segunda-feira

Adrenalina a 2



Quando chegaram ao cais, já o sol se esgueirava entre as nuvens matinais teimosas.
Era bom prenúncio porque segundo os antigos, isto é os penichenses mais velhos,
chovia sempre em agosto! E claro, fazer uma travessia marítima à chuva,
não era propriamente aquilo que mais desejavam.
Por isso, agora bastava Poseidon e Chronos entenderem-se para que tudo
corresse às mil maravilhas!

Tinham feito por chegar bem cedo para serem dos primeiros na fila de embarcação,
afinal a ideia era apanhar os primeiro dois lugares da frente na lancha, só assim,
poderiam usufruir verdadeiramente daquilo que ele esperava vir a ser uma viagem
de vinte minutos bem cheios de adrenalina.

"Só espero não deitar tudo para fora!" Olha, vês? Não faltam aqui barcos como
aquele em que andamos no algarve. Fazíamos uma viagem bem tranquila.
Tiveste que arranjar esta cena de lancha rápida! Só tu!"

"Nada disso - vamos fazer, em 20 minutos, o que essses fazem em duas ou três horas!
Vai ser espetacular! Vais ver! E, como o almoço foi leve, não teremos problemas."
Ele ria-se, tentando acalma-lá perante uma experiência que prometia ser bem diferente.

A saída do porto deu-se com óbvia serenidade e a calmaria reinava entre todos os
dez passageiros a bordo mas ao entrar em águas abertas a tripulação, naturalmente,
passou à ação.
O ruído do motor em aceleração fez-se sentir e a lancha passou como que a voar,
ora saltando as cristas das ondas, ora as esbarrando como impacto e determinação,
lançando explosões de pesadas gotículas sobre os improvisados marinheiros.
"Ó senhor - mantenha-se sentado!"- ouviu um dos tripulantes gritar-lhe.

Estava a filmar o momento. Queria guardá-lo para mais tarde recordar.
Sabia que há coisas que são de viver apenas uma vez.

"Meu Deus!  És doido!"

Ela estava algo pálida, bem como a maior parte dos outros.
O mar encrespado e os imparáveis solavancos e embates na água estavam a
provocar um ligeiro pânico.

"Não se assustem, está tudo bem. Isto é normal. Está um bom dia.
E é praticamente impossível virar esta lancha!" - gozavam os tripulantes.

Olharam-se. "...p r a t i c a m e n t e.."- mimicou ele olhando-a a seu lado.
E, riram-se os dois.

Ao chegarem à ilha, uma manta de alívio cobriu todos.
Afinal, tinha valido a pena e o lugar com certeza que tinha muito para mostrar-lhes.

"Bora lá Miss Croft. Temos quatro horas para explorar tudo!
Vá diretos ao forte!"

Com isto, colocaram as respetivas mochilas.

"Olha que ainda quero vir aqui à praia. Já viste como é cristalina a água?"
" E...fria..."- respondeu-lhe." Mas sim, acho que teremos tempo!"

Partiram colina acima ela à sua frente impondo o ritmo que desejava e ele,
bem ele não se importava nada de seguir atrás...


Isto é mesmo maravilhoso.
Andar aos saltos voando pelo oceano para ir ao encontro de uma paisagem
deslumbrante, e sobretudo, ter com quem partilhar o momento.
Olhem só para ela! Todas enérgica e feliz! Os calções, o chapéu!
Lindaaa!

Pior, é que falta o regresso...

"Estás a rir-te de quê? Sabes que gosto de fazer caminhadas amor!"

"Eu sei miúda, eu sei. Não me esqueço da ida à nascente do Rio Alviela."

"É! E aí não tive de andar a levar banhos de espuma salgada a alta velocidade!"

Os dois soltavam gargalhadas fáceis.
A tarde prometia ser fertil em surpresas agradáveis e momentos ternurentos a dois.

Era, tão bom...



Um Luar na Praia



Há momentos na vida que parecem ser desenhados pelas mãos do destino,
onde o cenário, a companhia e as emoções se alinham de forma perfeita.

