naquele momento, sente-se feliz por isso.
Tivera a suas duvidas, como vinha a ser habitual.
O receio de permitir um envolvimento com a consequente aproximação de alguém,
por pouco ditara um "não" disfarçado de desculpa simpática.
Contudo, desta vez, tomara a decisão de confiar no destino.
A viagem pelas planícies do alto Alentejo, sugerido por ela, correra de de forma descontraída e alegre, as canções dos Roupa Nova a provocarem gargalhadas tendo o Lewis Capaldi
invadido o automóvel de paixão crua, arrancando um brilho intenso dos olhos dela,
fazendo-o rir ao mirar-lhe de esguelha enquanto conduzia, o seu coração dando conta
que algo podia acontecer, que ela era, que havia a possibilidade, podia ser diferente das demais que conhecera depois da separação.
Agora, sentado na pequena sacada, ia bebericando o sumo de laranja da Compal, dito natural, laranja do Algarve, retirado do mini-bar.
Era Domingo.
Havia silêncio. Ou quase...
Porque os sacanas dos grilos graúdos, co-proprietários das terras circundantes e camuflados pelos enormes chaparros, faziam um chinfrim apreciável.
No entanto o vento suave, de aromes selvagens frescas, fazia o favor de encaminhar o convite de acasalamento deles para outras paragens, protegendo assim, o sono da figura esbelta aninhada nos lençóis de cor marfim.
Os tecidos macios que cobriam parte do corpo revelavam curvas bem delineadas,
entre coxas e seios semi-escondidos, cabelos longos perdidos em nuances castanhas e louras,
fazendo lembrar vales e montes em terras de sonhos soalheiros
Estava bem.
Tranquilo.
Respirava com gosto.
Olhava-a meticulosamente.
Era, sem duvida, um retrato bonito..
Entre os mais belos momentos que vivera.
Talvez o medo de sucumbir aos desejos dela, fossem infundados.
Depois da viagem deles a Tomar, que fora igualmente tão boa, decidira afastar-se.
Porque...sentia como ela o queria, como ela o olhava, como ela conscientemente,
ou não,
falava do que pretendia da vida para o futuro,
de como queria alguém que a complementasse,
um homem inteiro, independente, confiante, integro.
Um homem que soubesse apreciá-la pela mulher que é,
um homem que a fizesse entregar-se como nunca o fizera anteriormente.
Tanta coisa...
Tanta responsabilidade...
Tanto sonho...
Tanto dar...de si...outra vez...
Ajeita a toalha de banho em volta da cintura.
O que tinha a perder?
Lembra-se de uma frase que escrevera no seu blogue...sobre estar vivo...sobre amar...
Era linda, bem disposta, quente, inteligente, de ideias fortes, independente.
Tinha tanto para descobrir com ele.
E ele, com ela...
O amor dele anterior jamais seria substituído, mas ela escolhera um caminho sem ele.
Traíra-lhe a confiança de uma vida.
Por isso, esse grande amor tinha de ser guardo e um novo tinha toda a razão de existir,
e de trazer para a vida dele o que ele buscava e que merecia.
O destino iria sempre pregar-lhe partidas, ele sabia disso.
"adoro como tu me preenches amor" - como era possível, tal frase ? Sorriu.
Há coisas que não se explicam. Aceitam-se. Alentejanícis...
O cantar da rola faz-lhe virar o olhar e por alguns instantes deixa-se vaguear pelos
variados tons dos montes alentejanos, o futuro incerto a querer parecer-lhe mais bonito,
o azul do céu conferindo um manto aconchegante aos pensamentos dispersos dele.
"Amor..."
"Bom dia princesa...isso é que é dormir..." - diz-lhe sorrindo.
Levantava os braços em direcção ao tecto e bocejava - "simmmm...que preguiça...a culpa é tua..."
Ele encostou-se para trás na cadeira - "Minha? Até parece!"
Tinha-se virado de lado para o encarar de olhar matreiro,
o lábio inferior ligeiramente castigado pelos dentes sorridentes. - "És bom demais amor..."
"Ok...pronto...ainda não são oito..." - diz-lhe olhando o relógio do telemóvel,
mas podemos tomar o pequeno almoço cedo e ir dar uma voltita por Mértola..."
"Acho uma óptima ideia..."
Falava lentamente, mexia-se com propósito.
Sentou-se na ponta da cama, desnudada, pernas abertas, pés calçados de saltos altos invisíveis.
Um sorriso do tamanho do mundo e olhos orientais assaltam-lhe os sensores corporais todos.
"Ai é? Achas mesmo ? Estou a ver que estás mesmo a pensar nisso..."
"Estou sim...Massss primeiro...apetece-me pôr de quatro para ti amor, outra vez...
Faz-me vir daquela maneira...apetece-me...apeteces-me tantooo !"
Lá estava, o karma, outra vez, a brincadeira do Deuses!
"Olha...que tal eu tirar-te uma foto...ali...com a luz por detrás de ti ?"
A pergunta inesperada apanha-a de surpresa.
"Ok...ali?"...mas sabes...nunca fiz nada disto...não sei como queres que faça..."
E, em bicos de pés, vai colocar-se diante as duas enormes portas que dão acesso à
varanda lateral ao quarto.
"Põe-te ao meio das cortinas...isso mesmo..Agora...não olhes para mim, nem para câmara..isso...
faz aquele teu ar...meio envergonhado !"
Ele ria-se dela, das expressões dela, das faces rosadas.
"Já está?
"Yep...e ficaste...linda! A foto está espectacular! Já mando para ti."
Sim, realmente o enquadramento tinha ficado perfeito.
"Oh amor...vais ficar a olhar para o telemóvel? - voltará a sentar-se do mesmo jeito,
a provocação ganhara força, toda ela emanava calor e tesão.
Ergue-se da cadeira, o nó da toalha cedendo ao movimento brusco,
o vento atirando-a de encontro aos vasos de barro floreados.
Estava rijo, hirto, grosso.
Estava ansioso por mergulhar nela.
Estava desejoso para lhe dar o que ela queria.
Aproximou-se.
Ela continuava sentada, agora de mãos nas ancas, sorrindo o sorriso de uma garota traquina.
"Então miúda? Não é de quatro?" - arfou, soltando um suspiro cativante.
"É só um cadinho amor...deixa-me prová-lo primeiro..." - levantou os olhos até os dele.
Riu-se - "Tu gostas mesmo dele!"
"Ai como gosto amor...Gosto mesmo muito muitooo dele!"
