segunda-feira

14 de Fevereiro



Quantos anos tinham sido, que naquele dia, disseram "amo-te" um ao outro?
Muitos...
Foram dias com momentos maravilhosos, em que quase sempre não puderam estar juntos,
mas onde um grande amor sempre deu ares da sua graça.
Quantas surpresas fizeram, um ao outro?
Tantas...

Sim, hoje acreditava ser possível que o tempo apagasse grande parte das memórias
testemunhas desses dias de amor e paixão desmedida que transbordava dos seus corações.
O tempo encarrega-se de mudar, alterar, mostrar de outra forma...muita coisa.

Ele, hoje em dia, queria apenas guardar o "bom" que vivera.
Queria conservar num cantinho especial, dedicado à sua passagem pela vida dele,
os longos anos repletos de acontecimentos, vivências, alegrias, dores, emoções e sonhos.
Toda uma vida partilhada com a menina-mulher mais bela que conhecera.

Finalmente, conseguira ir em frente...sem ela!
Já jogara fora o seu desprezo, a sua falta de preocupação e deslealdade, bem como,
a provavel traição que acontecera enquanto ainda se deitava com ele.
Tinha perdoado...

Já não a amava.



Almourol era mesmo um lugar mágico!
Todo um cenário grandioso e envolvente,
sobretudo para quem era romântico!
Respirava-se história, glória, luta, sangue, conquistas!
Tal como no Convento de Cristo e na Taberna Antigua onde mais parecia que se entra
numa máquina do tempo quer pelo espaço quer pelas comidas e bebidas a degustar.

Acordou ao nascer do sol,
escutou o silencio interrompido pelos cantares da natureza,
enquanto espreitava a praça da republica de Tomar com todo o seu encanto místico.
Com jeitinho,
sentara-se na cama, o seu olhar atento percorrendo o corpo da mulher que ali repousava,
respirando serenamente, abraçando a almofada que até há pouco tinha sido a dele.
Desnudada, quente, macia, ancas sensuais, pernas torneadas pelo exercício,
seios dignos de um top bem sexy.
Fazia tempo que as coisas não tinham tal sabor, tal profundidade.
Sorriu enquanto a olhava e passeava os dedos pelo cabelo longo, de um loiro matizado.
O passeio, a noite, as gargalhadas e carrinhos trocados, fazer amor daquela maneira,
com uma envolvência sincera.
Engraçado como as mulheres, com ele, descobriam a sua força, a sua beleza fogosa,
quando quase sem perceberem o porquê, inundavam os lençóis abundantemente.
Engraçado como quando era o centro das atenções delas e virava amante insuperável.

Que dia de São Valentim fantástico!

No horizonte morava uma esperança recém adquirida.
Coisas boas haveriam de acontecer.
Um novo sonho, talvez, pudesse nascer.

Naquele momento que acabava o texto, pensou - vou fazer por ser feliz!
Não vou virar as costas a esta mulher...ela gosta mesmo muito de mim,
e eu, já gosto bastante dela.
Dizer "amo-te" ?
Esse dia ainda estava nos segredos dos Deuses...

Mas, importava VIVER agora!

Para sempre haveria de recordar-la...
Mas, na verdade, há uma parte de qualquer amor, que não nos pertence, pois perdura além de nós.
Gostava que, ao cruzarem-se um dia, trocassem um sorriso caloroso.

Adeus Princesa, sussurrou.
No meu Castelo, já não moras.


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