Depois de um dia comum decidiram jantar num restaurante acolhedor,
escondido numa rua tranquila da cidade.
Naquele ambiente era intimista, a luz das velas dançava sobre a mesa ao
sabor de uma brisa suave.
O vinho, de um rubi intenso, aquecia-lhes os sentidos e cada garfada do jantar
parecia um convite para algo mais profundo, mais intenso.
Cada toque de mãos sobre a mesa, cada olhar trocado,
era como uma promessa silenciosa do que viria a seguir.
A cumplicidade entre eles era palpável,

Saíram do restaurante mergulhando na noite que envolvia a cidade numa aura misteriosa.
A lua cheia dominava o céu e um leve nevoeiro começava a brincar nas ruas envelhecidas.
Ele, com um sorriso malicioso, sugeriu uma ida à praia e Ela, já rendida à atmosfera mágica
da noite, não hesitou, oferecendo-lhe um leve, maroto e concordante, beijo.

O carro deslizou tranquilamente pela estrada, o caminho preenchido por silêncios confortáveis
e troca de olhares, no rádio uma música suave que parecia acompanhar o ritmo dos corações,
até chegar à orla, onde o mar sussurrava segredos à lua.
Estacionaram perto das dunas e ficaram sossegados por um momento,
apenas a ouvir o som das ondas a quebrar o silêncio da noite.

Sem dizer uma palavra, ele aproximou-se dela e as mãos dele percorreram-lhe o rosto,
os cabelos, os ombros, cada curva dela, como se fosse a primeira vez,
provocando-lhe naturalmente, tornando a respiração dela mais pesada, mais rápida,
enquanto os lábios dele procuravam os dela num beijo que começou suave
mas rapidamente se transformou em algo mais urgente.
As mãos dele exploravam, iam ao encontro da sua intimidade,
desbravando a resistência fingida que só acrescentava densidade ao ar já escaldante
que embaciava cada vez mais os vidros do automóvel.
A paixão deles era crua, intensa, feita de suspiros e gemidos,
abafados pelo mar...provavelmente...

O interior do carro tornara-se um refúgio de paixão.
Cada gesto era carregado de uma fogosidade que seria um segredo partilhado
apenas entre eles e aquela noite. Somente a lua curiosa espreitava
pelas janelas embaciadas, testemunhando o amor que ali se consumava
com uma intensidade quase primitiva.

Quando finalmente descansaram, ainda entrelaçados,
sentiram-se mais vivos do que nunca.
A praia encontrava-se deserta e o nevoeiro começava a dissipar-se.
Dentro deles morava uma certeza, a certeza de que o amor verdadeiro
não se mede em tempo percorrido, mas pela profundidade dos momentos
partilhados ao longo do tempo.

Enquanto regressavam a casa, riam-se, de gargalhada em gargalhada,
sabendo que aquela noite ficaria gravada nas suas memórias como
uma celebração da paixão que os unia, porque o amor é tão intenso,
quanto o permitirmos ser.



sexta-feira

Amor Adulto


O amor adulto é uma dança serena entre duas almas que se encontram.

Sem pressa e sem a urgência de preencher espaços vazios.
Não é uma busca frenética, nem um jogo de conquista.
É um crescimento mútuo, onde raízes se entrelaçam em corações,
que estão presentes e disponíveis.

Neste tipo de amor, há uma aceitação genuína do outro, tal como ele é.
Não há necessidade de mudar ou substituir alguém do passado.
Cada um respeita a história do outro.
Compreendendo que cada experiência moldou quem são hoje.

A verdadeira maravilha acontece quando ambos se conhecem profundamente.
Com a sabedoria adquirida ao longo dos anos,
entendem que a disponibilidade para amar vem só de um único lugar,
que vive em si mesmo.
Vem, do autoconhecimento e aceitação pessoal.

Quando duas pessoas assim se unem, o amor floresce naturalmente.
É uma ligação que não se força, mas que se sente intensamente.
E é aí que a magia do Amor se manifesta,
num caminho partilhado de compreensão e respeito mútuo.

Porque o amor adulto é,
acima de tudo,
uma escolha consciente de caminhar lado a lado.