito...e...preencher esse vazio."
"Vazio? Que vazio?? Sede, boca seca...só isso. Ainda te sinto...cá dentro...todinho."
E com isso, solta uma gargalhada e rodopia para fora da cama para de seguida
enfiar-se no vestido branco fininho, leve e comprido, que jazia no cabide de pé,
fazendo-a, aos olhos dele, parecer-se com uma Helena de Troia.
Piña Colada Escaldante
Telejornais nocturnos eram substituídos por momentos musicais ou de cinema.
Ela brincava dizendo que estavam em lua de mel, comportando-se até, por vezes,
como uma adolescente enamorada que divide a vida com um homem pela primeira vez.
A leveza e jovialidade divertem-o, fazendo com que o regresso a casa seja aguardado
com uma vontade boa, a que impede que os acontecimentos do dia de trabalho
tomem conta das noites.
Naquela noite, preparava um Piña Colada para degustarem depois do gelado de
"Oh bébé...então...que foi? Anda cá meu tó-tó...Viste amor? Que terá sido?"
"Vi sim. Acho que foi um morcego, daqueles pequenos, que bateu na janela" - riu-se.
"Cá para mim o nosso patudo nunca viu um antes, um verdadeiro vampiro ao ataque!"
Riam-se os dois enquanto ela afagava carinhosamente o dorso do companheiro que
se tinha aninhado ao seu lado no sofá.
"Vá lá, sabes que esse não é o teu lugar...vá..."
O cão desce e vai deitar-se na enorme almofada aveludada rectangular que jaze
"Tenho de admitir, ele obedece-te mesmo...e com vontade..."
"Porque será?"- sorri-lhe, ao sentar-se a seu lado, entregando-lhe um dos copos com
o cocktail de liquido branco espesso.
que compraste!"
"Ai é? Pois...deve ser isso...com certeza...Tal como contigo...Corrupção!!!...Tenho de..."
E, sem qualquer previsão, ela beija-o com veemência, quase entornado a bebida,
"Êh lá...Gostei...Ainda por cima com essa mistura exótica branca espelhada pelos lábios...
"Segura..."- diz, passando-lhe o copo, levantando-se -"Está mesmo calor..."
Num movimento lento, propositado, a blusa é erguida e retirada pela cabeça
"Dá-me..."
Tinha solto o cabelo depois de livrar-se dos calções e estava claramente a seduzi-lo.
Reclina-se para trás no sofá, esboçando um sorriso malicioso, contrapondo a atitude dela,
"Está bom...como tu gostas...suficientemente espesso?"- pergunta-lhe.
"Sim...muito...rico e...grosso...preenche a boca...os sentidos todos..."- responde,
saboreando, lentamente, o travo a coco e ananás rendido ao rum gelado.
"Importas-te de segurar...só um pouquinho?"
emperiquitando o traseiro gostoso, na direcção do rosto dele.
Depois, pára por um momento, mãos nas ancas, como se escutasse o refrão da canção,
"Está uma noite magnifica morzinho...e...esta bebida que fizeste é mesmo perigosa..."
"Ummm...e eu que o diga!...Tenho diante de mim...o perigo verdadeiro!..."
Despe o pólo. Adivinha que os cocktails terão de esperar para poder refrescá-los.
Ela roda, olhou-o nos olhos, chega-se a ele, quer sentir a sua respiração.
Olhava-a nua. Era linda. E estava em brasa...
Alteando uma perna com toda a elegância, ela coloca um pé no braço do sofá,
"Da-me...anda amor...quero..."
"Queres o quê miúda? Já o tens..." - responde-lhe, serenamente, provocando-a.
"Nãoooo...dá-me a tua boca...apetece-me..."
Com a devida atenção, sem pressas, ele pousa o copo na carpete, devidamente afastado
É doce, quente, cheirosa...
Ela mantém a perna alçada, está exposta e gosta.
Sabe o que quer.
Escorre de ofegante excitação.
Ele levanta um olhar sorridente de encontro ao dela, que brilha à meia-luz.
"Não tens vergonha, minha safada?" - e muito ao de leve, lambe-lhe o pequeno inchaço,
"Aiiii...nãooo...nenhuma...só tesão amor...muitaaa...!"
O Vento Mudou
"Também queres ovos mexidos amor?"
"Sim, pode ser..."
Que manhã soberba para começar uma vida nova!
