segunda-feira

A Janela




Ela gostava de fazer amor com a janela aberta
e sentir o ar fresco aliviar-lhes o suor dos corpos,
ou noutras alturas ouvir a chuva forte cair,
a impulsionar-lhes o ritmo do sexo que juntos inventavam.

Mas naquele dia apeteceu-lhe uma coisa diferente.
Levou-o até à janela.
Queria sentir-se liberta das amarras
que as paredes lhe transmitiam.
Percebia-se invadida pela luxúria, pelo desejo,
pela vontade de senti-lo dentro de si.
Nem precisou dizer-lhe o que quer que fosse.
Entendiam-se pelos sentidos.

Ele aproximou-se dela e encontrou-lhe
as costas com o seu peito.
Encostou-se.
Envolveu-a com os braços.
Ela permaneceu imóvel.
Ela queria senti-lo, só.
Abandonar-se no seu corpo.
Desceu o peito dela com as mãos,
desde o pescoço, passou o umbigo
e chegou-lhe ao sexo, quente,
latejante, ansioso, desesperado.
Sentiu-lho.
Provocou-a.
Fê-la gemer.

Inclinou-se no parapeito.
Ele enlouqueceu de desejo quando a viu assim.
Despojou-a da roupa, já de si leve.
Queria unir-se a ela, sem entraves.
À medida que o fazia, via a pele dela
E sentia o seu cheiro, que sempre o inebriava.
Ficou a olhá-la por breves momentos, assim, tão... sua!

E depois penetrou-a.
Mais e mais e mais... até serem um só.
Um ser único
Naquele quarto
Junto àquela janela...

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