segunda-feira

O Escritor



Em pequeno, o meu gosto por livros levou-me até à escrita.Dava largas a fantasias de criança e criava aventuras com diálogos e personagens.
Com o tempo, assim como normalmente acontece com todos que escrevem,
até tentei a poesia.

As poesias apareceram na adolescência como é habitual e os temas são
na sua maioria, quase sempre os mesmos.
Até porque nessa idade escrevemos sobre o que ainda não se vive e não se sente,
mas que se lê e se vê...e se deseja.
Durante anos o processo é o mesmo.
Brincar com as palavras, trocá-las de ordem, experimentar as figuras de linguagem,
inventar metáforas pobres e rimas sem rimas...na tentativa de ser livre e hábil.
A certa altura, anos decorridos, já conseguia escrever sobre qualquer coisa,
mas isso, não me interessava particularmente.
Fiquei pelos temas principais - o amor, a solidão e perda.
Consequentemente, o sexo e o erotismo começaram a fazer parte dos meus textos.
Talvez pela vida que me aconteceu e como aconteceu.

Acabei por, no fundo, largar a poesia que só merece ser tratada por quem tem trato especial por ela.
Escrevo, na verdade, sobre o amor como ninguém...ou como muitos...como eu.
Cartas, contos e pequenas histórias.
E claro, confissões e estados de alma.

Escrever era fácil...

Eu escrevia sobre o amor como ninguém...( foi o que eu disse? ),
até Tu me mostrares o que o amor realmente é.
Contigo descobri sentimentos, cores, desejos,
sons e ritmos que envolvem cada palavra.
Por mais que eu queira, tente e esforço-me,
não consigo mais escrever sobre o amor sem “aquilo”...,
o que Tu trouxeste para a minha escrita – “a magia”.

...era ( fácil )...

Tu alteraste tudo o que eu conhecia,
ou que achava conhecer.
Com o teu jeito de ser,
derrubaste os meus muros,
destruíste a minha armadura,
viraste o meu mundo do avesso,

...e aqui estou...

O que antes era fácil,
é,
cada vez mais,
impossível.

As palavras tendem a sumirem,
as frases auto-completam-se,
sem vida,
previsíveis,
rancorosos,
frias,
ásperas,
depressivas,
e por vezes até,
...chatas!

Tenho bloqueios.
O ecrã fica em branco à espera de uma palavra.
Por vezes durante minutos.
Povezes horas sem fim.
Chego até a sair do texto para regressar noutro dia!

Descobri, comesta idade,
que até hoje,
só brinquei à escrita.

Todos os poemas que escrevi sobre o amor são mentiras,
meras palavras.
Porque, o amor que sinto não pode ser dito nem escrito!
Não consigo e nunca vou conseguir descrevê-lo!!
Passaria a vida utilizando vocabulários rebuscados e não captaria
a mínima essência do que foi ( e é ) amar te.

Eu escrevia sobre o amor como ninguém,
...mas...agora,
prefiro não conseguir fazê-lo.

Perdeu todo o sentido.

O meu coração esgotou-se de tanto gostar de ti.
Isso, perturba o meu raciocínio.
A minha alma grita ao ouvido do escritor que fui,
condena-o,
responsabiliza-o,
chama-lhe nomes grotescos,
faz-o querer desistir de tudo!

...quanto mais, da escrita...

No entanto, é isto que me resta.
É,
ASSIM,
que consigo sobreviver!

Estive perto de concretizar o sonho do escritor menino.

( Estive? )

A Vida,
esta Vida,
encarregou-se e encarrega-se de tirar-me muito do que amo
e quando estou a um passo do sonho,
um degrau,
constato que para além desse degrau aguarda-me o abismo,
o mais negro e o mais só de sempre...

Hoje, tudo é Pó.
Como ouvi cantar na Antena 3 esta manhã.
E Tu...e Eu...um dia...também o sermos.
Pó.

Será que há outras vidas?
Será que vai haver outra oportunidade, noutras circunstâncias?
Ou, será que estamos condenados e viver ciclos de um Amor fulminante,
que acabam sempre em tragédia...porque nos escapa "algo"?

"Algo" uniu-nos e "Algo" separou-nos!
..”algo”...

Obrigado, por me mostrares que o amor é muito mais,
do que meras palavras em livros,
cenas na televisão,
fotos nas redes sociais,
...e pensamentos solitários.

Obrigado,
por ensinares ao escritor menino,
hoje homem,
o peso das Palavras.

Suspeito que,
“Eu Amo-te” - tantas vez escrito,
por mim para Ti,
foi escrito,
para nunca mais,
voltar a ser reescrito!




(  Nessa noite solitária,
o escritor escrevia que nem um abandonado,
um verdadeiro louco desmiolado.
Porque não havia, a não ser Deus,
quem lê-se as suas palavras.
Na verdade, o escritor escrevia para si mesmo.
Escrevia para sossegar a tempestade que morava dentro de dele.
Teclava as palavras para suster o tumulto que consumia a sua própria existência.
Aquele seu lugar, esconderijo virtual feito de teclas e ecrã vazio,
era onde o escritor conseguia, (ainda ! )...falar com Ela,
...mesmo sendo que...Ela não o ouvisse!