Uma calmaria dominadora dava, no entanto, permissão aos muitos cantares
Caminhou até à bancada central da cozinha, puxou uma das cadeiras altas e sentou-se,
Cantarolava o refrão, em inglês sofrível, e ele riu-se.
"Oh pá...sabes que inglês não é o meu forte..."
"E depois? És tão engraçada a cantar desse jeito, aliás...tu hoje estás particularmente
Repentinamente, decidiu ir buscar o telemóvel à lareira, terminou o sumo
"Olha lá para aqui...quero captar esse ar de loba sensual..."
"Ela soltou uma gargalhada, fez descansar o fouet com cuidado no beiral da frigideira e
"Muito bem - pode ser mesmo assim - com esse olhar..."
"Qual olhar? Não é igual ao de ontem?" - riu-se abertamente e prosseguiu com a preparação
"Por acaso não - quer dizer - depende se estamos a falar ao jantar ou enquanto víamos
" Até parece! Vá anda mas é comer antes que perca a graça!"
Sentou-se e dedicou-se à partilha do momento com ela, ouvindo-a falar do patrão gay,
Era maravilhoso.
Tinham feito amor pela noite adentro, ela entregando-se para além do ele conhecera até então,permitindo-se alcançar sensações múltiplas e variadas, de tal forma que foram
Sim, persentia-a mais alegre e sexy.
Era bom.
Muito bom mesmo.
Ia conseguir dar a volta à vida dele.
Estava a conseguir...
É certo que, invariavelmente lembrava-se de que era como o que sonhara
Que estejas feliz e bem minha Estrela, meu grande e lindo amor do passado.
E que esse homem te adore e faça feliz como mereces.
E, também ia fazer por isso - IA SER FELIZ !!!
Afinal, os Deuses estavam de novo do seu lado...
Um Amor mais Forte
posto de vigia, aos soldados que povoavam o forte de pedra
em tempos antigos, outrora de descobrimento e conquistas.
Sorria-lhe abertamente. Adorava tirar fotos. Tinha um jeito natural.
Sim, era vaidosa...da forma que uma mulher deve ser.
"Estou bem assim amor? Tu vê lá...a racha do vestido.."
Riu-se - "Fica descansada...estás óptima...tudo que vejo daqui é perfeito!"
"Ai é? Engraçadinho! Sabes como sou...há fotos e fotos..." - e franziu-lhe
Tinham rumado a Sesimbra depois de saberem que a entrega das mobílias
Ele, na verdade, precisava mesmo de descansar.
Os momentos bons com a Kita faziam-no acreditar cada vez mais na possibilidade
Para ele, continuava a ser uma aprendizagem permanente porque não havia
Sabia que não amava a miúda maravilhosa que tinha à sua frente.
Pelo menos, não ainda.
Era dona de uma tranquilidade adquirida.
E, no entanto, entre os lençóis, ela entregava-se sem receios ao prazer
Aos poucos, os sentimentos dele na intimidade, iam crescendo,
Estava consciente do risco em termos emocionais.
Não agora.
Queria.
E, assim, reencontrar...a sua própria felicidade.
"Amor, estou cheia de sede..."
"Também estou. É do vinho. Bebeste pouco!" - piscou-lhe o olho.
" Até parece! Sabes o que é...era muita comida!"
Ele não pode se não soltar uma gargalhada, levando-a a rir,
"Ai, pára...olha as pessoas..." - mas sorria aquele sorrisinho matreiro,
"Sério? Porque será?" - perguntou-lhe, beijando-a de novo.
"Ai amor...pára...assim excitas-me...estás cuequinhas são muito fininhas..."
"És terrível. Sabes o que é..." - e riram-se os dois - "ele tem pensamentos próprios
"Mas continuo com sede!"
Afastou-se com um toque subtil de língua no lábio superior dele.
" Pronto...está bem! Descalça os ténis e vai andando para baixo para a praia.
Já vou ter contigo. Vou buscar umas caipirinhas bem geladas!"
"Onde??"
"A-haaa! pois bem...Vá...vai andando...já venho"
Sabia de um café/bar bem perto.
Olhou-a, de relance enquanto caminhava.
Tinha-se sentado numa das letras de Sesimbra e retirava os ténis
Linda - pensou.
E minha!
Apressou-se.
sexta-feira
Next Step
"Acho que devia ser algures onde ainda vão poucos pessoas..."
