quarta-feira

"The Problem with You!"



Espreguiçavam-se entrelaçando as pernas e aninhando os corpos um no outro,
fundindo o calor que transpirava com falta de ar, os primeiros raios solares do
dia furtando o repouso de quem tem por hábito levantar-se cedo.

O alarme no telemóvel dele soou.
“Vá lá miúda...pára com isso...” - disse-lhe, beijando-a de seguida com ternura.
“O comboio não espera...”

“...simmm...verdade...mas sabe tão bem ...”

Ele riu-se.
Olhou-a quando se levantou.
Realmente, só lhe apetecia mergulhar nos lençóis de flanela e apoderar-se daquele
corpo sedoso e quente.

“Está bemmm...mas só porque quero ver como vai ser a tua surpresa!”



Tinha-a convencido, em dia de folga semanal, a partir com ele numa espécie de
aventura, rumo a um lugar que mantivera secreto.
Sabia como ela adorava situações do género e de como isso mexia com o libido dela.
Não era a primeira vez que partiam os dois em busca de um dia diferente,
longe das pessoas e do dia-a-dia habitual.
No entanto, incluir no passeio a viagem de comboio tinha, desde logo, causado impacto.

Passava pouco das dez e um quarto quando chegaram, literalmente, ao fim da linha e
atravessaram a sala da pequena estação rumo ao centro da cidade.
De mãos dadas e conversa animada trilharam caminho, ele armado em guia,
parando de vez em quando para tirarem fotografias.
O dia tinha acordado revestido de um vento inamistoso e frio mas o calor reluzente do
astro rei salvaguardava-os o bastante e a caminhada revelara-se prazerosa e cheia de
descobertas, sobretudo para ela, já que era a sua primeira vez por terras Alentejanas.


“Então e agora, vamos pôr as mochilas ao hotel, ou coisa parecida?
Não dá muito jeito andar com essa que tu carregas amor...”

Tinha razão, contudo ele sabia que também estava curiosa quanto ao “resto”.
“Verdade...Olha, vês ali para dentro? É a entrada para o restaurante onde vamos
almoçar...e sim, o Páteo...é mesmo num pátio!”

Ela soltou uma gargalhada bem disposta.
“Ok...Évora está a ser adorável, o bolo de mel e as queijadas ao pequeno almoço
foram divinais, a viagem de comboio muito mais amorosa porque podemos vir
agarradinhos...masss... acho que estás a fugir ao assunto.
Onde vamos pernoitar, amor meu, neste dia dos namorados?”

De repente, era como se naquela rua estreita apenas ecoasse o riso deles,
levando-a a corar ao aperceber-se que havia algumas lojistas a olharem-nos.

“Pronto...É ali. Vamos ficar...ali.”

Ela arregalou os olhos.
Contemplou o templo de pilares seculares isolado na praça deserta de gente,
um pouco mais à frente, perto do que parecia ser uma igreja de arquitectura manuelino
e traços góticos, estes partilhados com a imponente Sé que se erguia perante eles,
ou não fosse aquela a maior catedral do país.
Serviu-se do telemóvel e fez ar solene.
“Antigo templo romano também conhecido por Templo de Diana...”

“Istooo...É só modernices.Hoje em dia ninguém lê os letreiros...”- ele interrompeu-a,
fazendo cara de reprovação.

Sem levantar o olhar do ecrã, replicou -“Pois pois...tudo muito bem e lindo claro...mas...
continuas sem responder...à questão...”

Ele riu-se, pegou-lhe na mão e como que arrastou-a pela calçada acima
em direcção à construção de mármore e granito.
“Anda! É só contornar... Achei que seria interessante desvendar mais alguns segredos
teus aqui, onde tantas freiras inocentes, tadinhas, eram levadas à loucura por
 frades loucamente apaixonados!”

“Deve ser...Ummm...Tem um letreiro muito explícito - Pousada dos Loios.
Tu e a tua imaginação fértil!”

“Nada disso...começou por ser um convento” - explicou-lhe de sorriso aberto.
”Google it também minha querida!”

Quando a pesada porta de madeira se fechou, ela atirou-se para cima da enorme cama
de estilo renascentista e suspirou.
“ Meu Deus, sinto que estou a arder! Que calor está aqui dentro!”
Descalçou as botas pretas tipo tropa e despiu as calças de cabedal justas revelando a
cuequinha, diferente das habituais e muito sexy,
que combinava com as meias de cor idêntica,
grossas, pretas, e com pequeníssimos corações brancos.
De seguida foi espreitar a casa de banho.
“Olha que giro! Nunca tomei banho numa banheira com pés!”
E, só parou quando se debruçou sobre a janela para vislumbrar o
pátio que albergava a piscina.

