O relógio de quatro mundos mostra as nove da manhã.
O percurso necessário está completado.
Uma conta salva e outra a ser quando o almoço chegar.
Papeis de cobranças mensias jazem no tampo.
Faz sol.
Medonho.
Penetra para alem das palpebras, ou será incomodo meu devido à longa noite.
Os sapatos de camurça clara de nada me valem pois os frios de ontem estão bem patentes.
Contudo, após apenas meia dúzia de linhas escritas, as mãos mostram sinais de querem esquentar.
Engraçado,penso,como sabem tão bem que escrevo para ti,para estar perto de ti.
Voltei a ler a canção.Voltei a ficar abismado.
Afinal não somos únicos,existem outros,existem outros amores sofridos.
Fecho os olhos por momentos.
Agora escrevo.
Procuro relembrar a memória de minutos atrás quando percorri o caminho mais longo,estrada esburacada que corre paralela durante boa parte da distância daquele areal testemunha ao arremesso de um coração de pedra.
Não percebi...então...
Nesse dia ficou determinado que a pedra jamais moraria dentro de mim,mesmo ficando a capa bruta, espessa e abominável.
Foi demasiado fácil,está manhã,perceber.
Bastou o perfume daquele ar salgado e picante com toque de verde molhado para te trazer de volta a mim...a nós.
É deslumbrante,aquela visão...
Semicerro os olhos - duas cadeiras ?
A imagem é perfeita.
A imagem és Tu.