domingo
Encontro de uma Vida
Susana deitou mais um olhar ao espelho, mais uma vez, tentando imaginar se o que ele veria era a mulher na qual ela se transformara. A saia branca combinava perfeitamente com a blusa vermelha e as suas sandálias de salto alto preferidas, estava elegante, sexy e chique. Ela respirou fundo e seguiu para o café onde haviam combinado encontrar-se.
À medida que o tempo passava, ela sentia uma ânsia crescente. Teria feito bem em ir àquele encontro? E se encontrasse algum amigo? O que faria? Estaria ela a fazer a coisa certa ao ceder a um impulso?
Os pensamentos faziam-na ficar ainda mais nervosa. Havia anos que ela não via aquele homem e ela achou engraçado que mesmo tantos anos depois, ele ainda quisesse vê-la. Sorriu. Ele nem sabia se ela estava gorda ou desmazelada, se tinha celulite ou que marcas do tempo haviam ficado. Quase dava para sentir-se diva, maravilhosa... mas, ainda assim, dúvidas atacavam-na. Ela tremia.
Entrou, sentou-se ao canto da sala e decidiu pedir um sumo. O estômago estava revirado de emoção. Ela sabia que, para ele, seria apenas... ela seria mais um... um encontro esporádico.
No entanto, anos depois, os mesmos sentimentos voltavam, sentimentos para os quais ela não tinha nenhuma explicação.
Ela temia e ansiava o momento. Coisa de adolescente! Que mulher idiota!
O medo tomava conta do tempo e ela pensava como estava a ser absurdo, ter ido àquele encontro. Arriscava um mundo seguro, se bem que não era tão perfeito, mas ainda assim, o único porto seguro que conhecera na vida, por um momento fúlgido, por uma fuga momentânea do quotidiano chato que tinha e das críticas...e de tantas outras coisas. Apenas queria ter um curto momento de prazer, de olhar nos olhos dele e sentir a paixão de sempre, sentir a loucura invadi-la.
Ela olhou para o relógio mais uma vez. Ah! Ele não vem. Porque viria? Que coisa mais louca! Como pode alguém desejar alguém que não vê há anos? Ela queria fugir. Sentia-se covarde.
Fugira do beijo roubado... sim, uma vez....
Sim, iria pagar o sumo e desaparecer dali!
No entanto, o desejo de o ver era mais forte e ela optou por ficar... apenas mais um pouco...
Por fim, ele chegou.”Boa noite ... Suzy”
Ela ficou parada, sem saber o que fazer. Só ele a chamava assim.
Sorriu e disse, “ Olá...” nervosamente, como se um fio de voz escorresse da garganta. Convidou-o a sentar-se. Ele sorri-lhe com aquele seu jeito...tão malandro.
“ Desta vez, vou mesmo beijar-te.”
Ela encarou-o, tentando parecer chocada, surpreendida...
“ Aqui não!”
“ Estás linda!”
Ela baixou os olhos. Ele também não estava nada mal...
“O-o-o-brigada...” gaguejou.
O sumo acabou e ele pediu a conta.
“ Vamos mesmo fazer isto...não vamos...tens a certeza?”
“Tenho...já falamos sobre isto...”
Partiram em carros separados. Seria melhor assim. Seguiram para a casa dele. Ninguém podia saber. Ninguém.
Ela tinha medo do que estava prestes a fazer, mas tinham sido tantos anos, tantos sonhos...
Ele fechou a porta e beijou-a, as mãos dele escorregando pela saia abaixo, erguendo-a contra ele e ela nada pode senão beija-lo com o mesmo desejo, arrancando a camisa dele, cobrindo cada milímetro do corpo dele. A saudade emanava do seu corpo, da sua boca, da sua língua... A vontade de se entregar novamente e de novo, apenas por um momento, desta vez, eles iam pertencer um ao outro. Ela podia sentir o volume nas calças dele e sentia-se excitada e nervosa enquanto ele lhe tirava a saia, enquanto a beijava e passava a mão nos seios por baixo da blusa entreaberta.
Nada importava naquele instante a não ser a entrega voluptuosa de dois amantes. Ela abriu o fecho da calça dele e tocou-lhe, desejando-o dentro dela.
“ Sou toda tua! Mostra-me como me amas, quero levar esta noite comigo...para sempre. “
O sofá, azul e aveludado, matou a sede do corpo dela, dos beijos, dos olhos, dos murmúrios e ela apenas...apenas se entregava a ele numa paixão fiel, com o coração em chamas.
Ninguém jamais, além dele, fizera com que ela sentisse tanto...e tanta vontade. Não importava o gozo... importava a entrega e o brilho nos olhos dele. Ela sabia que havia algo muito mais profundo, muito mais forte que do que apenas desejo, ou, queria acreditar que era assim.
Ele devorava-a e ela sentia-se voar, num mundo de flores coloridas, num mundo de prazeres aguçados, queria absorver cada gota daquele momento único porque não poderia haver outros beijos porque mais beijos levariam a ele de novo e ela, simplesmente, não podia.
Ela teria que se contentar com aquele momento de entrega.
Ele pegou nela e levou-a para a cama, conversando e rindo, beijando-a na boca, nos mamilos erectos, fazendo o furor crescer e invadi-la novamente. Agarrou-a com firmeza e penetrou-a lentamente, com movimentos suaves e eles olharam-se, olhos nos olhos.
Ela sorria. Ele adorou vê-la sorrir daquele jeito. Ela era dele. Como ele gostou de a ver assim, fazia-o querer mais dela, do corpo dela, da boca dela, dos beijos dela... e, finalmente, ela deixou-se levar por tudo. O mundo girava e nada mais existia além deles. Susana sucumbiu às emoções...o facto dela estar ali com aquele homem, que a fazia sentir-se completa, fê-la gemer de prazer enquanto abria as pernas para ele, convidando-o a usar a sua paixão, a sua carne, que a consumia e inebriava. Finalmente, ela gritou e deixou-se ficar deitada, de barriga para baixo, esgotada com o gozo que tivera.
Permaneceram em silêncio. Ela ainda sentia o coração acelerado.
O medo voltara.
Enquanto ele dormia, sentou-se na cama. Angustiada e consciente do que fizera e com o coração dilacerado, juntou o que sobrava da sua alma e foi tomar um banho.
Como era belo. Finalmente, tinha sido sua. Estava feliz. Estava triste.
Beijou-lhe a face adormecida, um delicado beijo de despedida.
Ela sabia que era a última vez que o via.
Agora ficaria com mais lembranças...mas...teria sempre uma lembrança especial daquele homem.
De sapatos numa mão e as chaves do carro na outra, deixou o quarto, deixou a casa dele.
A manhã permanecia escura. As nuvens espessas escondiam o tímido sol.
O carro arrancou. O som confundiu-se com os barulhos da madrugada.
Alex...deixou escapar uma lágrima.
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