“Isto é mesmo lindo. Respira-se um ar totalmente diferente.”
Tinha-se virado para ele, uma perna flectida para trás e apoiada na parede,
uma mão sobre a manipulo da porta da casa de banho enquanto a outra
manuseava o telemóvel, claramente em busca de algo.
Falava de cabeça inclinada, olhos cintilantes, os cantinhos da boca escondendo
aquele sorriso de marota que busca uma reacção há medida do pensamento que
acabará de tomar conta da sua vontade.

Ele fechou a porta do frigo-bar e olhou-a de relance.
Uma foto em lingerie, assim...- pensou. Tenho de ter.
Depois pegou em dois copos da prateleira de apoio e despejou o conteúdo dos
aperitivo-martini biancos,
com suavidade, à medida que as notas da música escolhida o alcançavam,
rogando-o que se virasse na direcção dela.

"...ummm...com que então sou o teu problema huh?"
Olhou-a de novo e suspendeu os movimentos ao vê-la retirar o resto da roupa,
até ficar apenas com a lingerie que, claramente, escolhera para estrear no dia.

Ela voltara a encostar-se para trás, um feixe de luz espesso inundando o caminho até ele,
esculpindo-a, inflamando os cabelos soltos, a tentação invadindo de novo,
o outrora convento celibatário.
"...the problem with me...is you..."- ela respondia-lhe, acompanhado a canção,
movendo as ancas em harmonia lasciva.

Pousou os copos na mesa com pés de galo e tratou de despir-se.
Sentia-a, a respiração mais curta denunciada pela pulsação que corria.
Afastou o enorme cadeirão em couro claro da mesa.
De costas para ela, livrou-se dos boxers, voltando-se para a encarar de frente
enquanto levava o copo à boca.
“Tens razão miúda. Está bastante calor aqui.”
Viu-a humedecer os lábios, a língua dela faminta de sabores viciantes.

“ Deve ser por isso que ele está...desse jeito...”

“Como? Ah!...sabes como ele é. Pensamentos próprios. Nem me deixa saborear o martini.

“Não seja por isso...mas olha...que tal deixares isso para depois de um banho.
Não vamos almoçar assim...pois não?”

“Assim? Não...creio que temos de ir vestidos....”

Ela riu-se apaixonadamente.
“És tão parvo...não é isso!
É que tenho um...digamos...certo calor...a escorrer-me pelas pernas abaixo...”

Ele pouso o copo e sentou-se no cadeirão.
“Tira...” apontou para a cueqinha.
”Deixa...”- apontou para o soutien.
“Anda cá...”

Fez o que ele mandou, fazendo a pequena peça intima deslizar e cair
no chão de madeira envernizada.
Depois, com passos de bailarina chegou até ele e virou-se,
deitando um olhar pelo ombro.
“Junta as pernas” - disse-lhe - "Também sei mandar..."
Ergue-se em bicos de pés e chegou-se atrás, pernas afastadas.
Inclinou-se ligeiramente colocando as mãos nas pernas dele,
há medida que se enterrava, lentamente, nele,
controlando propositadamente o movimento e a desejada penetração.

Agarrou-a pelas ancas.
Curvas acentuadas desciam até nádegas sensuais,
donas de um rabiosque gostosamente torneado.
Ele gostava de observar aquele gesto que ela tão bem dominava,
a subtileza com que ela o segurava, a meia haste,
o apontar às cegas com perícia,
para seguidamente afundar-se lentamente nele,
soltando um “Ai amorrr...ai...” profundo.

A excitação arrebatará-os por completo.
O lugar, o momento, o dia...a cumplicidade...

Sentia-a começar a estremecer à medida que se movia feito gangorra,
sendo necessário ajudar a controlar a cavalgada desenfreada que tomara conta dela.
Fechou os olhos.
Adorava quando aquele cheiro começava a emanar dela, uma mistura quente,
contagiosa cativante.
Engraçado...
Tal como o nome do eau de parfum que ela lhe oferecera durante a viagem de comboio...Inebriante!

"Hey...miúda..."- suspirou-lhe, chegando-se a ela,
suas mãos envolvendo-he os seios irrequietos
"Glad I'm your problem..."
Tirou-lhe o soutien.

"...me too amor...fogo...como eu te quero!..."



Dali a um bom bocado,
o curioso relógio centenário diria que estavam a atrasar-se para as plumas de porco preto.
Mas,
àquela hora,
o sol voyeur atiçava-os,
apenas,
a satisfazerem os impulsos primários.

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