O vento, visitante provocador, trazia os aromas agridoces de vinhas à beira-mar.
No céu pairavam gaivotas em busca de um jantar fácil.
Que belo final de dia para voltar à paragem do autocarro!
Afinal o indicador de temperatura sempre servia para algo,
pena era não lhe ter dado a devida importância.
Ter automóvel ia obrigá-lo a ser mais responsável.
Uma coisa era certa, não iria ficar naquela fila medonha, a derreter.
Sem perder tempo, atravessai o pequeno jardim que se encontrava atrás da paragem
e ocupei o banco de madeira, ou o que restava dele, debaixo de uma enorme palmeira.
Não demorou muito até que reparei em quem se aproximava.
Teria sido impossível não reparar.
Era esbelta, mas não no sentido esquelético como tantas miúdas reféns de imagens
propagadas por deusas de mundos elitistas.
O cabelo era negro, quase liso, bastante longo.
O vestuário desportivo, justo, elegante, sapatilha branca.
“Não sei se dá...Amanhã já devo ter o meu carro...Sabes, eu não costumo andar de...”
“Eu sei. É um cinzento. Deixas-o no estacionamento reservado aos Correios, quando
O cabelo era negro, quase liso, bastante longo.
O vestuário desportivo, justo, elegante, sapatilha branca.
Usava óculos de sol pretos, grandes, que lhe escondiam os olhos
Tinha ar de quem ainda estudava ou tinha acabado os estudos há pouco tempo.
Acabei por ser o último a entrar no autocarro.
Podia ter permanecido em pé mas a curiosidade convidou-me a sentar-me em frente
a ela, naquele que alguns chamam de assente do enjoo.
É claro que tentei fazer de contas que não olhava e é claro que ela percebeu e daí o
sorriso contido mas divertido que os cantos da boca dela denunciaram.
Trazia comigo uma mochila.
De repente o autocarro fez uma travagem brusca.
E, de repente, ela estava a ajudar-me a reunir os papéis espalhados pelo chão.
E, de repente, eu estava a resgatar os óculos de sol dela que tinha ido parar debaixo
de um assento mais à frente.
“ Toma. Esse fecho não deve estar grande coisa”- disse-me, no meio de uma gargalhada.
“ É...parece que tens razão. Olha...fazemos uma troca...os meus papeis pelos seus óculos.”
Não que te façam falta - pensei - Tens cá uns olhos!
“Não queres ficar com eles?”- interpelou-me.
Fiquei meio encavacado.
De seguida devolveu-me toda a papelada excepto uma folha, para a qual olhava com
intensa curiosidade.
“Escreves?”- perguntou-me.
“Só coisas sem importância...para passar o tempo"- respondi, olhando em redor.
"Ai é? Interessante..."
"Ok...Vá... Toma os teus óculos...”
“Ummm...não sei. Não. Fazemos a troca amanhã!”
Olhou-me de forma felina, provocando um verdadeiro terramoto no meu peito valente.
Tinha ar de quem ainda estudava ou tinha acabado os estudos há pouco tempo.
Acabei por ser o último a entrar no autocarro.
Podia ter permanecido em pé mas a curiosidade convidou-me a sentar-me em frente
a ela, naquele que alguns chamam de assente do enjoo.
É claro que tentei fazer de contas que não olhava e é claro que ela percebeu e daí o
sorriso contido mas divertido que os cantos da boca dela denunciaram.
Trazia comigo uma mochila.
De repente o autocarro fez uma travagem brusca.
E, de repente, ela estava a ajudar-me a reunir os papéis espalhados pelo chão.
E, de repente, eu estava a resgatar os óculos de sol dela que tinha ido parar debaixo
de um assento mais à frente.
“ Toma. Esse fecho não deve estar grande coisa”- disse-me, no meio de uma gargalhada.
“ É...parece que tens razão. Olha...fazemos uma troca...os meus papeis pelos seus óculos.”
Não que te façam falta - pensei - Tens cá uns olhos!
“Não queres ficar com eles?”- interpelou-me.
Fiquei meio encavacado.
De seguida devolveu-me toda a papelada excepto uma folha, para a qual olhava com
intensa curiosidade.
“Escreves?”- perguntou-me.
“Só coisas sem importância...para passar o tempo"- respondi, olhando em redor.
"Ai é? Interessante..."
"Ok...Vá... Toma os teus óculos...”
“Ummm...não sei. Não. Fazemos a troca amanhã!”
Olhou-me de forma felina, provocando um verdadeiro terramoto no meu peito valente.
“Não sei se dá...Amanhã já devo ter o meu carro...Sabes, eu não costumo andar de...”
“Eu sei. É um cinzento. Deixas-o no estacionamento reservado aos Correios, quando
vais tomar o café da manhã na pastelaria ao lado...”
Com isto, levantou-se.
Ouvi a campainha soar.
Ela dirigui-se à porta central do autocarro.
Eu estava estupefacto!
"Como é que sabes que..."- quis perguntar.
Mas, ela já tinha saído.
Sentei-me.
Que cena !
Eram sete e vinte da tarde.
Os meus olhos percorriam a avenida incansávelmente.
Será que vinha?
