( musica de acompanhamento - Far Away )
Naquela manhã envolta em chuva outonal cinzenta, deslocou-se até ao centro comercial
mais próximo para comprar uma embalagem de super-cola.
Tratava-se de uma emergência.
Fazia imenso tempo que não punha lá os pés, naquele centro comercial.
Mal entrou no corredor, que dava acesso ao supermercado, reparou nas cortinas
brancas que permaneciam desenroladas quase até ao chão, impedindo as três pessoas,
que aguardavam ansiosamente, de aceder à loja de telecomunicações.
Esboçou um leve sorriso.
Esboçou um leve sorriso.
As recordações das esperas em frente à tabacaria adjacente chegaram até ele.
Como era fácil lembrar os beijos apressados, as mãos dadas e os olhares cintilantes
que iluminavam rostos com sorrisos cúmplices.
Demasiado fácil.
Hesitou, meio chateado.
Seria sempre assim?
Haveriam lugares que para sempre ficariam reféns de memórias presas ao passado,
ao romance que partilhara com aquela mulher, dona de uma beleza quase oriental?
Talvez...
Se calhar...
Se calhar as lembranças esporádicas que brotam do nada em circunstâncias variadas
Talvez...
Se calhar...
Se calhar as lembranças esporádicas que brotam do nada em circunstâncias variadas
e inesperadas são naturais, consequência de sentimentos que vivem eternamente
dentro daqueles que, verdadeiramente, amaram.
Afinal, não são para sempre guardados em nós, os amores mais preciosos,
as pessoas mais importantes, os momentos mais marcantes?
Por muito bem guardadinhas e arrumadas que estejam - essas recordações não morrem.
Fazia sentido.
Por muito bem guardadinhas e arrumadas que estejam - essas recordações não morrem.
Fazia sentido.
O esquecimento, refletiu, torna-se possível apenas e somente, quando se constata
que o que passou...simplesmente...passou!
Isto é, quando na realidade não existiu amor de verdade.
Pegou na bisnaga da cola e dirigiu-se à caixa de pagamento self-service.
Pegou na bisnaga da cola e dirigiu-se à caixa de pagamento self-service.
Efetuou o pagamento e encaminhou-se para o carro passando pela tal loja,
os neurónios saltitando que nem frágeis bolhas de sabão, enquanto procuravam
decifrar a armadilha temporal que se abatera sobre ele.
Sentado ao volante, fechou os olhos por um instante e respirou profundamente.
Via-a com clareza, em dia de verão azul.
Esbelta, de sandálias altas, cabelo comprido, calças de ganga justa, sorriso aberto
e cativante, descendo a rua no passeio do lado oposto da estreita rua.
Por ventura, não lhe teria dito vezes suficientes o quanto era importante para ele
e o quanto a amava.
Ou teria?
Ligou o rádio.
"A música agora é outra!" - disse para si mesmo sorrindo.
Sabia que nunca mais poderia correr o risco de uma perda semelhante.
Agora, tinha consciência absoluta que o amor alimenta-se de gestos constantes,
naquilo que tem de ser uma dedicação diária.
Mas, estaria ele, naquele momento, ao recordar com ternura alguns momentos
do passado, a trair a companheira atual?
Ponderou.
Não.
Os sentimentos eram outros.
Não eram de quem tem saudades.
O tempo decorrido tratara disso e a relação que tinham era repleta de tanta coisa boa.
Ele sabia disso.
Ponderou.
Não.
Os sentimentos eram outros.
Não eram de quem tem saudades.
O tempo decorrido tratara disso e a relação que tinham era repleta de tanta coisa boa.
Ele sabia disso.
Sentia-o.
Ligou o carro e arrancou.
Ia surpreendê-la com um programa especial para logo à noite.
Sabia exatamente o quê!
Mas, a manhã teimava em querer provocá-lo e ao deixar o centro comercial para trás,
não tardou em soltar umas valentes gargalhadas.
"Devias ter a idade dela..." - disse em voz alta, olhando o reclame publicitário
da Calzedonia na paragem de autocarro, lembrando-se de um cartaz semelhante
da marca, naquele ano longínquo.
Lembrar, era bom.
Contudo, viver o presente - era muito melhor!
Contudo, viver o presente - era muito melhor!
"Inacreditável!" - disse, mais uma vez em voz alta.
Aumentou o som.
Ria-se, tranquilamente.
"Esta música..? Tinham de tocar esta música? Está bem, vamos a isso!
Porque não? Os filmes também têm banda sonora! "
O olhar dele era divertido.
Estava em paz com as recordações desse tempo.
Afinal,
Aumentou o som.
Ria-se, tranquilamente.
