sexta-feira
Luz
Estava escuro.
Ela pediu para acender a luz.
Ele não quis.
Ela insistiu.
E voltou a insistir.
Ele voltou a não querer.
Estava escuro.
Tocaram-se.
Cada toque, cada respiração.
Inspira. Expira.
Respiração.
Ofegante.
Daquelas que se ouvem uma vez.
E sentem tudo...nessa mesma vez.
Respiração.
Inspira. Expira.
A unha passou pelas costas dele.
Percorreu toda a espinha dorsal.
Passou pelos ombros.
Parou na coxa.
Arrepiou a silhueta.
Esticou o pescoço.
Gemido.
De novo o gemido.
Inspirou tudo.
Toque.
Arrepio.
Estava escuro.
Na testa o suor.
No toque o desejo.
Inspira.
Expira.
E a unha continuava.
Aqui.
Ali.
Acolá.
De novo o arrepio.
Daqueles arrepios que se querem sempre.
Sim. Daqueles.
Sim. Exacto.
Desses mesmo!
Inspira.
Expira.
Foi num estacionamento.
Estava lua cheia.
Como hoje.
Era praia.
Era desejo.
E ele não acendeu a luz!
Não !!
Foi num “estacionamento”.
Eu sei que não estava deserto.
Como podia ele ter acendido a porra da luz !
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário