terça-feira

Queria saber Pintar...




Parei.
Abri a cadeira de madeira e lona branca.
Silêncio.
O mar...


Gostaria de fechar os olhos e poder pintar os sonhos...
transcrever todos os encantos,
transmitir todo o sentimento
através de um pequeno quadro...
Salpicar a imensidão do desconhecido,
embelezar metamorfoses através de aguarelas,
criar a harmonia do próprio ser...

No vazio de uma tela nasce a arte de quem a vê...
olhos que expressam,
manifestações silenciosas
de químicas adormecidas...
Magia das cores,
traço de pincel que desliza,
em fundo branco...


Deixei-me levar...

Tentei pintar uma flor,
dar conteúdo aos sonhos,
Mas...
Não encontrei na palete das cores,
tons que transmitissem o seu encanto,
nem a forma ou a essência do perfume das suas pétalas...

Tentei pintar o céu,
retratar no espaço os sonhos,
Mas...
Nunca conseguiria demonstrar a sua imensidão,
nem representar o infinito num espaço tão limitado,
nem a magia nem a beleza das estrelas numa noite brilhante,
pontos de luz, encanto que ilumina a alma, danças distantes...

Tentei então, associar o sonho ao mar,
dar cor ao firmamento dos sonhos,
Mas...
Como fazer para ter todos os tons de azul que o pintam,
conseguir desenhar a sua força,
reproduzir o som do gigante que abraça a praia ?
Como pintar o algodão da crista das ondas que chegam e vão,
que guardam segredos imortais nas suas profundezas,
e alimentam histórias de quem o navega e contempla?

Pensei então, pintar os sonhos através de um coração,
porque sempre soube que os sonhos estão em cada um de nós,
Mas...
Não consegui encontrar um tom de vermelho
que representasse a Paixão,
a Vida...

Percebi que não seria capaz de esboçar
o encanto de um sorriso
na minha melodia de traços e rabiscos,
nem alguma vez conseguiria
a alquimia de transformar o Amor em cor...

Como o queria!
Queira saber Pintar!
Saber desenhar apenas,
o encanto de um beijo...

Suspirei.
Não se pintam beijos sem lábios...
Sorri.
Como te pintaria, eu, a Ti?
Olhei o horizonte e sentei-me.
Afinal, descrevera o sonho conforme o sentia...
Não o tinha pintado,
havia escrito,
apenas,
estas,
Palavras.

1 comentário:

Mário Margaride disse...

Caro Fox.
Poema belíssimo. Carregado de sensualidade, paixão e amor. Onde o querer é a estrada para o desejo poder passear, mesmo ignorando os sinais proibidos.

Gostei demais.
Parabéns!

Abraço e boa semana!

Mário Margaride