"Ok. Que tal...comida Tailandesa? Já experimentaste?"
"Não, nunca...Pode ser! E...levo o espumante, não é ?"
"Como assim? Devem ter...mesmo sendo um restaurante oriental..."
"Oh amor...não é isso...Não vamos inaugurar a casa nova...depois?"
"Ahhhh...tu...."
"Vais ver...E não vais conseguir resistir à tua sobremesa mais logo..."
Encontravam-se à beira mar a desfrutar de um pôr de sol maravilhoso antes
Tinha-lhe enviado uma mensagem no whatsapp a dar-lhe conta de que tudo
tinha corrido bem durante a assinatura do contrato.
Tinha ponderado no assunto durante tempo suficiente e tomado a decisão
Ela, com o passar do tempo, tornara-se uma mulher cada vez mais interessante
Reservou uma mesa no restaurante que haviam conhecido antes da pandemia
À semelhança daquela noite, escolheram o menu do chefe, abrindo caminho
E, como acontecia muitas vezes quando comiam sushi, ela preferiu o vinho tinto,
Coisas...que não se explicam.
E será que usava aquelas botas altas, os sapatos de salto alto, os vestidos que lhe
Fazia fé que sim.
"Estás pensativo...Passa-se algo?"
"Não miúda. Apenas, é curioso com tu gostas deste vinho tal como a minha
"Ai é? Pois...já te disse uma vez que ela é gira e pelo que vi das fotos, tem bom gosto.
Basta dizer que também se apaixonou por ti, não?" - e lançou-lhe uma piscar de olho
"Posso ser eu a fazer o binde hoje?"
"Claro que sim...passas a vida a recusar!" - e pegou igualmente no copo.
"Então...a ti, que conseguiste o que querias. A nós, que o nosso amor cresça.
A esta noite, que percebas o quanto te amo e o quanto gosto que sejas meu, todo e só meu."
Olhou-a.
Amava-o.
Tinha uma ideia.
Queria ficar do lado dele.
"És um amor miúda. Especial. Vamos brindara a isso sim. E...obrigado."
Levantou-se, inclinado-se sobre a mesa até assentar um beijo molhado,
"You're the best my love!" - e levou o copo aos lábios húmidos.
Não pode deixar de soltar uma gargalhada antes de fazer o mesmo.
"Então - o meu sotaque é assim tão mau amor?" - ria-se confortavelmente.
"Não...nada disso...achei piada, só isso".
"Estava a imaginar as fotos que vou tirar...Apenas isso!"
"Que fotos?"
"Ai ai...pois...vês? Agora foste tu que não percebeste. Na inauguração..."
quinta-feira
if You love me...
Conseguia vê-la e ver as suas expressões quando estava feliz.
A música dela tocava no Spotify.
Suspirou fundo e sentou-se ao teclado que servia, tantas vezes,
Se era verdade que ansiava por mudar completamente de estilo de vida,
No entanto, como poderia justificar a quem o amava,
Para quê o apartamento maior? Para quê ???
Recordou o momento que lhe dissera que andara à procura de um lugar
Sim...a grande mudança.
Sim, a Kita, como carinhosamente passara a chamar-lhe, ficara radiante.
Não queria dar a entender a emoção que sentira ao ouvi-lo dizer aquilo.
Como sempre, esperava que ele agisse de acordo com as suas convicções,
Mas...ele viu.
E...ela percebeu...que ele viu.
Trajados de robes brancos grossos, contemplavam as ondas alimentadas pela
"Ohhh...coitadinho...só se quiseres partilhar os meus trapos também!" - rira-se.
E se, como no fantástico duche, o intenso vapor transformara o local no
Foi tão perceptível, no olhar dela,
Foi tão audível, no gritar dela,
Ele, não dormira tanto quanto ela, nessa noite.
Lembranças que jamais quereria ter povoaram-lhe a cabeça.
Imagens de um outro amor, inesquecível, teimavam em aparecer,
A pergunta morava nele.
SE, com quem ele amara, desmedidamente, não resultara...
A vida, não esperava.
Uma decisão era requerida.
segunda-feira
Rent-a-Car
do plano, bem presente na sua mente.
De imediato, foi atendido por uma jovem que se dirigiu a ele com a requerida
simpatia do seu ofício, a placa de identificação da Guerin ostentando o seu nome
no casaco verde escuro que vestia.