E era bom que viesse?
Aquela miúda tinha algo de desconcertante!
Era como se pertencesse a outro mundo, a outra realidade que não a minha.
Contudo, falou-me com tamanha à vontade, como se, secretamente,
estivesse a aguardar por aquela situação há algum tempo.
Estaria eu, estúpidamente, a sonhar?
Apertei com mais força os óculos que segurava.
Olhei-os.
Reparei em algo numa das hastes.
Havia uma inscrição, ou melhor, o inicio do que tinha sido uma palavra,
de um nome -“An”
É um bocadinho dela...
Ela existe!
Com isto, levantou-se.
Ouvi a campainha soar.
Ela dirigui-se à porta central do autocarro.
Eu estava estupefacto!
"Como é que sabes que..."- quis perguntar.
Mas, ela já tinha saído.
Sentei-me.
Que cena !
Eram sete e vinte da tarde.
Os meus olhos percorriam a avenida incansávelmente.
Será que vinha?
E era bom que viesse?
Aquela miúda tinha algo de desconcertante!
Era como se pertencesse a outro mundo, a outra realidade que não a minha.
Contudo, falou-me com tamanha à vontade, como se, secretamente,
estivesse a aguardar por aquela situação há algum tempo.
Estaria eu, estúpidamente, a sonhar?
Apertei com mais força os óculos que segurava.
Olhei-os.
Reparei em algo numa das hastes.
Havia uma inscrição, ou melhor, o inicio do que tinha sido uma palavra,
de um nome -“An”
É um bocadinho dela...
Ela existe!
27 comentários:
En conjunto, se trata de un relato que consigue algo difícil: hacer que un encuentro fugaz parezca el comienzo de algo inevitable. Para despertar la intriga; le bastan un autobús, unas gafas, una mirada y un nombre incompleto. Quizá ahí resida su mayor encanto: en la sospecha de que algunas personas no aparecen en nuestra vida por casualidad, sino que llegan cuando la historia ya ha comenzado, aunque nosotros todavía no lo sepamos.
Me gustó mucho.
Saludos y feliz fin de semana
No parece un encuentro casual, al menos no para la chica delgada de las gafas.
Saludos.
Hola Fox
Una historia original que abre la puerta al misterio. ¿Es casualidad o causalidad?
Un saludo
Olá Fox
Uma história original que abre as portas para o mistério. Será coincidência ou causalidade?
Atenciosamente
Olá Nuria.
Bem-vinda.
Agradeço o teu comentário perspicaz.
Realmente, há momentos assim na vida...
Olá Ibso.
Fizeste-me rir.
De facto...
Olá!
Bem...isso é algo que vou, sempre, deixar à consideração do leitor.
Grato pela visita!
Existe, no la soñó. Los anteojos son la prueba de que es real y seguramente volverán a verse. Buena historia para iniciar tu aventura juevera, Fox. Espero se repita. Gracias por sumarte. Buen fin de semana
Ella parece tener algo de misterio, sugiriendo que el encuentro no fue casual, sino que ella lo planeó.
Saludos.
Una historia que merece una segunda parte! Un encuentro único y misterioso de esos que no se olvidan! Beijos
Es chica tenía algo misterioso, ojalá pueda ser descubierto o mejor dejarlo en el misterio..
Un saludo.
Un relato con una bella y misteriosa mujer, que parecía saber mucho.
Y dejó una huella, una evidencia de su existencia.
Saludos
Muy buena la historia, super atrapante muy bien contada, puedes estar en la escena donde transcurre la historia. Me quede con las ganas de si la misteriosa mujer vendría.
Que tengas un buen fin de semana
Saludos
Una pequeña prueba de que el encuentro fue real; y la interrogante de quién es realmente y cómo sabe tanto .
Abrazo
Un raro encuentro casual que puede con el tiempo en terminar siendo algo más.
Saludos.
PATRICIA F.
Me han pasado situaciones similares al menos en cuanto al contexto. Y a veces uno quiere saber, otras no, por miedo a perderla. Pero quiere tener la posibilidad de que al amor llegue también, claro. Saludos
Creo que es la primera vez que te leo en los Jueveando, si es así te doy la bienvenida al grupo y espero seguir leyéndote, tú aportación me ha gustado mucho.
Saludos
Olá!
Grato por me teres aceite a minha participação e pelo teu simpático comentário.
Cumprimentos!
Olha...até hoje não sei...:))
Cumprimentos!
Quem sabe?
Boa sugestão.
Obrigado.
Qual o rapaz que não sonha em cruzar-se com uma miuda misteriosa?
Abarço
Agradeço as tuas palavras simpáticas e o teu olhar sobre a história.
Cumprimentos!
E, será que ela não "apagou" o resto do nome de propósito?
Abraço!
Olá Patricia.
Bem-vinda!
Teria sido bom...:))
Cumprimentos.
Realmente, só quem passa por algo, é que sabe como é...
Cumprimentos!
Olá Tracy!
Creio que sim,
Obrigado.
Volta sempre...
Pude sentir esa mirada... porqué seran todas tan prfundas cuando caaln el amlm...Diablos. me quedé pegado.
Porque será mesmo? :))
Abraço!
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