segunda-feira

Quanto tempo leva? Quanto?!



Estava triste.
Triste?
Ou, estaria apenas a sentir-se...em baixo?
Era apenas Monday Blues.
Não...
Era mesmo uma sensação de tristeza...sentia que sim ,
o suspirar, o não ter vontade de nada...
E...porquê?
Perguntava a si mesmo - Porquê?
Suspirou fundo outra vez...
Estava sentado ao teclado para vomitar o que ia dentro dele,
como tantas vezes era habito naquele ecrã branco que há muito
se tinha acostumado aos desencantos,
aos turbulhões de sentimentos esmagados até à exaustão,
e às lágrimas frias derramadas sem sentido nenhum.

Estava triste.
Triste consigo mesmo,
desiludido com a pessoa que se tornara.
Era fraco, inconstante, inconsequente.
E...não merecia o bom que lhe estava a acontecer!

A sensação filha da puta apoderou-se dele no regresso ao trabalho
quando a Antena 3 resolve passar a música que escutara na Sexta-feira à noite.
Merecia sim, uma carga de porrada, ser chamado de besta ao quadrado,
ter a cara pintada de palhaço grotesco!

Na Sexta, ao tocar a campainha da porta, um - "espera um bocadinho amor, não entres já!"
soou lá de dentro...e com isto, a porta foi destrancada mas deixada apenas com uma pequena abertura, seguindo-se uma sinfonia de pés descalços em fuga.

"Já podes!" - e uma risota marota acompanhou a sua entrada no apartamento
que se encontrava à meia luz, as novas lâmpadas led de filamento amarelado
tipo vintage que ela colocara no candeeiro de pé alto ao pé do sofá conferindo
um ar de conforto e quentura envolvente.

Posou as chaves do carro e o telemóvel no móvel ao lado da Tv e encaminhou-se
para o quarto, as expectativas em alta porque, obviamente, ali havia coisa!
Parou e encostou o ombro esquerdo à ombreira da porta, olhando-a incrédulo.
Foda-se! - quase lhe saiu...
O cenário era digno de um filme erótico em que ele faria o papel do Mickey Rourke,
sendo que a Kim Bassinger estava impecavelmente substituída pela mulher,
que o aguardava, na cama de lençóis brancos...destapada.
Uma vela vermelha enorme iluminava de perto o Moscatel, descobriu mais tarde, envolto
na manga gelada, acompanhado de dois copos flute e uma taça repleta de cerejas.
Nua, deitada de bruços, pernas cruzadas para o ar, cabelo solto que resvalava
para o lado ao posto do olhar dela, os olhos melados fitavam-no sem preconceitos
e sorriam de malandrice - "olha, hoje sou eu que digo...não queres tirar-me uma foto...assim?"

Não pode evitar um sorriso aberto de garoto presenteado com algo inesperado.
"Claro que sim! Que homem era capaz de recusar um pedido assim? Um minuto! ..."
Ao buscar o telemóvel na sala apercebe-se do som que passou a inundar a casa,
com certeza vindo da coluna bluetooth que ela tinha no quarto.

"Não conheço..." - disse-lhe enquanto se preparava para a fotografar.

"Gostas? É a tua cara amor!"

" Gosto, uma boa voz sem duvida...Quem é?"

"Nobel...é Português...mas nem parece, pois não?"

"Tens razão...muito giro...Então, estás pronta?"

"Tá...que tal assim?" - descruzou as pernas e deixou uma cair para além do colchão,
o gesto claramente pensado, fizera rodar as ancas, empinando o rabo bonito e provocador.

Foi, ao som de "Honey" que se aproximou dela, a viu levantar-se em cima da cama,
toda sorridente e ficou a olhar enquanto o despia, lentamente, prazerosamente,
para depois voltar a afundar-se nos lençóis, puxando-o para baixo, até ela,
recebendo-o de pernas abertas, agarrando no seu sexo erecto para o introduzir logo
dentro dela, o gesto ansioso soltando um "ai amor que saudades de ti!".

Então?
Então porque estava...assim...fodido da cabeça?

É.
Ña Sexta, no calor dos acontecimentos, tudo tinha sido perfeito.
Mas, há pouco, no carro...recordações de uma outra garota...
que também destrancou a porta e correu para a cama,
fez poses para fotos de rabo lindo empinado,
o despiu em pé e de joelhos na cama dela,
lhe disse - "anda...quero fazer-te uma coisa...sei que vais gostar amor...",
não uma...mas tantas vezes...

...e esta canção que, não queria, mas porra( ! )...lembrava-lhe...Ela.
Merda das recordações !!!

Por isso estava triste.
Muito.

Queria tanto apaixonar-se pela miúda que namorava...agora.
Tantoooooo!
Queria que a química e atracção se transformassem em paixão.
Queria ser livre para amar!

A pergunta, parecia não ter fim...nem resposta!

Quanto tempo leva?
Quanto??
...para esquecer quem amamos para além da razão???








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