
Hoje, sozinho, olhou para o infinito
Aos poucos, muito lentamente, foi voltando a si,
começou a ouvir vozes baixinho vindas de um lugar distante,
Foi então,
Sorriu, porque sabia o porquê daquelas estúpidas lágrimas.
Verdade.
E, lembrou-se de uma frase que um dia, fazia muito tempo,
e perdeu-se na imensidão do nada.
Não havia inspiração e nem vontade,
apenas um enorme vazio.
Não sentia tristeza, não sentia alegria,
imaginou que morrer podia ser assim.
imaginou que morrer podia ser assim.
Embora sentisse vida no corpo, não sentia vontade de vivê-la.
Aos poucos, muito lentamente, foi voltando a si,
começou a ouvir vozes baixinho vindas de um lugar distante,
sussurrando pelo seu nome.
Iam chegando cada vez mais perto,
Iam chegando cada vez mais perto,
ficando cada vez mais alto,
até se tornaram gritos ensurdecedores,
até se tornaram gritos ensurdecedores,
obrigando a voltar a realidade.
Foi então,
que sentiu uma leve brisa a soprar nos cabelos,
sentiu o cheiro das flores,
reparou que o sol e o frio pareciam estar a lutar pelo protagonismo naquele dia,
que as estações lutavam pelo seu espaço,
enquanto ele,
reparou que o sol e o frio pareciam estar a lutar pelo protagonismo naquele dia,
que as estações lutavam pelo seu espaço,
enquanto ele,
apenas continuava ali,
paralisado,
as lágrimas a caírem.
Sorriu, porque sabia o porquê daquelas estúpidas lágrimas.
Verdade.
E, lembrou-se de uma frase que um dia, fazia muito tempo,
tinha rabiscado, em algum lugar :
"empresta-me um sonho"
Então, concluiu, talvez isso pudesse ser o seu mal,
talvez tenha deixado de sonhar,
"empresta-me um sonho"
Então, concluiu, talvez isso pudesse ser o seu mal,
talvez tenha deixado de sonhar,
e a vida assim não tem graça.
Sem sonhos não há inspiração,
mas é preciso inspiração para sonhar.
Hoje, escapava-lhe toda e qualquer inspiração.
A memória de um jantar, o último,
apoderara-se dele.
O fim anunciado.
A constatação da rejeição.
Hoje, a noite haveria de ser calma,
Hoje, escapava-lhe toda e qualquer inspiração.
A memória de um jantar, o último,
apoderara-se dele.
O fim anunciado.
A constatação da rejeição.
Hoje, a noite haveria de ser calma,
solitária,
contida.
Tinha de libertar-se da recordação,
Tinha de libertar-se da recordação,
de quando foi rotulado de homem obcecado,
de amante sem destino,
de futuro sem sentido.
Mas não fazia mal.
Tinha o que merecia...provavelmente...
E, portanto, continuaria a tratar do problema,
mesmo sem saber, como ia conseguir...
E depois, não tinha ele, para Ela - morrido?
Mas não fazia mal.
Tinha o que merecia...provavelmente...
E, portanto, continuaria a tratar do problema,
mesmo sem saber, como ia conseguir...
E depois, não tinha ele, para Ela - morrido?