"Bom dia, posso ajudá-lo? "
"Bom dia...sim...com certeza. Vim tratar do aluguer para uma carrinha de carga média,
tipo Doblo ou Berlingo. Telefonei antes para ter uma ideia dos valores, mas optei por
vir pessoalmente para tratar melhor do assunto."
"Fez bem. Vou acompanhá-lo até uma das nossas gestoras. Como se chama?"
Respondeu e prontamente seguiu o gesto, que ela lhe fez, para se fazer acompanhada.
"Pode sentar-se...é só um bocadinho...a minha colega está a terminar uma chamada
A porta do gabinete, que era quase todo envidraçado, estava fechada.
No entanto, o som meio murmurado de uma voz feminina chegava até ele,
à mistura da música ambiente presente nas instalações do rent-a-car.
Inclinando-se ligeiramente na cadeira, era possível vislumbrar uma pequena parte das pernas
de quem estava à conversa atrás da secretária escura, adjacente a uma espécie de estante.
De meias de lycra e sapatos altos elegantemente pretos, balançava ligeiramente o pé
Deve ser uma daquelas jeitosas que dá a volta ao cliente com um pinta danada...pensou,
sorrindo para si mesmo.
Breves instantes depois, ouviu o pousar do aparelho no descanso e apercebeu-se do rodar
da cadeira dela, levando-o consequentemente, a preparar-se para a trocar habitual de cumprimentos.
A porta abriu-se e ele levantou-se ajeitando o blusão...
e,
aí,
foi como se o mundo deixasse de rodar,
como se o cronómetro cardíaco entrasse em euforia descompassada,
a traqueia, seca, se auto asfixiasse...
"Olá..."- conseguiu proferir -"és tu...és mesmo tu(?)...Porra..."
"É...estou...quer dizer...sou..."- a mulher a sua frente estava igualmente com dificuldades
em articular as palavras.
Não seria possível saber quanto tempo estiveram ali parados, inertes, sem reacção.
"Desculpa...eu...se calhar é melhor eu ir embora..."- disse-lhe, sem, contudo,
conseguir afastar o olhar,
os seus olhos...dos dela.
Virou-se para pegar na mala de mão que pousara na cadeira.
Não sabia como agir, tal como não sabia o que estava a sentir.
Era, simplesmente...avassalador!
Encaminhou-se até ao corredor, tudo dentro dele gritando para que a olhasse de volta,
uma panóplia de emoções deitando garras às suas entranhas.
"Espera (!)...não vás...espera..."- ouviu, as palavras quase num pranto.
" Faz tanto tempo. Podemos conversar. Não? Anda..."
Tinha-se virado para a encarar mas fora apenas a tempo para vê-la esconder os seus
olhos grandes e brilhantes, com um virar de cabeça, à medida que entrava no escritório.
Respirou fundo, fazendo uma breve mas muito necessária pausa.
É bom. Sim, vai ser bom. Faz tanto tempo que estou à espera.
Entrou e sentou-se à frente dela.
Olhou-a.
Continuava lindíssima.
Apenas uma madeixas mais claras no longo e esticado cabelo mexiam com as lembranças
de outrora.
A maquilhagem permanecia discreta mas eficaz.
És tu..
Sim...és.
"Tens razão. Podemos. Que bom que queiras.
quinta-feira
Valentine's Day
descendo o alcatrão em direcção à rotunda há muito implantada
ao pé da loja dele, provocando naturais constrangimentos aos peões
desprevenidos, apanhados na hora do pretenso passeio higiénico.
Uma lufada de ar arrefecido esgueirava-se por entre as portas
Ok, pronto, que ninguém que passeara no Domingo se queixe!
Sorriu para si mesmo.
Domingo...dia dos namorados ou como ele conhecera antes de ser
O Domingo trouxera uma manhã radiosa de sol aberto quente sem quaisquer
O que não contara, era que ela estivesse à porta do prédio, esperando-o,
Realmente, ela quando queria, tirava-lhe o tapete debaixo do pés!
"Estás doente, não estás? Covid?"
"Então? A ideia foi tua! Como passar por namorados tontos?- ria-se,
"Bem...como é Carnaval.."- devolvia-lhe o sorriso a meio de um beijo,
"Puxa! Não me digas que até a lingerie é vermelha?"
Não respondeu.
