terça-feira

Café da Manhã



A manhã trazia um sol tímido que se limitava a espreitar pela bruma, deixando adivinhar
que a próxima estação tinha despontado.
Era já visível o início daquele que seria um manto de flores selvagens e por toda a parte
pequenos ramos de arvoredo sarapintavam-se de varicela primaveril.
Mais um mês e todo aquele quadro estaria perfeito.
Para o casal de esquilos, que dali avistava, saltitando e roendo, já tudo era perfeito.

A pequena casa de campo encontrava-se isolada de tudo e todos.
Do relvado frente à sala, que abria sobre a mata de carvalhos, podia sentir o cheiro
molhado do orvalho que fugia.
Da sala chegava-lhe, ainda, o aroma acolhedor da lareira, que acabara por se apagar
durante a noite.
É necessário reacendê-la, pensou.

Quando saíra do quarto para fazer café, ela dormia, o seu corpo seminu sobre os lençóis.
Era uma visão que retinha enquanto enchia a chaleira...

Cabelos compridos em desalinho sobre a almofada, cobrindo parcialmente a cara.
Olhos serrados por uma cortina de pestanas, sob as sobrancelhas cuidadas.
Nariz enterrado na almofada, lábios carnudos esboçando um beijo silencioso.
Pescoço esguio, alargando ligeiramente em baixo para os ombros torneados onde se
abrigara de noite.
Seios tenros, movimentando-se ao ritmo da respiração lenta, que não traíam a agitação
por que tinham passado, os mamilos cor de pêssego, que ao seu toque na véspera
pareciam ganhar vida própria, repousavam agora diluídos na carne.
Uma ponta pudica do lençol permanecia entre as pernas, cobrindo-lhe o umbigo
bem talhado, deixando ver as ancas arredondadas, expondo nádegas e coxas torneadas,
as mesmas que o tinham abraçado.
O mesmo lençol escondia da vista o lugar mais intimo dela, onde tanto de si se tinha
perdido e encontado durante a noite, ou, como ela gostava de dizer, onde ele a completava.
Sim, dormia ainda, e ele não quisera acordá-la ao levantar-se para ir fazer o café.

Acabava de encher uma caneca fumegante quando ela apareceu, envergando apenas
sobre o corpo nu uma camisola velha de algodão grosso, quase desfeita no cós de tanto
uso, que lhe pertencia e que ele guardava numa gaveta destinadas a roupa que trazia por ali.
Ficava-lhe bem...
Atrás tapava-lhe o rabo que, empinado, parecia querer mostrar-se.
À frente, ligeiramente subida pelos seios que nunca antes albergara, ameaçava a qualquer
momento destapar o que, até há pouco, o lençol teimara em cobrir...



O cheiro a café, que tinha chegado ao quarto com aquele magnifico aroma quente,
acordou-a.
Sorrateiramente, vestiu a primeira camisola que encontrou e dirigiu-se à cozinha com
o sorriso com que havia adormecido na noite anterior e com o cheiro dele cravado
no corpo e sobretudo na alma.
Encostou-se na ombreira da porta e deteve-se a ver aquele homem, cabelos cuidados,
tremendamente sedutor.
Definitivamente, a vida tinha sido generosa para com ele.
E curiosmante, ainda conservava um certo ar de reguila, de rapaz sonhador.
Vê-lo ali de tronco nu, boxer negro, pele cheirosa, a preparar um café para eles,
era algo.... tremendamente belo...excitante ate!
O movimento com que o fazia, a maneira como se mexia, deixava perceber uma forma
corporal dominada.
Por dentro daquele corpo...tinha de haver um homem bom, generoso, culto, elegante,
deu consigo a pensar, enquanto o apreciava e percebia o quão feliz era, por tê-lo para si,
naquele momento.



"Bom dia, amor!"

"Bom dia minha estrela… dormiste bem?"


"Sim, muito bem… e tu?" - perguntou com um sorriso quase infantil e igualmente
sensual, enquanto roçava uma perna ao de leve na outra e bocejava longamente.

"Maravilhosamente bem, queres?" – mostrou-lhe a chávena que fumegava nas suas mãos.

Sorriram um para o outro, ela inebriada pelo cheiro do café que vinha da chávena que ele
segurava, ele fascinado pela beleza que aquela imagem carregava - uma velha camisola
de algodão sua, a cobrir o corpo daquela mulher-menina.

