domingo

Porquê Esperar ( 2ª Parte )



Tinha chegado a Dublin há pelo menos 2 horas.
Deu uma pequena volta pela cidade e acabou por fazer algumas compras, mesmo sem ter a certeza que ia encontrar-se, de novo, com o ele, algo dizia-lhe que era melhor estar já preparada para tudo o que pudesse acontecer.
Estava planeado que ficasse ali no máximo dois dias e ela ia cumprir com isso. Marcou um almoço com o presidente da “Perfect Eyes”, o almoço foi passado principalmente a dormir, já que o homem não se calava e ainda por cima não falava nada de especial. No entanto, acabou por ganhar a sua confiança ao ouvi-lo falar da sua miserável vida e ele prometeu-lhe que o contrato seria assinado pelos outros accionistas no dia seguinte à mesma hora.
Claro, um decote bem escolhido, também, ajudava sempre.

Depois da reunião, dirigiu-se ao encantador hotel que ficava na margem do Liffey River, ao pé da Anna Livia Bridge, uma das 16 pontes que o atravessavam.
Ao entrar deparou-se com uma rosa vermelha em cima de um das almofadas. Estremeceu ao vê-la. Aquilo parecia mesmo coisa do Paulo. Andou calmamente até ela e ao pegar-lhe, reparou no envelope que estava meio escondido debaixo da almofada. O cheiro da rosa fez-lhe lembrar as primeiras flores que recebera dele, na ocasião, ele tinha faltado ao jantar que lhe prometerá. Na verdade, tinha-se trato apenas de uma flor, uma única rosa vermelha entregue dentro de uma caixa branca envolta por um enorme laço vermelho. Desde então que ambos fugiam desse jantar.

“Espero-te às 21horas na entrada... juro que desta vez não falto!”

Sentou-se na cama e chorou durante algum tempo. Parecia-lhe que tudo voltava sempre ao início, que tudo seria determinado por aquele jantar. Pensou que o melhor era tentar acalmar-se e pensar no que deveria fazer, talvez levar aquilo na brincadeira, um jogo a dois, mais um jantar com um homem.
Sabia que isso era impossível. Não se queria magoar de novo. Deveria fugir?

21horas

Aqui estou eu de novo feita uma tonta – suspirou – que calor, humidade !
Vai chover de certeza.
Vestia um vestido preto que fazia jus aos contornos do corpo dela e evidenciava as costas descobertas. Trazia uma echarpe prateada a combinar com as sandálias de salto alto, que se misturava com o cabelo longo que estava solto como era costume. Levara consigo a rosa vermelha. Estava muito nervosa. Pensou que devia estar diferente, os seus sentimentos não tinham mudado desde aquela noite em que ele a tinha deixado plantada...à espera...
Passaram 20 minutos.
Acabou por se sentar nas escadas do hall, não sabia o que fazer, queria chorar,
o coração sangrava.
Naquela noite tinha-se sentido assim, exactamente os mesmos sentimentos, raiva, decepção e por fim... por fim não tinha conseguido odiá-lo...
Por muito que eu sonhe, nunca nos encontraremos... tu e eu...o nosso destino! Tudo parecer pronto para falhar, desde o início...
As lágrimas finalmente atingiram os seus olhos.
Saiu para a rua, de encontro ao rio...
Teimosa, continuou ali, à chuva, à espera ...
Pediu que a chuva levasse com ela a raiva e todos os sentimentos que tinha tão dentro de si !
-Quem me dera poder abrir o meu coração e tirar o teu nome do meu coração, de certeza que assim eu era capaz de ser feliz mesmo que por apenas umas horas... já que eu iria após isso sentir um tremendo vazio em mim! Tu és que eu quero ! Porque não te disse, meu amor ! Porque te deixei ir ?
Pesadamente, sentou-se nas ripas de madeira encharcada do banco de jardim que tinha uma pequena placa com a inscrição do nome do rio.
Existia a possibilidade de ela não ser o que ele queria, de não ser aquilo que ele procurava, se calhar achava-a atraente, mas os sentimentos...o partilhar de um futuro...
A chuva caía, cada vez mais, com força.
Atirou com a rosa.
Pensava em tudo o que tinha acontecido desde que tinha ouvido pela primeira vez aquele nome, o nome que tinha mudado a vida e tudo nela, o nome que tinha entrado e não tinha e nunca iria sair...

- Hanna... desculpa! – ao ouvir aquela voz, pensou tratar-se da imaginação dela, só podia ser, mas mesmo assim ergueu o rosto e encarou aqueles olhos escuros que a faziam esquecer tudo que a incomodava, num ápice...
- Estás muito zangada comigo, não estás? – ele ajoelhou-se e tocou-lhe suavemente no rosto.
- Toma, fui lá cima buscar-te o chapéu-de-chuva.

- Paulo? estás tão molhado quanto eu!

- Desculpa, eu queria chegar a horas...não, não é nada disso...confesso! Tenho medo, tive para não vir...andei por aí às voltas...mas...aqui estou...meu amor...

Sentia-se desorientada mas não tinha qualquer dúvida que o amava...
- Não faz mal! Vieste, isso é o que importa! Abraça-me !

- Faz mal sim! Eu abandonei-te e depois nem consigo... – Hanna calou-o com um beijo apaixonado, ansiava pelo sabor da boca dele, desde o dia em que ele tinha partido, que sonhava com um beijo daqueles, com ele.

- Eu nunca devia ter te deixado ir! Eu amo-te! Eu pensava que ia conseguir ficar sem ti, que ia conseguir ultrapassar tudo, queria esquecer-te e não sentir a tua falta, mas...eu não consegui! Desculpa!
Ele abraçou-a com força e ela, com medo de que ele fosse desaparecer, que aquilo não fosse real, saltou-lhe par o colo, colocando as pernas
em volta do tronco e os braços por detrás do pescoço.

- Eu também te amo e nunca vou conseguir ficar sem ti! Mesmo que não esteja destinado a acontecer... eu pertenço-te, porque me apaixonei por ti, pelo teu olhar, pelo teu sorriso, pelo teu humor... até pelo teu mau-humor!

Beijaram-se suavemente.
Depois, ficaram ali durante algum tempo debaixo do chapéu dela, à chuva, a festejar, fazendo milhares de promessas de amor eterno e tudo mais, podia não ser o destino, podia até estar destinado, mas por agora, iam aproveitar, iam viver aquele amor que sentiam um pelo outro e que naquele momento, pensavam, jamais, acabaria.

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