Apenas fez por esconder a reacção olhando a janela do lado oposto,
Traçou as pernas, as calças de ganga tipo slim enaltecendo os contornos
"Amor, agora não podes entrar já...preciso de um tempinho..."
" Como assim?"
"É como te digo - e não perguntes mais nada! Amanha-te!
Já já, digo quando. Porta-te bem..."
"You're the best my love!"
Que cena - pensou - aquela frase num dia daqueles...
Ao entrar foi logo invadido pelos cheiros de aromas quentes
Os balões da tarde encontravam-se fixados e hirtos que nem flores
Onde estava ela?
"Anda amor, estou aqui..."
Afastou-se do quarto ao mesmo tempo que Earned it do The Weeknd
tomava conta do espaço, igualmente iluminado pelas várias velas minúsculas
Sim, era vermelho.
Ficou inerte a olhá-la.
Mexia-se de forma segura na sua direcção,
sorrindo-lhe largamente ao ver o efeito mola que produzira.
"És terrível miúda..."
"Nada disso...tu é que me fazes ser terrível.
Sentiu-a tomá-lo na boca, o batom vermelho envolvendo o seu sexo,
o efeito fazendo-o agarrar os cabelos soltos em forma de rabo de cavalo,
A música escolhida emprestava ao momento uma excitação crescente e ele
Avançou para o colo dele, de sorriso maroto rasgado.
"Vá, segura-o...Vem para dentro de mim...Quero te..."
" Tu...arrebentas comigo..."
"Ummm...Como és gostoso amor...Espera...não te mexes...Toma..."
"Complicado ficar quieto..."- disse-lhe -"estás em brasa!"
"Eu sei, quero que me faças o que quiseres...quero que me faças vir
"Ok...diz lá miúda..."- ria-se para ela, de copo na mão.
"Olha...quero fazer um brinde.
E...que o futuro traga muitos mais...assim..."
Beijou-a.
Sentiu como era tudo tão bom.
Perfeito.
Estaria, finalmente, a apaixonar-se?
terça-feira
Sobremesa Rendada
avesso a regras da nova ordem de viver, as de um confinamento imposto
que infligia danos mais profundos naqueles que há muito se habituaram
a comungar a sua vida com a natureza aos Domingos de manhã.
Espreguiçou-se lentamente, evitando perturbações entre os lençóis,
Virou-se de lado, puxando devagarinho, o edredon para se cobrir,
O cabelo longo, volumoso e desordenado alcançava a sua almofada,
O final do jantar perdurava bem fresco na cabeça dele.
Tinha sido completamente surpreendido pela forma como ela o tinha levado a
Como era do seu feitio, lançara-se de imediato de ferramentas na mão para
E, foi quando a luz de tecto por cima dele se apagou,
A gargalhada dela, denunciou o espanto dele.
"Bem..." - lá conseguiu dizer - "...estás bonita estás(!)"
Ajoelhou-se na passadeira antiderrapante, colocando as mãos nas pernas,
"Vá, deixa lá isso...há algo mais importante que precisa da tua atenção
"Estou a ver...Esse urgência vai obrigar a uma intervenção sem qualquer
"Eu? Claro...acho até que deve ser sem mais demora!" - respondeu,
"Ai amor...anda...quero que me devores...já..."
Gostava do sabor dela, gostava ainda mais da sua entrega.
Apertou-lhe as nádegas e circundou com mestria o ponto carnudo
Sabia como brincar com ele, conhecia as reacções aos estímulos
Depois, perante a mudança de compasso na respiração dela,
Tinha a conduzido à sua frente, pelos ombros, até ao quarto dele
A noite de uma possível má noite...tinha afinal...sido muito boa.
Chegou-se a ela, aninhando-se à quentura daquele corpo de pele macia
Enlaçou-a com o braço direito, a mão em concha envolvendo um seio,
Era cedo para tornar-se hábito...para ela ficar.
Era demasiado cedo para ele ficar na casa dela...também.
Era cedo.
Mas...era bom.
"Ummm...Parece que há alguém que acordou animado..."- ouviu-a, rouca.
Moveu as ancas, recuando o rabo de encontro a ele,
Beijou-a na nuca, demoradamente.
"Quero-te..."- sussurrou-lhe, o desejo tomando conta dele...outra vez.
"Mas amor...Não ia-mos até à praia?"


