segunda-feira

Como eu quero...



Olho a rua - como era bom estar longe deste lugar!

O sol esbate nos lares mórbidos e o automóveis surgem ruidosos, portadores de gente cinzenta,gente on-line,gente de apito na mão,palavras feias brotando de bocas ásperas.

A melodia suave contrasta com este sitio onde permanece o meu esforço de um quase vida.
Apetece fazer algo marcadamente estúpido,deveras louco,capaz de me elevar a alma a alturas antes vividas.
Ninguém.Não precisam de mim.Esquecem que eu estou aqui.Não sou importante,para eles.
Suspeito,até,que haverá cabecinhas felizes por assistirem ao espectáculo triste,rua acima e rua abaixo,de lugar após lugar cedendo ao sacrifício imposto por manda chuvas que habitam a estrato esfera de um suposto povo de entidade cúmplice,implorando para não desaparecer do mapa.

Serei eu,também,mais uma estatística,um mero numero largado ao acaso banal da sorte ou à falta dela?

Suspiro fundo.
Escuto o zumbido em madeira,familiar.
Leio.
Sofres.Muito.Sinto.
Tento responder.Dar apoio.Estender a compreensão de quem sofre,também.
Mas,não resultará,penso.Estamos longe.
Só nos teus braços,e tu nos meus,é possível escapar - aliviar!
Gentinha vil.Inconsequentes.Desprovidos de alma.Ocos.Decadentes.

Sinto-me fraco e sinto-te fraca.
Entrego-me.Sinto-me culpado.Não posso.Mas,não consigo evitar.É enorme - a dor!
E como tu precisas - de mim...sei...sei tão bem...
Rebentamos por dentro,lutamos para conservar o juízo,guerreamos pelo amor mais lindo e cru!

Quer tanto ser feliz! Quero tanto fazer todos felizes!

Quero tanto que sejas a mulher mais feliz - comigo!!
Quero,por de mais,fazer amor contigo sem parar,despejar-me em ti sem medos e sucumbir à tua força natural e bela que se entrega em espasmos constantes,correntes quentes,gemidos apaixonantes de mulher saciada...de menina surpreendida...

E a pergunta pertinente e amarga volta a dominar-me,volta a castigar a minha coluna vertebral,ameaça estoirar-me os miolos - COMO ? - COMO ? Como FAZER ??

Palco Cru




Permaneço sentado.
O relógio de quatro mundos mostra as nove da manhã.
O percurso necessário está completado.
Uma conta salva e outra a ser quando o almoço chegar.
Papeis de cobranças mensias jazem no tampo.

Faz sol.
Medonho.
Penetra para alem das palpebras, ou será incomodo meu devido à longa noite.
Os sapatos de camurça clara de nada me valem pois os frios de ontem estão bem patentes.
Contudo, após apenas meia dúzia de linhas escritas, as mãos mostram sinais de querem esquentar.
Engraçado,penso,como sabem tão bem que escrevo para ti,para estar perto de ti.

Voltei a ler a canção.Voltei a ficar abismado.
Afinal não somos únicos,existem outros,existem outros amores sofridos.

Fecho os olhos por momentos.

Agora escrevo.
Procuro relembrar a memória de minutos atrás quando percorri o caminho mais longo,estrada esburacada que corre paralela durante boa parte da distância daquele areal testemunha ao arremesso de um coração de pedra.
Não percebi...então...
Nesse dia ficou determinado que a pedra jamais moraria dentro de mim,mesmo ficando a capa bruta, espessa e abominável.

Foi demasiado fácil,está manhã,perceber.

Bastou o perfume daquele ar salgado e picante com toque de verde molhado para te trazer de volta a mim...a nós.
É deslumbrante,aquela visão...
Semicerro os olhos - duas cadeiras ?

A imagem é perfeita.

A imagem és Tu.