sábado

Tenho Noites...



Em que pego nas palavras...

Lanço-as ao vento,
solto as amarras,
atiro ao ar a vontade,
mato o desejo
e escondo a saudade.

Embrulho-as às avessas.
No meu pensamento não as quero.
Mas elas ficam,
teimam em viver,
ficar presas a mim.

Faço delas o que quero.
Tanto as calo como as grito.
Quero-as como não quero.
Pego numa ou outra ao acaso,
e ergo uma linha,
entre o presente e o passado.

Misturo e baralho as palavras.
Separo-as ao sabor.
Não quero nem saber!
E em noites destas,
passadas em dor,
já nem gosto de poemas
terminados em amor.

Levo em frente esta teimosia.
E vou encontrando,
por aí,
dia após dia.
os rascunhos da minha ira...

Há noites,
muitas noites,
assim,
como esta.

Diz-me...
o que resta...?

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