Um dia...pensava ele,
entre lágrimas amargas que teimavam salpicar o qwerty,
pode levar uma eternidade,
até ser só e apenas um mero dia,
um dia...
quando te encontrares só,
ou numa praia onde caminhamos juntos de mão dada,
Tu há-des recordar,
...as palavras que leste
...e que nunca mais
...palavras semelhantes
...tornaste a ler.
Um dia ??? Bullshit!
Eram pensamentos desmedidos de um presunçoso sofrido,
agarrado às vivências e emoções presas num tempo que passara,
sem volta, sem contemplações, sem consolo.

É, o tempo passou...e passa...

O Escritor voltou a acreditar.
Consegue escrever.
O seu lugar outrora sombrio readquiriu novo brilho e o qwerty,
cúmplice de novas histórias, voltou a ser acarinhado.

Contudo,
o Escritor percebeu que não é o tempo que cura,
não,
nada disso.
Somente dentro dele reside a dita cura,
o único caminho para a felicidade.
Está naquilo que ele busca e pelo qual tem de lutar,
o poder para eventualmente encontrar,
o que procura,
e quem quer,
caminhando a seu lado.

E...não é que encontrou?!

18 comentários:

lunaroja disse...

Muy interesante es te largo poema, acerca del amor, de escribir, de emoción..
Creo que escribir es una de las más bellas maneras de sanar..
sea lo que sea, un desamor,un duelo,una felicidad.
Muy bonito.

Marta Vinhais disse...

Escrever é dar voz às emoções para as quais não temos definição.
É encontrar ou não um sentido...porque as palavras libertam-se.
Abraços
Marta

Fá menor disse...

Escrever pode ser libertador!

Tudo de bom!

Fox disse...

Agradeço a tua visita e comentários. Sem duvida que para mim foi...e é...fundamental!

Fox disse...

Isso mesmo Marta!
Mesmo quando não se encontra, o que se busca, a sensação de alivio é sem reconfortante.
Abraço

Fox disse...

Olá Fá.
Tal e qual, não há melhor remédio...
Tudo do bom para ti também!

Momentos disse...

Zorro, me encanto leerte.
Escribir libera el alma dejando todas tus emociones al descubierto.
El amor es un arte que tenemos que aprender entre los amantes.
Fue un placer visitarte.
Que tengas un hermoso y feliz día.
Besitos y te dejo todo mi cariño Zorro

© Piedade Araújo Sol (Pity) disse...

Bom dia
Um texto longo, quase uma confissão com metáforas à mistura, mas que resultou no que o autor quis passar.
Desde a infância que escrevo e seja prosa ou poesia, gosto de colocar em palavras, uma parte do que o meu olhar abrange e que mais ninguém lhe dá valor.
Escrever é uma catarse pelo menos para mim
Tenha uma semana cheia de inspiração e muita saúde.
:)

Fox disse...

Realmente, escrever torna o coração mais leve...e forte.
Grato pela tua visita!

Fox disse...

É sempre bom quando alguém, realmente, nos lê.
O teu espaço, também merece ser lido.
Até à próxima!
E...obrigado...

Bandys disse...

Olá Fox,
agradeço a visita , seja bem vindo.
Escrever é a arte de colocar emoções
a flor da pele e o outo que lê degustar de tantas reflexões.
belo texto
Ate a proxima,

Fox disse...

Olá!
Muito obrigado pelo teu comentário.
Sim, até à próxima. Serás sempre bem-vinda!

Campirela_ disse...

Buenas noches , muchas garcias por tu visita.
Estoy de acuerdo que las palabras se quedan cortas a la hora de hablar de sentimientos sean de la manrra que sean.
Un saludo.

Teresa Isabel SIlva disse...

Gostei de ler!
Aproveito para desejar uma boa semana!

Bjxxx,
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Fox disse...

Também agradeço a tua visita e espero que passes por cá outras vezes.
Fica bem!

Fox disse...

Muito obrigado.
Tudo do bom para ti!

1ManView disse...

Greetings. Should I leave my comment in English or use my translator? Let me know which is best for you. ...
Writing is a powerful tool. It can be used to express yourself however you want. I love writing in prose because, to me, it's like talking, but in rhythm. But on the other hand, I like the challenge of writing in other forms. ....
I enjoyed what you had to say about love. I have been where you are now. It was a hard, lonely trail. And when I gave up, that was when I found love had been right in front of me. I was so busy looking for that perfect love, I did not realize true love was right in front of me the whole time. I also realize that there is no perfect love, because how can there be a perfect love when there is no perfect person among us? That is why a perfect love cannot right a sinking ship. But true love can.. True love will come some day...

Have a great day
And better tomorrows
1ManView

Fox disse...

Hi there!
Please do keep this in english as it's my native tongue and so a good excuse for me to practice!
Regarding your comment, I totally agree with you.
For so long it ( love ) had be staring me in the face, but thought of her as a very dear friend! Unfortunately, back then, I kept focussing on the past.
Until...well until another friend pointed out...what I had been blind to see.
So, that's why I end my text saying : " E...não é que encontro?!" or in other words - "And...has he not found it'!"

A good day to you too.
Cheers!