"Esta música..? Tinham de tocar esta música? Está bem, vamos a isso!
Porque não? Os filmes também têm banda sonora! "
O olhar dele era divertido.
Estava em paz com as recordações desse tempo.
Afinal,
tudo não passava de um mero momento,
daqueles que tomam conta de nós,
como segredos, inesperados, em dias cinzentos...
como segredos, inesperados, em dias cinzentos...
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Evento - Participação na reunião de Quinta-Feira, 1 de Outubro


23 comentários:
Los recuerdos son bonitos porque ellos son la parte más importante de nuestra vida; otra cosa es vivir siempre de ellos; eso puede ser perjudicial para avanzar en el desarrollo de nuestras vidas. El presente es el que importa, pero no tenemos que renegar de nuestro pasado. Un abrazo.
Hay esos recuerdos que a veces afloran, nos invaden y hacen que nos cuestionemos cosas, muchas que creíamos enterradas en el pasado, pero una música, una película, un lugar los traen e la memoria.
Muy buena historia, saludos.
PATRICIA F.
Tendrías que poner las fuentes un poquito mas grandes porque los vejestorios ya nos la vemos y deseamos para leer el texto. A pesar de tener dos monitores XXL.
Un abrazo.
No logré concentrarme. Lo leí dos veces sin entender... parece ser mi día gris.
Completamente de acordo.
Abraço!
Olá Patrícia.
Verdade. Somos uma composição de tantos momentos que vivemos.
Obrigado!
Erik,
É simples - arranjas um monitor XXXXL :))
Abraço!
Há dias assim.
Se calhar, amanhã, tudo fica mais claro.
Abraço.
Los días grises son los más apropiados pata las nostalgias, si son románticas, más se agradece. Me quedo pensando si era necesario el pegamento... desesperado recurso para ese protagonista. Gracias por sumarte, Fox. Un abrazo
Me ha gustado mucho cómo el relato convierte un simple paseo al centro comercial en un viaje inesperado por los recuerdos. Tiene una melancolía muy humana, pero sin caer en la tristeza, porque al final transmite una idea que me parece preciosa: recordar no significa querer volver atrás. A veces el pasado aparece de repente, nos acaricia un instante y después nos devuelve al presente, que es donde realmente seguimos viviendo. Y ese final, con la música y la carcajada, me parece especialmente acertado: deja una sensación de paz y de reconciliación con lo vivido.
Te aplaudo es una participación excelente.
Un abrazo y feliz fin de semana
Me imagino mil cosas con ese pegamento y no acabo de descubrir para qué lo quería. Supongo que para pegar de nuevo el cartel, pero no lo sé con certeza.
En cualquier caso, está claro que los recuerdos cuando salen a flote, a menudo nos hacen sentir viejos de repente.
Un abrazo.
Foi apenas um momento, mas ainda assim esses momentos são algumas das coisas mais bonitas que nos acontecem... estou enganado?
Desejo-te muitos desses momentos, que alegrem a tua vida... abraço e beijo, Andreja!
Olá, Fox!
Música muito bonita,
O conto está cheio de afetividade e sentimentos.
Gostei dos devaneios na passagem de uma lembrança. Escritos com lucidez.
"Viver o presente - era muito melhor!"
Per-feit-to!
Tenha um final de semana abençoado!
Abraços fraternos
Ola mi querido Fox, q tal! gostei desta reflexao sobre as lembrancas que aparecem de repente e nos levam por alguns instantes a outros tempos; e achei muito simpatico o final, com ele a rir e a seguir em frente, em paz com as suas memorias. Um abraco grande e buen final de semana 💗
🌞*☆.ღ.☆*
Eso espero que al menos nos cuidan el los días grises como el de hoy, porqué sé que hay recuerdos que no nos abandonan nunca.
Olá Mónica.
Sentir nostalgia nem sempre é mau, mesmo.
Abraço!
Nuria,
Meus agradecimentos pela tua passagem no meu blogue e apreciação que deixaste.
Cumprimentos!
Olá Rebeca,
Isso, pode acontecer, mas não necessáriamente.
Afinal, a alma não envelhece.
Abraço!
Andreja,
Faço das tuas palavras minhas.
Tens razão.
Um ótimo fim de semana para ti!
Olá Roselia.
É gratificante quando quem nos lê apanha o sentido do conteúdo.
Obrigado!
Olá!
Muito agradável encontrar-te por aqui.
Grato pelo comentário gentil.
Abraço!
Olá Tracy.
Realmente, todos sabemos disso.
Temos de aprender a lidar com o passado.
A chave é seguir em frente de cabeça erguida!
Cumprimentos!
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