“Meu Deus amor, não fazia ideia...e tão perto! Quase que apetece ficar nua!”
“Bem...nua não digo, mas...”
Deitou-lhe um olhar rasgado, desfez o nó atrás das costas, atirou-lhe com a parte cima do biquíni e pulou porta fora, correndo em direcção à água, o seu cabelo loiro solto e selvagem dando cor à gargalhada.
Em outros tempos, percorrera numa pick-up dele, os trilhos até à lagoa paradisíaca, uma morena linda ao seu lado.
Nessa altura, partilhavam-se sonhos e o momento fora vivido repleto de felicidade.
Naquele local ainda vagueavam fantasmas em jeito de memórias agridoçes.
Agora, encontrava-se de novo ali, desejoso para partilhar aquele pedaço de terra de beleza singular.
E, tão maravilhoso- pensou -a forma como a paisagem circundante acolhe quem lhe trago, pois elas fundem-se na perfeição com as suas dunas de águas calmas e ondas de areias cintilantes!
Na beirinha do areal, de pés molhados, o seu amor, mulher traquina por natureza, devolvi-lhe o olhar com profundidade e soprava-lhe um beijo.
E, os vultos de outros tempos, renderam-se serenamente.
“Olha que hoje até estás com sorte. Está fria mas não dói nos ossos dos pés e a maré está alta. Pode-se entrar sem ter de pisar catrefadas de pedras e conchas!”
Encontravam-se estendidos nas espreguiçadeiras debaixo do chapéu de palha, protecção preciosa contra o sol radiante que já ia alto.
Tinham chegado cedo para apanhar um lugar tranquilo e estacionamento por perto.
Em outros tempos, aquela praia arenosa banhado por um mar turquesa cristalino, que mais parecer tirada de um postal turístico propagando estâncias turísticos longínquas, fora sítio de passeios.
Mas, não no verão. Nesses dias de clima mais agreste, as palavras e os gestos trocados tinham acalentado o namoro.
Belos momentos vividos em tão belo sítio.
E tu, meu amor, como és bela!- olhava-a de esguelha -e como fazes as lembranças do passado encontrarem, facilmente, os seus lugares de tranquilamente, em mim.
“Vá, anda lá! Como queres ganhar apetite para o arroz de tamboril?”
“Não preciso de congelar para ter fome...nem pensar...vai tu!”
Piscou-lhe o olho e virou-se, deitando-se de barriga para baixo.
“OK...como queiras...mas sabes que vou voltar muito muito molhado...!”
“Tenho uma surpresa para ti amor”- disse-lhe, à saída do almoço.
“É hoje que vamos viver a Experiência! Quando falaste em vir ao LX, tão perto...”“Umm, pois...”- respondeu-lhe -“Pilar 7?”
“Yep!”
Ria-se divertidamente, que nem uma garota, enquanto colocava a mochila às costas.
Afinal, ele tinha-a levado a aventurar-se no Hippo, autocarro anfíbio, premeditadamente, sem ter-lhe dito nada. Ela, estava a fazer-lhe o mesmo.
“Já foste lá cima?”
“Sim...coom quem tu estás a pensar...”
“Ela gostou?”
“Gostou muito...tirando um determinado chão esquisito que há...”- ele não pode deixar de rir.
“Bem, se não fizer xixi nas calças já ficarei contente!”- respondeu-lhe, visivelmente bem-disposta.
Ele adorava aquela sua faceta.
A maturidade e naturalidade com que encarava e falava do passado, de ambos.
Em outros tempos, ele tinha preparado semelhante surpresa para a tal morena de cabelo cumprido escuro cujos ténis, igualmente brancos, faziam parte do quadro pintado a quase 100 metros do solo, numa varanda de tirar a respiração construída em vidro.
O vento vindo do Tejo prometia uma visita agitada e mais uma vez, como em tantas antes, ele via-se a escrever uma nova página em lugar conhecedor do seu passado amoroso.
Fabuloso- lembrou-se do lema do blogue dele -Life's not about how many breathes you take, rather the moments that take your breathe away!”
Deu-lhe a mão e acelerou o passo sorrindo -”Come on girl..!”
“Puxa...para quê tanta pressa agora amor?!”
Parou -“Não quero apanhar uma excursão de chineses reformados de barriga cheia e telemóveis em riste!”
“Tuuuu!”- replicou, pregando-lhe um beijo na boca -”Adoro-te...”
Sorriu.
A vida é mesmo imprevisível...
Já não escrevia fazia tempo, mas bem...vamos lá dar isto por encerrado.
Tenho de zarpar que há uma festa à nossa espera!!

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