Ela caminhou até ele em bicos de pés, o que fazia subir a camisola, ligeiramente, deixando
antever as ancas.
Naquele momento sabia que ele quereria, secretamente, que a camisola encolhesse!
O chão frio lembrou-lhe as meias que ele lhe tinha dado pelo natal.
Sentiu os mamilos contrairem-se.
Pegou na chávena e pousou-a em cima da mesa rústica, testemunha do jantar inacabado.
Olhou para ele, ajeitou uma madeixa de cabelo e beijou-o meigamente nos lábios.
Com isto, afastou-se, caminhando lentamente, sinuosmante, até à janela do quarto.
Abriu os cortinados.

"A manhã está linda!...apesar de fria..."

"Eu sei...Vá, vem beber o teu café..."

"Agora não, fiquei com frio..."

Soltou uma gargalhada marota
"Depois amor..."

"Olha que vai arrefecer..."

"Depois…Bebemos depois...Okkkk?"

Fez questão de terminar o seu café.
Ouvia-a a enroscar-se nos lençois.
Olhou-a.
Olhos cor de mel semicerrados e lábios propositadamente mordiscados,
são sempre cúmplices perfeitos.
Pousou a chávena.

" Sabes, és mesmo uma tretas!"

13 comentários:

lunaroja disse...

Muy atrevido y sensual tu relato!
A medida que lo leía me imaginaba cada escena.
Me ha gustado mucho!
Un abrazo!

❦ Leoa ❦ disse...

Que leitura linda e envolvente.
A delicadeza com que descreve a manhã, a natureza e a cumplicidade desse casal faz com que a gente quase sinta o cheiro do café e o calor da lareira.
Gostei especialmente da forma como o amor aparece nos pequenos gestos, nos olhares, nas brincadeiras e no cuidado silencioso entre os dois.
É um texto que transmite aconchego, ternura e a beleza da intimidade vivida com carinho, mostrando que a felicidade, muitas vezes, mora exatamente nesses instantes simples que ficam para sempre guardados na memória.

ABRAÇOS

Lucia disse...

Olá Fox.
É um texto que se destaca pela riqueza das descrições e pela atmosfera intimista que consegue criar. A linguagem sensorial faz com que o leitor quase sinta o cheiro do café, o calor da lareira e a serenidade da manhã, reforçando a cumplicidade entre os personagens. Embora, em alguns momentos, o excesso de descrição torne o ritmo mais lento, essa opção contribui para valorizar as emoções e os pequenos gestos do quotidiano. No conjunto, é um excerto envolvente, que transmite ternura e romantismo, privilegiando as sensações e os sentimentos em vez da ação.
Boa semana e gratidão pela visita.
Abraço!

🌺 Hada de las Rosas 🌺 disse...

Ola querido Fox, que lindo, uma leitura muito bonita e envolvente. Gostei da atmosfera tranquila da cabana, do aroma do cafe e da chegada da primavera. Obrigada por compartilhar. Um grande abraco!🫂🤗😘

Marta Vinhais disse...

Uma manhã perfeita... sedutora...
Beijos e abraços
Marta

Fox disse...

Olá Luna.
És muito simpática.
Abraço

Fox disse...

De facto, momentos assim perduram em nós para sempre.
Grato, como sempre, pela tua visita e comentário carinhoso.
Abraço!

Fox disse...

Viva Lucia!
Agradeço o teu comentário tão bem estruturado e criterioso.
Até à próxima...

Fox disse...

Bom dia!
Que bom ver te por aqui.
Acho que apanhaste bem a atmosfera do lugar descrito.
Obrigado!

Fox disse...

Bem-vinda Marta!
Obrigado.
Votos de um bom dia para ti!

LÍRIO SELVAGEM disse...

Olha... sabes um segredo?... estava a precisar ler isto. Sei lá eu porquê fiquei a ler e reler... soube bem. Fiquei feliz que a camisola de lã lhe serviu...
kiss

Fox disse...

Bem...agora já não é segredo...
É bom saber que o meu conto, de alguma forma, alegrou o teu dia.
Mania que as mulheres têm, de vestir as camisolas dos homens, não é?
Abraço

🌺 Hada de las Rosas 🌺 disse...

🌸Buen final de semana, Fox
🌹🤗💕🌷🤗💕