quarta-feira

Quem sou eu para impedir-te no teu caminho?



Hoje, és como um balão de ar quente a esvoaçar pelos céus.
Já não consigo, de jeito nenhum, alcançar-te!

Sabes, toda a gente percorre caminhos minados,
mas quem planta as minas, por vezes esquece o acto,
e acaba por, um dia,
detoná-las...

É um absurdo dizer isto,
isto que vou dizer,
isto que não é novidade, para ti,
mas é o que sinto.
Permanece em mim, por ti,
uma atracção gigantesca, confesso!
E sabes,
sei que me entendes – tu, percebes o meu verdadeiro eu.
Eu,
sei que precisaste de um lado assim, tão absoluto.
e,
há momentos,
de dias,
de noites,
que sobem-me os calores, mas apenas pela imaginação,
porque na realidade,
não passam apenas de ideias largadas em pleno vazio,
de ti.

Que inverno escuro, mora em ti! - dirás. Dei-te tudo!
Não dês importância e sorri.
Eu sei o que me deste.
e,
sei o que levaste de mim.

Por isso,
se na tua nova vida,
tão sem mim,
alguma vez te sentires incapaz,
acredita, quando te digo,
tu és capaz de algo tão grandioso,
que nem tu,
te apercebes disso!

Sim, julgo,
que desperdiçaste a "nossa" oportunidade,
aquela que fabricámos os dois,
a tão aguardada,
algo que teria feito,
o teu ego brilhar,
e vencer tudo,
e justificar tudo,
e enaltecer tudo...

Mas sabes,
sei que, apesar das diferenças,
e das tuas escolhas, tão certeiras,
alguma coisa ainda mexe contigo.
Resolves escondê-la,
sinceramente, acho que a deves esconder.

Porque, em noites de incertezas,
à beira de uma solidão conhecida,
ou,
aquando de um momento de desamparo,
poderás lembrar-te de mim,
de como corria,
de como não descansava,
de como me preocupava,
de como dava o que não tinha para dar,
e, como é habito de quem ama,
de como eu te amava,
e nesse instante,
imagens poderão invadir esse coração,
que conheci,
que abri,
que me prendeu,
e tu,
sem querer,
até a lutar contra,
poderás,
imaginar-me a deslizar as minhas mãos pelo teu corpo,
que foi meu,
que conheço,
que adoro,
fazendo-te o que fazia,
preenchendo-te como preenchia,
e tu,
ficando louca,
capaz de tudo!

E aí,
ao teu lado,
poderás dar-te conta,
de existir um concreto abismo, frio,
e a pergunta,
virá,
e as lágrimas, teimosas, falarão,
porque,
é tão difícil silenciar o grito, que rebenta de dentro,
quando explode tudo em nós!

Não mora arrependimento em mim,
isso seria destrutivo e cruel,
não tem propósito na mais bela história,
de um amor proibido e desmedido.
O teu canto, será, para sempre,
só teu.

Mas,
quem sou eu, para impedir-te,
no teu caminho?

Olho a tua foto de seios ao léu.
Meu Deus, como és bela!
Há outras tão belas - sim...
Mas, de ti,
emana uma luz que,
dizias tu,
só eu via...
Mentias? - não.
Apenas,
deixou de ser...importante.

O "delete" olha-me.
Ri-se de mim!

Eu, tenho de sorrir.
Sabe, que ainda me dás tesão!
Mas também sabe,
que este gesto é necessário,
porque tem de ser,
porque não me deixas alternativa,
porque preciso do que outra quer dar,
porque quero ser desejado,
porque quero sentir,
porque quero ser amado,
porque quero viver,
mas, sobretudo,
porque tu,
não me queres.

Ela,
Sim.

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