Ergeu os ombros, inclinou a cabeça para trás e comprimiu a nuca na
tentativa desesperada de extinguir a dor de cabeça que se apoderava dele.
Fechou os olhos.
Inclinou-se para trás na cadeira e respirou fundo.
Perguntou a si mesmo o que estaria a sentir naquele momento, mas o
barulho ensurdecedor de pneus molhados vedavam a possibilidade
de qualquer resposta sã.
Levantou-se e escolheu outro lugar onde se sentou.
Afinal, por vezes o simples facto de mudarmos de sítio,
Levantou-se e escolheu outro lugar onde se sentou.
Afinal, por vezes o simples facto de mudarmos de sítio,
pode alterar temperamento e emoções.
Voltou a fechar os olhos.
Não pode deixar de sorrir – aquela canção tinha que tocar !
O barulho era, agora, menor.
A voz sensual da cantora tomará conta do local e as palavras cantadas
ganhavam vida própria.
Esboçou novo sorriso.
Ocorreu-lhe que as canções tinham bastante em comum com os horóscopos.
Quase por magia,cada pessoa reconhece e intrepreta-as à sua maneira,
Voltou a fechar os olhos.
Não pode deixar de sorrir – aquela canção tinha que tocar !
O barulho era, agora, menor.
A voz sensual da cantora tomará conta do local e as palavras cantadas
ganhavam vida própria.
Esboçou novo sorriso.
Ocorreu-lhe que as canções tinham bastante em comum com os horóscopos.
Quase por magia,cada pessoa reconhece e intrepreta-as à sua maneira,
como se de facto fosse possível atribuir uma verdadeira e específica
individualidade às mesmas.
Era mesmo espantoso!
E depois? Que tinha isso de tão mau?
Quem não terá associado a uma canção, ou outra, um determinado acontecimento ?
A canção atingira o ponto fulcral.
Quadros invasores de imagens intensas sobrepunham se, ficavam a pairar por ali...
não havia como evitar...como contornar...
Por vezes conseguiam ser tão reais que ele apurava com facilidade os cheiros
e sons que deles emanavam.
Abriu os olhos.
A chuva tinha dado lugar a um sol radioso.
A canção terminará.
Tocaria outra vez, provavelmente dali a umas horas.
Tocaria durante dias a fio até perder o seu encanto junto dos milhares que apenas
a ouviam como uma qualquer outra canção.
E depois? Que tinha isso de tão mau?
Quem não terá associado a uma canção, ou outra, um determinado acontecimento ?
A canção atingira o ponto fulcral.
Quadros invasores de imagens intensas sobrepunham se, ficavam a pairar por ali...
não havia como evitar...como contornar...
Por vezes conseguiam ser tão reais que ele apurava com facilidade os cheiros
e sons que deles emanavam.
Abriu os olhos.
A chuva tinha dado lugar a um sol radioso.
A canção terminará.
Tocaria outra vez, provavelmente dali a umas horas.
Tocaria durante dias a fio até perder o seu encanto junto dos milhares que apenas
a ouviam como uma qualquer outra canção.
Mas, também estava irremediavelmente condenada a ser guardada por alguns
que a nunca esqueceriam e que fariam dela memória cativa de situações vividas
e jamais apagáveis.
Por instantes, a imagem deles, já ali, intrometeu-se.
Sacudiu a cabeça, negando-lhe a presença.
Por instantes, a imagem deles, já ali, intrometeu-se.
Sacudiu a cabeça, negando-lhe a presença.
Levantou-se e foi até a rua.
Crianças a brincar....
O sol que fugia...
Cães a ladrar...
O sol que fugia...
Cães a ladrar...
O transito a fluir...
Conversas de esquina...
Era só mais uma tarde de um quotidiano ritmado ao som da vida.
Na fila de transito que se formará por instantes,
Conversas de esquina...
Era só mais uma tarde de um quotidiano ritmado ao som da vida.
Na fila de transito que se formará por instantes,
um carro atraiu a sua atenção.
Apercebeu-se das lágrimas que nasciam debaixo
Apercebeu-se das lágrimas que nasciam debaixo
de uns óculos grandes e escuros
e que não paravam de correr desalmadamente.
Franziu a testa, semicerrou os olhos.
Escutou. Conseguia ouvir...
Aquela canção...aquela canção tocava...dentro daquele automóvel..!
Sentiu-se triste.
Não conhecia quem chorava.
Mas entendia.
Pena era, que nem sempre a mesma canção conseguiria trazer o sol
a quem a escutá-se.
e que não paravam de correr desalmadamente.
Franziu a testa, semicerrou os olhos.
Escutou. Conseguia ouvir...
Aquela canção...aquela canção tocava...dentro daquele automóvel..!
Sentiu-se triste.
Não conhecia quem chorava.
Mas entendia.
Pena era, que nem sempre a mesma canção conseguiria trazer o sol
a quem a escutá-se.
Mesmo depois, de uma chuva cantada.
